Como Codificar Síndrome Vestibular Aguda no CID-11: Guia Completo

A síndrome vestibular aguda (SVA) representa um dos desafios diagnósticos mais importantes na prática clínica neurológica e otorrinolaringológica. Caracterizada por vertigem de início súbito, intensa e contínua, essa condição pode durar dias ou semanas e frequentemente se acompanha de náuseas, vômit

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Como Codificar Síndrome Vestibular Aguda no CID-11: Guia Completo

Introdução

A síndrome vestibular aguda (SVA) representa um dos desafios diagnósticos mais importantes na prática clínica neurológica e otorrinolaringológica. Caracterizada por vertigem de início súbito, intensa e contínua, essa condição pode durar dias ou semanas e frequentemente se acompanha de náuseas, vômitos, nistagmo e grave instabilidade postural. A SVA afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, impedindo atividades cotidianas básicas e, em casos graves, levando à incapacitação temporária. O reconhecimento preciso dessa síndrome é crucial não apenas para o tratamento adequado, mas também para identificar rapidamente causas potencialmente graves, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs) que afetam o cerebelo ou tronco encefálico.

A codificação correta da síndrome vestibular aguda no CID-11 desempenha papel fundamental em múltiplos aspectos da assistência à saúde. Do ponto de vista epidemiológico, permite o rastreamento da incidência e prevalência dessa condição, contribuindo para o planejamento de recursos em serviços de emergência e unidades especializadas. Na perspectiva administrativa, garante o reembolso apropriado pelos sistemas de saúde, considerando que pacientes com SVA frequentemente requerem atendimento emergencial, exames de imagem cerebral e, ocasionalmente, internação hospitalar para hidratação venosa e controle de sintomas. A documentação precisa também é essencial para estudos clínicos que avaliam novas abordagens terapêuticas e protocolos diagnósticos, especialmente aqueles voltados à diferenciação entre causas periféricas benignas e causas centrais potencialmente fatais.

O impacto da codificação adequada estende-se à segurança do paciente e à qualidade assistencial. A SVA apresenta-se como um espectro de condições que varia desde a neurite vestibular relativamente benigna até AVCs cerebelares que podem evoluir para deterioração neurológica e morte se não reconhecidos precocemente. Sistemas de registro bem estruturados, fundamentados em codificação precisa, permitem auditorias de qualidade, identificação de padrões de apresentação clínica e desenvolvimento de protocolos baseados em evidências. Além disso, a correta classificação facilita a comunicação entre diferentes especialidades médicas envolvidas no cuidado desses pacientes, incluindo neurologistas, otorrinolaringologistas, emergencistas e fisioterapeutas especializados em reabilitação vestibular.

Código CID-11 Correto

Código: AB30

Descrição: Síndrome vestibular aguda

Capítulo: 10 - Doenças do ouvido ou do processo mastóide

Definição oficial (CID-11):

Síndrome clínica de início agudo, vertigem contínua, tontura ou instabilidade que dura dias a semanas e geralmente inclui características sugestivas de disfunção aguda e contínua do sistema vestibular (por exemplo, vômitos, nistagmo, instabilidade postural grave). Também pode haver sintomas ou sinais sugestivos de disfunção coclear ou do sistema nervoso central. A síndrome vestibular aguda geralmente conota um evento único e monofásico, muitas vezes causado por um distúrbio único, mas pode, em vez disso, pontuar um curso de doença progressiva recorrente e remitente ou gradual. Os distúrbios que tipicamente apresentam essa síndrome incluem neurite vestibular, labirintite aguda, vestibulopatia traumática, doença desmielinizante com envolvimento vestibular e acidentes vasculares cerebrais / encefálicos que afetam as estruturas vestibulares centrais ou periféricas.

Importante: O código AB30 deve ser usado quando o paciente apresenta o quadro sindrômico agudo, independentemente da etiologia específica ainda não confirmada. As subcategorias AB30.0 (Neurite vestibular) e AB30.1 (Labirintite) devem ser utilizadas quando a etiologia específica é estabelecida.

