Hemorragia intracerebral

Hemorragia Intracerebral: Guia Completo de Codificação CID-11 1. Introdução A hemorragia intracerebral representa uma das formas mais devastadoras de acidente vascular cerebral, caracterizada p

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Hemorragia Intracerebral: Guia Completo de Codificação CID-11

1. Introdução

A hemorragia intracerebral representa uma das formas mais devastadoras de acidente vascular cerebral, caracterizada pelo sangramento direto no parênquima cerebral ou no sistema ventricular. Esta condição neurológica aguda apresenta taxas elevadas de mortalidade e morbidade, sendo responsável por uma parcela significativa dos casos de AVC hemorrágico em todo o mundo.

Diferentemente de outras formas de hemorragia intracraniana, a hemorragia intracerebral ocorre quando vasos sanguíneos dentro do tecido cerebral se rompem, causando acúmulo de sangue que comprime e danifica as estruturas neurais adjacentes. O sangramento pode ocorrer em qualquer região do cérebro, sendo mais comum nos gânglios da base, tálamo, cerebelo e ponte.

A importância clínica desta condição é imensurável. Pacientes com hemorragia intracerebral frequentemente apresentam deterioração neurológica rápida, com déficits permanentes em sobreviventes. O prognóstico depende de múltiplos fatores, incluindo localização, volume do hematoma, idade do paciente e presença de sangramento intraventricular.

Do ponto de vista epidemiológico, a hemorragia intracerebral representa aproximadamente 10 a 15% de todos os acidentes vasculares cerebrais, mas contribui desproporcionalmente para a mortalidade relacionada ao AVC. A hipertensão arterial não controlada permanece como o principal fator de risco modificável, seguida por angiopatia amiloide cerebral em populações mais idosas.

A codificação correta desta condição no sistema CID-11 é crítica para diversos aspectos da assistência médica: permite o rastreamento epidemiológico preciso, facilita a alocação adequada de recursos hospitalares, auxilia na pesquisa clínica e garante o reembolso apropriado dos serviços prestados. A documentação precisa também é essencial para o planejamento de políticas de saúde pública voltadas à prevenção e tratamento de doenças cerebrovasculares.

2. Código CID-11 Correto

Código: 8B00

Descrição: Hemorragia intracerebral

Categoria pai: null - Hemorragia intracraniana

Definição oficial: Disfunção neurológica aguda causada por hemorragia no parênquima cerebral ou no sistema ventricular.

Este código específico foi desenvolvido na CID-11 para identificar com precisão os casos de sangramento que ocorrem diretamente no tecido cerebral. A classificação distingue claramente esta condição de outras formas de hemorragia intracraniana, como hemorragia subaracnoide, subdural ou epidural, cada uma com suas próprias características fisiopatológicas e implicações clínicas.

O código 8B00 abrange tanto hemorragias parenquimatosas primárias quanto hemorragias intraventriculares primárias. É importante notar que este código se aplica especificamente a hemorragias não traumáticas, espontâneas ou relacionadas a condições médicas subjacentes. A inclusão do sistema ventricular na definição reflete o reconhecimento de que o sangramento pode ocorrer primariamente nos ventrículos ou estender-se secundariamente para essas estruturas.

A estrutura hierárquica da CID-11 posiciona este código dentro do capítulo de doenças do sistema nervoso, especificamente na seção de doenças cerebrovasculares. Esta organização facilita a navegação e compreensão das relações entre diferentes tipos de eventos vasculares cerebrais, permitindo análises epidemiológicas mais sofisticadas e comparações internacionais padronizadas.

3. Quando Usar Este Código

O código 8B00 deve ser aplicado em situações clínicas específicas onde há confirmação de sangramento intracerebral não traumático. A seguir, apresentamos cenários práticos detalhados:

Cenário 1: Hemorragia Hipertensiva nos Gânglios da Base Paciente de 65 anos com histórico de hipertensão arterial mal controlada apresenta-se ao serviço de emergência com hemiplegia direita súbita e alteração do nível de consciência. A tomografia computadorizada de crânio revela hematoma de 40ml nos gânglios da base esquerdos, sem evidência de trauma craniano. Este é o cenário clássico para uso do código 8B00, pois representa hemorragia espontânea no parênquima cerebral.