Quando Usar Este Código

Situação 1: Paciente com vertigem rotatória aguda e nistagmo espontâneo unidirecional

Critérios:

  • Início súbito de vertigem intensa e contínua
  • Nistagmo espontâneo unidirecional visível ao exame físico
  • Náuseas e vômitos associados
  • Instabilidade à marcha com tendência a queda
  • Ausência de sinais neurológicos focais
  • Duração esperada de dias a semanas

Exemplo: "Paciente feminina de 45 anos apresenta-se ao pronto-socorro relatando vertigem rotatória de início súbito há 8 horas, com sensação intensa de que o ambiente está girando. Refere três episódios de vômitos e incapacidade de ficar em pé sem apoio. Ao exame, observa-se nistagmo horizontal espontâneo batendo para a direita, sem alterações da força ou sensibilidade. Teste de impulso cefálico (HIT) positivo à esquerda. Não há cefaleia, diplopia ou disartria. Aplicado código AB30, solicitada ressonância magnética para exclusão de AVC e iniciado tratamento sintomático."

Situação 2: Caso suspeito de neurite vestibular aguardando confirmação

Critérios:

  • Quadro clínico compatível com neurite vestibular
  • Avaliação vestibular complementar pendente
  • Necessidade de codificação para internação ou atendimento emergencial
  • Ausência de confirmação etiológica definitiva

Exemplo: "Homem de 58 anos com diabetes mellitus apresenta vertigem contínua há 24 horas, vômitos persistentes e impossibilidade de deambular. Nega trauma craniano ou infecção recente. Exame neurológico sumário sem alterações além do componente vestibular. Decisão de internar para hidratação venosa e realização de videonistagmografia nas próximas 48 horas. Codificado AB30 para processamento da internação, com previsão de especificação para AB30.0 após confirmação diagnóstica."

Situação 3: Síndrome vestibular aguda pós-traumática

Critérios:

  • História de trauma craniano ou cervical recente
  • Início de vertigem nas horas ou dias seguintes ao trauma
  • Sintomas vestibulares persistentes e incapacitantes
  • Exames de imagem excluindo lesões estruturais graves

Exemplo: "Paciente de 32 anos vítima de acidente automobilístico há 3 dias, com trauma cervical leve sem fratura. Desenvolveu vertigem intensa há 12 horas, com vômitos e nistagmo. Tomografia computadorizada de crânio sem alterações agudas. Ressonância magnética cervical mostra apenas edema de partes moles. Considerando vestibulopatia traumática, aplica-se código AB30. Programada reavaliação com otoneurologista em 1 semana para definir necessidade de reabilitação vestibular."

Situação 4: Diferenciação inicial de AVC versus causa periférica

Critérios:

  • Apresentação com síndrome vestibular aguda
  • Necessidade de exclusão urgente de AVC cerebelar ou de tronco
  • Aplicação de protocolos diagnósticos (HINTS, ABCD²)
  • Aguardando resultados de neuroimagem

Exemplo: "Mulher de 72 anos com hipertensão arterial e fibrilação atrial apresenta vertigem súbita, vômitos e ataxia de marcha há 2 horas. Ao exame, nistagmo horizontal-torsional, mas presença de dismetria à prova índex-nariz. Aplicado protocolo HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) com resultado sugestivo de causa central. Código AB30 aplicado temporariamente enquanto aguarda RM de crânio em caráter de urgência. Neurologista de plantão acionado para avaliação conjunta."

Situação 5: Labirintite aguda com sintomas auditivos associados

Critérios:

  • Vertigem aguda acompanhada de perda auditiva ou zumbido
  • Sugestão de comprometimento coclear e vestibular simultâneos
  • Quadro compatível com labirintite viral ou bacteriana
  • Aguardando audiometria e avaliação otorrinolaringológica

Exemplo: "Homem de 50 anos relata vertigem rotatória intensa iniciada há 36 horas, acompanhada de perda auditiva súbita à direita e zumbido ipsilateral. Refere quadro viral de vias aéreas superiores na semana anterior. Exame otoscópico sem sinais de otite média. Audiometria de urgência revela hipoacusia neurossensorial à direita. Codificado AB30 com suspeita de labirintite viral. Iniciada corticoterapia e programada revisão para possível especificação como AB30.1."

Situação 6: Síndrome vestibular aguda em paciente jovem

Critérios:

  • Paciente jovem sem fatores de risco cardiovascular
  • Apresentação típica de disfunção vestibular periférica
  • Investigação para causas raras (desmielinização, autoimunidade)
  • Evolução favorável com tratamento sintomático

Exemplo: "Paciente de 28 anos, previamente hígida, desenvolve vertigem intensa e contínua após episódio de infecção respiratória viral. Apresenta nistagmo espontâneo unidirecional, teste de impulso cefálico positivo, sem sinais neurológicos focais. RM de crânio normal. Líquido cefalorraquidiano sem alterações. Sorologia para herpes vírus em andamento. Aplicado código AB30 e iniciada reabilitação vestibular precoce. Boa resposta ao tratamento conservador em 5 dias de acompanhamento."

Situação 7: Síndrome vestibular em contexto de doença desmielinizante

Critérios:

  • Paciente com diagnóstico prévio ou suspeita de esclerose múltipla
  • Novo episódio de vertigem aguda e nistagmo
  • Possível surto desmielinizante com acometimento vestibular
  • Necessidade de investigação com RM e avaliação neurológica

Exemplo: "Mulher de 35 anos com diagnóstico estabelecido de esclerose múltipla apresenta novo surto caracterizado por vertigem contínua há 48 horas, nistagmo vertical e ataxia de marcha. Ressonância magnética evidencia nova lesão desmielinizante em pedúnculo cerebelar médio. Codificado AB30 como manifestação do surto. Iniciada pulsoterapia com metilprednisolona. Previsão de recuperação funcional em 2-3 semanas com fisioterapia vestibular intensiva."

Quando NÃO Usar Este Código

Situação 1: Vertigem episódica breve

Se o paciente apresenta episódios de vertigem com duração de segundos a minutos, desencadeados por mudanças de posição da cabeça, sem sintomas contínuos → use código AB31 (Síndrome vestibular episódica) ou AB31.0 (Vertigem posicional paroxística benigna)

Justificativa: A SVA caracteriza-se por vertigem CONTÍNUA durando dias a semanas, não por episódios breves recorrentes.

Situação 2: Tontura crônica inespecífica

Se sintomas de desequilíbrio ou tontura persistem por meses sem característica de disfunção vestibular aguda → use código AB32 (Síndrome vestibular crônica) ou códigos específicos de transtornos vestibulares crônicos

Justificativa: O caráter agudo e monofásico é essencial para a definição de AB30.

Situação 3: Vertigem de origem central confirmada

Se já há confirmação por neuroimagem de AVC cerebelar, hemorragia de tronco ou outra lesão estrutural central → use código específico da lesão neurológica (capítulo de doenças do sistema nervoso)

Justificativa: Embora a apresentação possa ser de SVA, a codificação deve refletir o diagnóstico etiológico estabelecido.

Situação 4: Doença de Ménière em crise

Se paciente com diagnóstico estabelecido de doença de Ménière apresenta crise vertiginosa → use código específico para doença de Ménière

Justificativa: A doença de Ménière possui código próprio e não deve ser classificada como SVA.

Situação 5: Intoxicação ou efeito adverso medicamentoso

Se vertigem é claramente secundária a intoxicação alcoólica, uso de drogas ototóxicas ou medicamentos vestibulotóxicos → use códigos de intoxicação ou efeitos adversos apropriados

Justificativa: A causa tóxica ou medicamentosa deve ser codificada primariamente.

Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliação Inicial

Confirme a presença dos elementos essenciais da síndrome vestibular aguda:

  1. Início agudo: Sintomas iniciados abruptamente, não gradualmente
  2. Vertigem contínua: Sensação rotatória ou instabilidade persistente, não episódica
  3. Duração prolongada: Expectativa de sintomas por dias a semanas
  4. Sinais vestibulares: Nistagmo espontâneo, desvio de marcha, instabilidade postural

Exemplo prático: Paciente relata que acordou com vertigem intensa há 12 horas, impossibilitado de ficar em pé sem apoio, com três episódios de vômitos. Esses elementos confirmam o caráter agudo e contínuo necessário para AB30.

Passo 2: Verificação de Critérios Diagnósticos

Realize exame físico direcionado incluindo:

  • Inspeção do nistagmo (espontâneo, provocado, posicional)
  • Teste de impulso cefálico (Head Impulse Test - HIT)
  • Avaliação da marcha e equilíbrio
  • Teste de desvio de skew (desalinhamento ocular vertical)
  • Exame neurológico geral para exclusão de sinais centrais

Exemplo prático: Ao exame, identifica-se nistagmo horizontal-rotatório batendo para a direita, HIT positivo à esquerda, marcha atáxica com desvio para esquerda. Ausência de dismetria cerebelar, disartria ou outros sinais centrais. Esses achados suportam causa periférica e uso de AB30.

Passo 3: Exclusão de Diagnósticos Diferenciais

Avalie sistematicamente causas que NÃO devem ser codificadas como AB30:

  • VPPB: Teste de Dix-Hallpike negativo, sintomas contínuos (não episódicos)
  • AVC cerebelar: Aplicar protocolo HINTS, considerar RM de urgência se fatores de risco
  • Doença de Ménière: Ausência de história prévia de crises recorrentes com perda auditiva flutuante
  • Causa tóxica: Anamnese medicamentosa negativa para ototóxicos recentes

Exemplo prático: Paciente nega episódios prévios semelhantes, não usa medicamentos ototóxicos, teste de Dix-Hallpike sem vertigem ou nistagmo posicional. RM de crânio solicitada por idade avançada e hipertensão, mas enquanto aguarda resultado, mantém-se codificação AB30.

Passo 4: Determinação do Nível de Especificidade

Decida entre AB30 genérico ou subcategorias:

  • AB30.0 (Neurite vestibular): Quando há evidência de disfunção vestibular periférica ISOLADA, sem sintomas auditivos, geralmente pós-viral
  • AB30.1 (Labirintite): Quando há comprometimento COCLEAR E VESTIBULAR simultâneos, com perda auditiva ou zumbido associados
  • AB30 (genérico): Quando a etiologia específica ainda não foi estabelecida ou quando a causa não se enquadra nas subcategorias disponíveis

Exemplo prático: Paciente com vertigem isolada, sem sintomas auditivos, precedida de infecção viral respiratória, com exame sugestivo de disfunção vestibular periférica direita e RM normal → especificar como AB30.0. Se houvesse também perda auditiva súbita → AB30.1.

Passo 5: Documentação e Registro

Documente no prontuário os seguintes elementos essenciais:

  1. Caracterização temporal: Data e hora de início dos sintomas
  2. Sintomas cardinais: Tipo de vertigem, sintomas associados (vômitos, instabilidade)
  3. Achados de exame físico: Descrição detalhada do nistagmo, resultado do HIT, marcha
  4. Exames complementares: RM, videonistagmografia, audiometria quando aplicáveis
  5. Diagnósticos diferenciais considerados: AVCs, VPPB, Ménière, causas tóxicas
  6. Justificativa da codificação: Por que AB30 é o código apropriado para este caso

Exemplo de documentação: "Paciente com quadro de síndrome vestibular aguda (CID-11: AB30) iniciado em 15/01/2026 às 06h00, caracterizado por vertigem rotatória contínua, vômitos, nistagmo horizontal espontâneo batendo à direita, HIT positivo à esquerda. RM de crânio sem sinais de AVC. Diagnóstico presumido de neurite vestibular à esquerda. Iniciada terapia sintomática e programada reavaliação em 48h para eventual especificação como AB30.0."