Cenário 2: Hemorragia Talâmica com Extensão Intraventricular Paciente desenvolve cefaleia intensa súbita seguida de déficit sensitivo e motor. Neuroimagem demonstra hemorragia talâmica com ruptura para o sistema ventricular. Mesmo com a extensão intraventricular, o código 8B00 permanece apropriado, pois o sangramento primário ocorreu no parênquima cerebral.

Cenário 3: Hemorragia Cerebelar Indivíduo apresenta vertigem súbita, ataxia severa, cefaleia occipital e vômitos. Imagem cerebral identifica hematoma cerebelar de 25ml sem sinais de trauma. A localização cerebelar não altera a codificação, permanecendo 8B00 para hemorragia intracerebral.

Cenário 4: Angiopatia Amiloide Cerebral Paciente idoso sem hipertensão significativa apresenta hemorragia lobar em região parietal. Investigação sugere angiopatia amiloide cerebral como etiologia subjacente. O código 8B00 é aplicável, podendo ser complementado com código adicional para especificar a etiologia quando apropriado.

Cenário 5: Hemorragia Pontina Paciente desenvolve quadriplegia súbita, coma e anormalidades pupilares. Neuroimagem revela hemorragia pontina. Esta localização de tronco cerebral, embora tenha prognóstico particularmente grave, ainda é codificada como 8B00.

Cenário 6: Hemorragia Intraventricular Primária Situação menos comum onde o sangramento ocorre primariamente nos ventrículos, sem hematoma parenquimatoso significativo. Este cenário também é apropriadamente codificado como 8B00, conforme a definição que inclui hemorragia no sistema ventricular.

Em todos esses cenários, critérios essenciais devem estar presentes: início agudo de sintomas neurológicos, confirmação por neuroimagem de sangramento intracerebral e ausência de trauma craniano significativo como causa primária.

4. Quando NÃO Usar Este Código

A correta aplicação do código 8B00 requer compreensão clara de quando outros códigos são mais apropriados. Existem situações específicas de exclusão:

Hemorragia Intracerebral Traumática Quando o sangramento cerebral resulta diretamente de trauma craniano, o código apropriado é 1128128276 (Hemorragia intracerebral traumática), não 8B00. Exemplos incluem hematomas resultantes de acidentes automobilísticos, quedas com impacto craniano ou agressões físicas. A distinção é crucial porque as implicações prognósticas, tratamento e contexto epidemiológico diferem significativamente.

Sequelas de Hemorragia Intracerebral Após a fase aguda, quando o paciente apresenta déficits neurológicos residuais de um evento hemorrágico prévio, o código correto é 1400960945 (Sequela de hemorragia intracerebral). Por exemplo, um paciente avaliado em consulta ambulatorial seis meses após hemorragia intracerebral, apresentando hemiparesia residual, deve receber o código de sequela, não 8B00.

Hemorragia em Outras Localizações Intracranianas O código 8B00 não deve ser usado quando o sangramento ocorre em espaços que não o parênquima cerebral ou ventrículos. Hemorragia no espaço subaracnoide (8B01), subdural (8B02) ou epidural (8B03) requer codificação específica, mesmo que possa haver algum componente de lesão cerebral associada.

Transformação Hemorrágica de Infarto Cerebral Quando um AVC isquêmico evolui com transformação hemorrágica, a codificação primária geralmente reflete a natureza isquêmica original do evento, com notação adicional da complicação hemorrágica. Esta situação difere da hemorragia intracerebral primária.

Hemorragia Associada a Procedimentos Sangramento intracerebral que ocorre como complicação de procedimentos neurocirúrgicos ou intervenções intracranianas pode requerer codificação adicional para complicações procedimentais, embora 8B00 possa ser usado como código complementar para descrever a natureza da complicação.

A diferenciação precisa entre estas condições depende de história clínica detalhada, cronologia dos eventos e correlação com achados de neuroimagem.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

A confirmação de hemorragia intracerebral requer abordagem sistemática. Primeiro, identifique o início agudo de disfunção neurológica. Sintomas típicos incluem cefaleia súbita, alteração do nível de consciência, déficits motores focais, alterações sensitivas, distúrbios visuais ou ataxia.