Exemplo Prático Completo

Caso Clínico:

José Silva, 52 anos, bancário, hipertenso controlado, apresenta-se ao pronto-socorro às 14h30 relatando que acordou às 06h00 com intensa vertigem rotatória. Descreve sensação de que "o quarto está girando continuamente", sem períodos de alívio. Teve cinco episódios de vômitos durante a manhã e é incapaz de ficar em pé ou caminhar sem apoio devido à instabilidade grave. Nega cefaleia, diplopia, disartria, fraqueza ou parestesias. Refere quadro gripal leve há 5 dias, já resolvido. Não usa medicamentos além do losartan para hipertensão. Nega trauma craniano, uso de álcool ou drogas. Nunca apresentou episódio semelhante anteriormente.

Ao exame físico, paciente alerta, orientado, mas visivelmente nauseado e desconfortável. Sinais vitais: PA 145/90 mmHg, FC 88 bpm, Tax 36,7°C. Otoscopia bilateral normal. Apresenta nistagmo horizontal espontâneo batendo para a direita, que aumenta ao olhar lateral direito e diminui ao olhar esquerdo (compatível com lei de Alexander). Teste de impulso cefálico (HIT) positivo à esquerda, com sacada de refixação evidente. Teste de desvio de skew negativo. Prova de Romberg impossível de realizar devido à instabilidade. Marcha atáxica com desvio para a esquerda. Força muscular e sensibilidade preservadas em quatro membros. Reflexos tendinosos simétricos e normais. Coordenação apendicular preservada (índex-nariz e calcanhar-joelho sem dismetria). Não apresenta disartria ou disfagia.

Codificação Passo a Passo:

  1. Análise inicial: Paciente apresenta início agudo (despertou com sintomas), vertigem contínua (não episódica), duração prolongada (8 horas até o atendimento com expectativa de persistência por dias), sintomas vestibulares clássicos (náuseas, vômitos, nistagmo, instabilidade). Todos os critérios para síndrome vestibular aguda estão presentes.

  2. Critérios avaliados:

    • Nistagmo espontâneo unidirecional: presente
    • HIT anormal: positivo (sugere disfunção vestibular periférica à esquerda)
    • Ausência de sinais centrais: confirmado (sem ataxia apendicular, disartria, ou outros sinais de tronco/cerebelo)
    • Instabilidade e ataxia de marcha: presente (compatível com disfunção vestibular aguda)
  3. Código escolhido: AB30 (Síndrome vestibular aguda)

  4. Justificativa: Quadro clássico de síndrome vestibular aguda de provável origem periférica (neurite vestibular). Embora o exame seja altamente sugestivo de neurite vestibular à esquerda, opta-se inicialmente por AB30 genérico até confirmação com exames complementares (RM de crânio para exclusão definitiva de AVC, considerando idade e hipertensão) e eventual videonistagmografia. Após confirmação diagnóstica e exclusão de causas centrais, poderá ser especificado como AB30.0.

  5. Documentação: "Paciente masculino, 52 anos, com síndrome vestibular aguda (CID-11: AB30) de início há 8 horas. Apresenta vertigem rotatória contínua, vômitos recorrentes, nistagmo horizontal espontâneo batendo à direita com padrão periférico, HIT positivo à esquerda. Exame neurológico sem sinais centrais. Fatores de risco cardiovascular (HAS) justificam RM de crânio urgente para exclusão de AVC cerebelar/tronco. Diagnóstico presuntivo: neurite vestibular à esquerda. Conduta: ondansetrona 8mg EV, dimenidrinato 50mg EV, hidratação venosa, solicitação de RM crânio em caráter de urgência (próximas 6 horas), internação em observação por 24h. Reavaliação após resultado da RM para eventual especificação do código como AB30.0 e programação de reabilitação vestibular."

Códigos Relacionados

AB30.0: Neurite vestibular

Usar quando houver confirmação de disfunção vestibular periférica isolada, sem sintomas auditivos, geralmente precedida de infecção viral. Caracteriza-se por vertigem aguda, nistagmo espontâneo, HIT positivo contralateral ao nistagmo, sem perda auditiva.

Diferenciação: AB30 é usado inicialmente quando a etiologia ainda não está clara; AB30.0 é usado após confirmação específica de neurite vestibular.

AB30.1: Labirintite

Usar quando há comprometimento simultâneo das funções coclear e vestibular, com presença de perda auditiva súbita ou zumbido além da vertigem. Pode ser de origem viral, bacteriana ou autoimune.

Diferenciação: AB30.1 diferencia-se de AB30.0 pela presença de sintomas auditivos associados.

AB31: Síndrome vestibular episódica

Condições caracterizadas por episódios recorrentes de vertigem de curta duração (segundos a horas), incluindo VPPB, enxaqueca vestibular e doença de Ménière.

Critério de diferenciação: AB31 é episódica e recorrente; AB30 é contínua e geralmente monofásica.

AB32: Síndrome vestibular crônica

Sintomas vestibulares persistindo por meses, com adaptação parcial e sintomas menos intensos que na fase aguda.

Critério de diferenciação: Duração (AB30: dias a semanas; AB32: meses a anos) e intensidade (AB30: sintomas graves e incapacitantes; AB32: sintomas mais leves e adaptativos).

8B93: Acidente vascular cerebral isquêmico

Quando neuroimagem confirma AVC envolvendo cerebelo, tronco encefálico ou estruturas vestibulares centrais.

Critério de diferenciação: AB30 é usado na apresentação inicial sindrômica; após confirmação de AVC por imagem, muda-se para código específico do AVC com localização.

Diferenças com CID-10

| Aspecto | CID-10 | CID-11 (AB30) | Mudança | |---------|--------|---------|---------| | Código | H81.2 (Neuronite vestibular), H83.0 (Labirintite) | AB30 (síndrome) + AB30.0 e AB30.1 (etiologias) | Abordagem sindrômica | | Nomenclatura | Diagnósticos etiológicos específicos | Síndrome vestibular aguda como categoria abrangente | Melhor reflete incerteza diagnóstica inicial | | Critérios | Baseados em etiologia presumida | Baseados em apresentação clínica temporal | Mais prático para uso emergencial | | Especificidade | Códigos separados para cada causa | Código sindrômico com subcategorias | Permite codificação precoce e refinamento posterior |

O CID-10 requeria definição etiológica desde o início, o que muitas vezes levava a codificação imprecisa ou prematura. O CID-11, com AB30, permite codificar a síndrome clínica aguda imediatamente e refinar para subcategorias (AB30.0 ou AB30.1) após investigação complementar. Isso é especialmente útil em contextos de urgência/emergência onde a diferenciação etiológica não é imediatamente possível.

Outra mudança importante é o reconhecimento explícito de que a SVA pode ter múltiplas etiologias, incluindo causas centrais (AVCs) e periféricas (neurite, labirintite), permitindo melhor rastreamento epidemiológico do espectro completo dessa apresentação clínica.

Perguntas Frequentes

P: Qual a diferença entre síndrome vestibular aguda e vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)?

R: A diferença fundamental está na duração e padrão temporal dos sintomas. A síndrome vestibular aguda (AB30) caracteriza-se por vertigem CONTÍNUA que persiste por dias a semanas, presente mesmo com a cabeça imóvel, acompanhada de nistagmo espontâneo. Já a VPPB (AB31.0) manifesta-se por episódios BREVES de vertigem (durando segundos a minutos), desencadeados especificamente por mudanças de posição da cabeça, sem sintomas entre os episódios. Na VPPB, o teste de Dix-Hallpike é positivo, provocando vertigem e nistagmo característico; na SVA, a vertigem e o nistagmo estão presentes independentemente do posicionamento. Além disso, pacientes com SVA geralmente apresentam náuseas e vômitos mais intensos e incapacitação funcional muito maior que aqueles com VPPB.

P: Este código pode ser usado em crianças?