A neuroimagem é essencial para diagnóstico definitivo. Tomografia computadorizada de crânio sem contraste permanece o exame inicial de escolha, demonstrando sangue agudo como hiperdensidade. Ressonância magnética cerebral oferece informação adicional, especialmente para datar o sangramento e identificar etiologias subjacentes.

Avalie a história clínica cuidadosamente, documentando fatores de risco como hipertensão arterial, uso de anticoagulantes, coagulopatias, uso de substâncias ilícitas e condições vasculares cerebrais conhecidas.

Passo 2: Verificar Especificadores

Embora o código 8B00 seja o código principal, documente características importantes que podem requerer codificação adicional ou influenciar o tratamento:

  • Localização: supratentorial (lobar, gânglios da base, tálamo) ou infratentorial (cerebelar, pontina)
  • Volume do hematoma: pequeno, médio ou grande
  • Presença de extensão intraventricular: significativa para prognóstico
  • Efeito de massa: desvio de linha média, compressão ventricular
  • Etiologia subjacente: quando identificável (hipertensão, angiopatia amiloide, malformação vascular)

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

8B01: Hemorragia subaracnoide Diferença-chave: O sangramento ocorre no espaço subaracnoide, entre as membranas aracnoide e pia-máter, não no parênquima cerebral. Apresentação clínica frequentemente inclui cefaleia em "trovoada" e sinais meníngeos. Neuroimagem mostra sangue nos sulcos cerebrais e cisternas basais.

8B02: Hemorragia subdural não traumática Diferença-chave: Coleção sanguínea localiza-se entre a dura-máter e aracnoide, não no tecido cerebral. Apresentação pode ser mais insidiosa. Imagem mostra coleção crescente ou em semilua sobre a superfície cerebral.

8B03: Hemorragia epidural não traumática Diferença-chave: Sangramento entre o crânio e dura-máter, raramente não traumático. Imagem mostra coleção biconvexa ou lentiforme, limitada por suturas cranianas.

Passo 4: Documentação Necessária

Checklist de informações obrigatórias para codificação adequada:

  • Data e hora do início dos sintomas
  • Descrição detalhada da apresentação clínica
  • Escala de coma de Glasgow ou escala NIHSS
  • Resultado de neuroimagem com descrição de localização, tamanho e características do hematoma
  • Presença ou ausência de história de trauma
  • Fatores de risco relevantes e condições médicas preexistentes
  • Uso de medicações antitrombóticas ou anticoagulantes
  • Exames laboratoriais incluindo coagulação
  • Intervenções realizadas (clínicas ou cirúrgicas)

Esta documentação completa não apenas justifica a codificação, mas também fornece informações essenciais para continuidade do cuidado e análises de qualidade.

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Paciente de 72 anos é trazido ao departamento de emergência por familiares após ser encontrado com dificuldade para falar e fraqueza no lado direito do corpo. Segundo relato, estava bem pela manhã, mas ao retornar para o almoço, há aproximadamente duas horas, foi encontrado sentado no sofá, confuso, com fala arrastada e incapaz de mover o braço direito.

História médica pregressa revela hipertensão arterial em tratamento irregular, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia. Medicações incluem losartana 50mg (uso irregular), metformina 850mg e sinvastatina 20mg. Nega uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários. Não há história de trauma craniano recente.

Ao exame físico, paciente apresenta pressão arterial de 210/120 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm, temperatura de 36.8°C. Escala de coma de Glasgow: 13 (abertura ocular espontânea, resposta verbal confusa, obedece comandos). Exame neurológico revela disartria moderada, hemiparesia direita grau 2/5 em membro superior e grau 3/5 em membro inferior, reflexos aumentados à direita com sinal de Babinski presente.

Tomografia computadorizada de crânio sem contraste, realizada 30 minutos após admissão, demonstra hematoma nos gânglios da base esquerdos medindo aproximadamente 35ml, com leve extensão para o ventrículo lateral esquerdo e discreto desvio da linha média (4mm). Não há sinais de trauma craniano ou fraturas.