R: Sim, AB30 pode ser usado em crianças, embora a síndrome vestibular aguda seja menos comum nessa faixa etária. Em crianças, as causas mais frequentes incluem labirintite pós-viral, traumatismo craniano leve e, raramente, enxaqueca vestibular ou causas desmielinizantes. A avaliação pediátrica requer atenção especial porque crianças pequenas podem ter dificuldade em verbalizar vertigem, manifestando-se com recusa a andar, ataxia súbita, ou apenas irritabilidade e vômitos. O exame do nistagmo pode ser desafiador e a colaboração para testes como o HIT pode ser limitada. Causas centrais (AVCs, tumores de fossa posterior) devem ser consideradas com maior cautela em crianças, especialmente se houver sinais neurológicos adicionais ou cefaleia intensa.

P: Como diferenciar causa periférica de central na síndrome vestibular aguda?

R: A diferenciação é crucial devido às implicações terapêuticas e prognósticas. Utilize o protocolo HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew): (1) HIT: anormal na causa periférica (sacada de refixação presente), normal na central; (2) Nistagmo: unidirecional que muda de direção com o olhar sugere causa periférica, nistagmo bidiredeional ou vertical puro sugere causa central; (3) Desvio de skew: ausente na periférica, presente na central. Achados que SEMPRE sugerem causa central incluem: ataxia apendicular grave, disartria, disfagia, diplopia, déficit sensorial ou motor em extremidades, síndrome de Horner. A presença de sintomas auditivos (perda auditiva, zumbido) sugere causa periférica. Fatores de risco cardiovascular (idade >50 anos, hipertensão, diabetes, fibrilação atrial) aumentam probabilidade de AVC. Quando há dúvida ou fatores de risco, a RM de crânio com difusão é mandatória para exclusão de AVC cerebelar ou de tronco.

P: Quando a ressonância magnética de crânio é necessária?

R: A RM está indicada em: (1) Idade >50 anos com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia, fibrilação atrial); (2) Qualquer sinal ou sintoma sugestivo de causa central (cefaleia intensa nova, ataxia apendicular, diplopia, disartria, déficits motores ou sensoriais); (3) Nistagmo com características centrais (vertical puro, bidirecional, ou que não suprime com fixação visual); (4) HIT normal em paciente com vertigem intensa contínua; (5) Desvio de skew presente; (6) Deterioração clínica nas primeiras 24-48 horas; (7) Sintomas severos despro

porcionais aos achados de exame. A RM com sequências de difusão é superior à tomografia para detectar AVCs agudos de fossa posterior, especialmente nas primeiras 24 horas. Em pacientes jovens sem fatores de risco e com apresentação clássica de causa periférica (HIT anormal, nistagmo unidirecional, sem sinais centrais), a RM pode não ser necessária imediatamente, mas deve ser considerada se não houver melhora após 48-72 horas de evolução.

P: Qual o tratamento da síndrome vestibular aguda e como isso afeta a codificação?

R: O tratamento não altera a codificação AB30, mas deve ser documentado. Na fase aguda (primeiras 24-72 horas), utilizam-se supressores vestibulares (dimenidrinato, meclizina) e antieméticos (ondansetrona, metoclopramida) para controle sintomático. Hidratação venosa pode ser necessária se vômitos impedem via oral. IMPORTANTE: supressores vestibulares devem ser descontinuados após 2-3 dias, pois retardam a compensação vestibular. Corticosteroides (prednisona 1mg/kg ou metilprednisolona) iniciados nas primeiras 72 horas podem acelerar recuperação em neurite vestibular (AB30.0), embora o benefício seja controverso. Antivirais (aciclovir, valaciclovir) não mostraram benefício consistente e não são recomendados rotineiramente. A reabilitação vestibular deve ser iniciada PRECOCEMENTE (após 48-72 horas) e é o componente mais importante do tratamento, acelerando significativamente a compensação central. Documentar o plano terapêutico completo, incluindo previsão de fisioterapia vestibular, é essencial para justificar a codificação e garantir continuidade do cuidado.

P: Pacientes com síndrome vestibular aguda precisam ser internados?