Exames laboratoriais mostram hemograma normal, função renal preservada, glicemia de 180mg/dl, INR de 1.1, TTPa normal. Paciente foi admitido na unidade de terapia intensiva neurológica para monitorização e tratamento clínico conservador, incluindo controle pressórico cuidadoso.

Codificação Passo a Passo

Análise dos Critérios:

  • Disfunção neurológica aguda: presente (hemiparesia, disartria, confusão)
  • Confirmação por neuroimagem: positiva (hematoma nos gânglios da base)
  • Localização: parênquima cerebral (gânglios da base) com extensão intraventricular
  • Ausência de trauma: confirmada por história e imagem
  • Etiologia provável: hemorragia hipertensiva

Código Escolhido: 8B00

Justificativa Completa: O código 8B00 (Hemorragia intracerebral) é o mais apropriado porque o paciente apresenta todos os critérios definidores: disfunção neurológica aguda com início súbito, confirmação por neuroimagem de sangramento no parênquima cerebral (gânglios da base), e ausência de trauma como causa primária. A extensão intraventricular não altera a codificação, pois está incluída na definição de 8B00. A etiologia hipertensiva é consistente com hemorragia intracerebral espontânea.

Códigos Complementares:

  • Código para hipertensão arterial (para documentar fator de risco)
  • Código para diabetes mellitus tipo 2 (comorbidade relevante)
  • Códigos adicionais podem ser incluídos para documentar complicações específicas se desenvolverem durante a internação

Este caso exemplifica a aplicação típica do código 8B00 em contexto de hemorragia hipertensiva, a causa mais comum de hemorragia intracerebral em populações adultas.

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

8B01: Hemorragia subaracnoide

Quando usar vs. 8B00: Utilize 8B01 quando o sangramento ocorre no espaço subaracnoide, entre as membranas aracnoide e pia-máter, tipicamente resultante de ruptura de aneurisma cerebral. A apresentação clínica clássica inclui cefaleia súbita de intensidade máxima ("pior cefaleia da vida"), rigidez de nuca e fotofobia.

Diferença principal: A localização anatômica do sangramento é fundamentalmente diferente. Na hemorragia subaracnoide, o sangue preenche os espaços subaracnoides e cisternas, visível na TC como hiperdensidade nos sulcos cerebrais. Na hemorragia intracerebral (8B00), o sangue está contido dentro do parênquima cerebral formando uma massa hematomatosa.

8B02: Hemorragia subdural não traumática

Quando usar vs. 8B00: Aplique 8B02 quando há coleção sanguínea no espaço subdural (entre dura-máter e aracnoide) sem causa traumática clara. Pode ocorrer espontaneamente em pacientes anticoagulados, com coagulopatias ou raramente por ruptura de malformações vasculares durais.

Diferença principal: A hemorragia subdural forma coleção em formato crescente ou semiluna sobre a superfície cerebral, não atravessando suturas cranianas. Contrasta com o hematoma intraparenquimatoso do 8B00, que tem bordas mais definidas e localiza-se dentro do tecido cerebral.

8B03: Hemorragia epidural não traumática

Quando usar vs. 8B00: Use 8B03 para sangramento entre o crânio e a dura-máter sem trauma. Esta condição é rara na forma não traumática, podendo associar-se a discrasias sanguíneas, tumores ou malformações vasculares durais.

Diferença principal: A hemorragia epidural apresenta formato biconvexa ou lentiforme na imagem, limitada por suturas cranianas, localizada entre osso e dura-máter. A hemorragia intracerebral (8B00) localiza-se profundamente no parênquima cerebral, sem relação com a superfície dural.

Diagnósticos Diferenciais

Várias condições podem mimetizar hemorragia intracerebral clinicamente:

AVC isquêmico: Apresentação clínica pode ser indistinguível, mas neuroimagem diferencia claramente. TC mostra hipodensidade (não hiperdensidade) no território vascular afetado.

Tumor cerebral com sangramento: Hemorragia em tumor pode parecer hemorragia intracerebral primária. Investigação adicional com ressonância magnética contrastada pode revelar lesão subjacente.