R: A decisão de internação baseia-se em: (1) Gravidade dos sintomas: vômitos incoercíveis impedindo hidratação oral, instabilidade extrema com risco de quedas; (2) Necessidade de investigação urgente: casos com suspeita de causa central necessitando RM de urgência e avaliação neurológica seriada; (3) Condições clínicas associadas: idosos com múltiplas comorbidades, pacientes em uso de anticoagulantes, diabéticos descompensados; (4) Condições sociais: pacientes que moram sozinhos ou sem suporte familiar adequado para cuidados domiciliares. A maioria dos casos de neurite vestibular periférica não complicada pode ser manejada ambulatorialmente com retorno em 24-48 horas, desde que haja suporte domiciliar e capacidade de rehidratação oral. A internação típica dura 24-72 horas para controle sintomático, hidratação, realização de exames e início de reabilitação vestibular. Documentar os critérios que justificaram internação ou alta é importante para auditoria e qualidade assistencial.

Aspectos Importantes para Profissionais

Para Médicos

  • Sempre aplicar protocolo HINTS em pacientes com síndrome vestibular aguda, especialmente se idade >50 anos ou fatores de risco cardiovascular
  • Não confiar exclusivamente em tomografia computadorizada para exclusão de AVC cerebelar; RM com difusão é o exame de escolha
  • Limitar supressores vestibulares a 2-3 dias para não retardar compensação vestibular central
  • Encaminhar precocemente para fisioterapia vestibular (após 48-72h), principal fator de recuperação funcional
  • Documentar detalhadamente achados do exame físico vestibular (tipo de nistagmo, resultado do HIT, marcha) para justificar codificação

Para Codificadores

  • AB30 é apropriado na avaliação inicial, antes da confirmação etiológica definitiva
  • Aguardar resultados de RM e avaliações especializadas antes de especificar como AB30.0 ou AB30.1
  • Se paciente tem diagnóstico confirmado de neurite vestibular em consulta de retorno, atualizar de AB30 para AB30.0
  • Não usar AB30 em casos já diagnosticados de VPPB (use AB31.0) ou doença de Ménière
  • Sempre verificar se há documentação de exclusão de causas centrais antes de codificar como AB30

Para Gestores

  • Pacientes com AB30 frequentemente necessitam RM de crânio urgente; garantir acesso facilitado a neuroimagem
  • Período de observação de 24-48 horas em ambiente hospitalar pode prevenir readmissões e complicações
  • Programas de reabilitação vestibular ambulatorial devem estar disponíveis para todos os pacientes com AB30
  • Auditar casos codificados como AB30 para verificar adequação da investigação de causas centrais (especialmente AVCs)
  • Taxa de conversão de AB30 para AB30.0/AB30.1 é indicador de qualidade diagnóstica

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). CID-11 - Classificação Internacional de Doenças, 11ª Revisão. 2024.
  • Kerber KA, Newman-Toker DE. Misdiagnosing Dizzy Patients: Common Pitfalls in Clinical Practice. Neurol Clin. 2015;33(3):565-575.
  • Tarnutzer AA, Berkowitz AL, Robinson KA, Hsieh YH, Newman-Toker DE. Does my dizzy patient have a stroke? A systematic review of bedside diagnosis in acute vestibular syndrome. CMAJ. 2011;183(9):E571-E592.
  • Strupp M, Brandt T. Vestibular neuritis. Semin Neurol. 2009;29(5):509-519.
  • Edlow JA, Gurley KL, Newman-Toker DE. A New Diagnostic Approach to the Adult Patient with Acute Dizziness. J Emerg Med. 2018;54(4):469-483.

Artigo atualizado conforme CID-11 versão 2024-01 Conteúdo técnico revisado por especialistas em codificação médica e neurootologia

Códigos Relacionados

AB30diagnósticotratamentosintomascritérioscodificaçãoCID-11OMS

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Administrador CID-11. Como Codificar Síndrome Vestibular Aguda no CID-11: Guia Completo. IndexICD [Internet]. 2026-01-31 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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