Encefalite ou abscesso cerebral: Lesões inflamatórias ou infecciosas podem causar déficits neurológicos agudos, mas características de imagem e contexto clínico geralmente diferenciam.

Transformação hemorrágica de infarto: Ocorre dias após AVC isquêmico, com história prévia de evento isquêmico e evolução característica na neuroimagem seriada.

8. Diferenças com CID-10

Na classificação CID-10, a hemorragia intracerebral era codificada principalmente como I61, com subdivisões baseadas em localização anatômica específica:

  • I61.0: Hemorragia intracerebral hemisférica subcortical
  • I61.1: Hemorragia intracerebral hemisférica cortical
  • I61.2: Hemorragia intracerebral não especificada
  • I61.3: Hemorragia intracerebral do tronco cerebral
  • I61.4: Hemorragia intracerebral cerebelar
  • I61.5: Hemorragia intracerebral intraventricular

A transição para CID-11 com o código 8B00 representa mudanças significativas:

Simplificação da estrutura: O código 8B00 unifica diferentes localizações sob um código principal, com possibilidade de especificação adicional através de extensões quando necessário. Isso reduz complexidade na codificação inicial.

Maior flexibilidade: A CID-11 permite adição de especificadores pós-coordenados para detalhar localização, etiologia e outras características sem necessidade de memorizar múltiplos códigos específicos.

Definição mais clara: A inclusão explícita de hemorragia no sistema ventricular na definição do 8B00 elimina ambiguidade presente na CID-10.

Separação de causas traumáticas: A CID-11 distingue mais claramente hemorragias traumáticas (com código separado) das não traumáticas, melhorando a precisão epidemiológica.

Impacto prático: Profissionais de saúde precisam adaptar-se à nova estrutura, mas a longo prazo, a codificação torna-se mais intuitiva e consistente internacionalmente. Sistemas de informação em saúde requerem atualização para mapear adequadamente códigos CID-10 legados para CID-11, garantindo continuidade em análises epidemiológicas longitudinais.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de hemorragia intracerebral?

O diagnóstico baseia-se na combinação de apresentação clínica aguda com confirmação por neuroimagem. Pacientes tipicamente apresentam início súbito de sintomas neurológicos como fraqueza, alteração de fala, diminuição do nível de consciência ou cefaleia intensa. A tomografia computadorizada de crânio sem contraste é o exame de escolha na fase aguda, mostrando sangue como área hiperdensa (branca) no parênquima cerebral. A ressonância magnética cerebral oferece informações adicionais sobre idade do sangramento, etiologia subjacente e lesões associadas, sendo particularmente útil em casos subagudos ou quando se suspeita de causas secundárias.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

Sim, o tratamento de hemorragia intracerebral está disponível em sistemas de saúde públicos na maioria dos países. O manejo inicial envolve principalmente medidas de suporte clínico: controle pressórico cuidadoso, monitorização neurológica intensiva, reversão de coagulopatia quando presente, e prevenção de complicações. Estas intervenções são geralmente acessíveis em hospitais com capacidade para atendimento neurológico agudo. Tratamento neurocirúrgico, quando indicado para casos selecionados (hematomas cerebelares grandes, hemorragias lobares com efeito de massa significativo), também está disponível em centros com neurocirurgia, embora o acesso possa variar conforme a infraestrutura local.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração do tratamento varia consideravelmente conforme a gravidade da hemorragia e evolução clínica. A fase aguda hospitalar tipicamente dura de uma a três semanas, com pacientes graves permanecendo em unidades de terapia intensiva por vários dias. Após estabilização, inicia-se reabilitação neurológica, que pode estender-se por meses. Programas de reabilitação intensiva nas primeiras semanas a meses após o evento são cruciais para recuperação funcional. O acompanhamento médico de longo prazo é essencial para controle de fatores de risco (especialmente hipertensão arterial) e prevenção de recorrências, continuando indefinidamente após o evento agudo.

Este código pode ser usado em atestados médicos?

Sim, o código 8B00 pode e deve ser usado em documentação médica oficial, incluindo atestados quando apropriado. Em atestados para afastamento do trabalho, a codificação precisa da hemorragia intracerebral justifica a incapacidade laboral durante a fase aguda e período de recuperação. Para documentação de seguros, pensões por invalidez ou outros fins legais, o código CID-11 fornece identificação padronizada internacionalmente da condição. É importante que a documentação inclua também informações sobre sequelas e limitações funcionais resultantes, que podem requerer códigos adicionais conforme a evolução clínica.

Qual a diferença entre hemorragia intracerebral e derrame?

"Derrame" é um termo popular que engloba todos os tipos de acidente vascular cerebral (AVC), incluindo tanto eventos isquêmicos (bloqueio de artéria cerebral) quanto hemorrágicos. A hemorragia intracerebral é um tipo específico de derrame hemorrágico, onde o sangramento ocorre dentro do tecido cerebral. Portanto, toda hemorragia intracerebral é um derrame, mas nem todo derrame é hemorragia intracerebral. A distinção é importante porque o tratamento difere fundamentalmente: AVCs isquêmicos podem beneficiar-se de terapias trombolíticas, enquanto hemorragias intracranianas requerem abordagem completamente diferente.

Hemorragia intracerebral pode ocorrer mais de uma vez?

Sim, existe risco de recorrência, especialmente quando fatores de risco não são adequadamente controlados. Pacientes com hipertensão arterial não controlada têm risco aumentado de novo episódio hemorrágico. Aqueles com angiopatia amiloide cerebral (mais comum em idosos) apresentam risco particularmente elevado de hemorragias recorrentes, frequentemente em localizações lobares. O controle rigoroso da pressão arterial, evitação de anticoagulantes quando possível, e modificação de outros fatores de risco são essenciais para reduzir a probabilidade de recorrência. O risco varia conforme a etiologia subjacente e adesão ao tratamento preventivo.

Quando a cirurgia é necessária para hemorragia intracerebral?

A decisão cirúrgica depende de múltiplos fatores: localização, tamanho do hematoma, efeito de massa, deterioração neurológica e condição clínica geral do paciente. Hemorragias cerebelares maiores que 3cm com compressão de tronco cerebral ou hidrocefalia geralmente requerem evacuação cirúrgica urgente. Hematomas lobares grandes com efeito de massa significativo em pacientes com deterioração neurológica podem beneficiar-se de cirurgia. Entretanto, hemorragias profundas nos gânglios da base ou tálamo geralmente são manejadas clinicamente, pois a cirurgia pode causar mais dano. A decisão é individualizada, considerando riscos e benefícios em cada caso específico, sendo tomada por equipe neurocirúrgica especializada.

Qual o prognóstico após hemorragia intracerebral?

O prognóstico varia amplamente conforme vários fatores: volume do hematoma, localização, idade do paciente, nível de consciência à admissão, presença de sangramento intraventricular e comorbidades. Hemorragias pequenas em localizações não críticas podem ter recuperação significativa, enquanto hemorragias grandes, especialmente em tronco cerebral ou com extensão intraventricular maciça, têm prognóstico reservado. A mortalidade na fase aguda permanece elevada, e muitos sobreviventes apresentam déficits neurológicos permanentes. Entretanto, reabilitação intensiva e adequada pode proporcionar recuperação funcional importante em muitos pacientes. O controle de fatores de risco após o evento é fundamental para prevenir complicações e recorrências.


Conclusão

A codificação precisa da hemorragia intracerebral utilizando o código 8B00 da CID-11 é fundamental para documentação médica adequada, pesquisa epidemiológica e planejamento de saúde pública. Compreender as nuances diagnósticas, critérios de aplicação e diferenciação de condições relacionadas garante registros médicos de qualidade que beneficiam tanto o cuidado individual do paciente quanto análises populacionais mais amplas. A transição da CID-10 para CID-11 representa avanço na padronização internacional, facilitando comparações e colaborações globais no enfrentamento desta condição neurológica devastadora.

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Hemorragia intracerebral
  2. 🔬 PubMed Research on Hemorragia intracerebral
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📊 Clinical Evidence: Hemorragia intracerebral
  5. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  6. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-04

Códigos Relacionados

Cómo Citar Este Artículo

Formato Vancouver

Administrador CID-11. Hemorragia intracerebral. IndexICD [Internet]. 2026-02-04 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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