Psoríase

[EA90](/pt/code/EA90) - Psoríase: Guia Completo de Codificação CID-11 1. Introdução A psoríase representa uma das condições dermatológicas mais prevalentes e complexas na prática médica contemp

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EA90 - Psoríase: Guia Completo de Codificação CID-11

1. Introdução

A psoríase representa uma das condições dermatológicas mais prevalentes e complexas na prática médica contemporânea. Esta doença inflamatória crônica da pele afeta aproximadamente 2% da população mundial, manifestando-se através de lesões cutâneas características que impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Diferentemente de condições dermatológicas transitórias, a psoríase apresenta um curso recorrente e persistente, exigindo acompanhamento médico contínuo e estratégias terapêuticas individualizadas.

A importância clínica da psoríase transcende as manifestações cutâneas visíveis. Esta condição possui forte componente genético e está intimamente associada a comorbidades sistêmicas graves, incluindo artrite psoriática, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares e distúrbios psicológicos. Estudos demonstram que até 20% dos pacientes desenvolvem artrite psoriática, uma poliartrite inflamatória que pode causar deformidades articulares permanentes e incapacidade funcional significativa.

Do ponto de vista de saúde pública, a psoríase representa um desafio considerável. Os custos diretos relacionados ao tratamento, combinados com custos indiretos decorrentes de afastamento laboral e redução da produtividade, geram impacto econômico substancial nos sistemas de saúde globalmente. Além disso, o estigma social associado às lesões visíveis frequentemente resulta em isolamento social, depressão e ansiedade, comprometendo ainda mais o bem-estar dos pacientes.

A codificação adequada da psoríase utilizando o sistema CID-11 é fundamental para garantir documentação clínica precisa, facilitar pesquisas epidemiológicas, possibilitar análises de custo-efetividade dos tratamentos e assegurar reembolsos apropriados pelos sistemas de saúde. A transição do CID-10 para o CID-11 trouxe refinamentos importantes na classificação das dermatoses, tornando essencial que profissionais de saúde compreendam as especificidades do código EA90 e suas aplicações clínicas.

2. Código CID-11 Correto

Código: EA90

Descrição: Psoríase

Categoria pai: Dermatose papuloescamosa

Definição oficial: A psoríase é uma desordem inflamatória comum, crônica, recorrente da pele, caracterizada por uma anormalidade na queratinização e hiperproliferação epidérmica. Tem um forte componente genético e afeta cerca de 2% das populações de muitas regiões do mundo. Até 10-20% dos pacientes com psoríase também apresentam poliartrite inflamatória (artrite psoriática). Embora muitas pessoas com psoríase tenham doença limitada, tanto a psoríase quanto a artrite associada geralmente causam grande incapacidade funcional e psicossocial. As formas mais graves de psoríase estão frequentemente associadas à síndrome metabólica e, consequentemente, à redução da expectativa de vida.

O código EA90 pertence ao capítulo de doenças da pele na classificação CID-11, especificamente dentro do grupo das dermatoses papuloescamosas. Esta categoria engloba condições caracterizadas por pápulas e descamação cutânea, mas a psoríase destaca-se por suas características histopatológicas únicas, padrão de distribuição específico e evolução clínica particular. A estrutura hierárquica do CID-11 permite maior especificidade através de subcategorias que detalham os diferentes tipos clínicos de psoríase, facilitando a documentação precisa da apresentação individual de cada paciente.

3. Quando Usar Este Código

O código EA90 deve ser utilizado em situações clínicas específicas onde o diagnóstico de psoríase foi estabelecido através de critérios clínicos e, quando necessário, confirmação histopatológica. A seguir, apresentamos cenários práticos detalhados:

Cenário 1: Psoríase vulgar em placas Paciente de 35 anos apresenta lesões eritematoescamosas bem delimitadas, com escamas prateadas espessas, localizadas nos cotovelos, joelhos e região lombossacral. As lesões são simétricas, pruriginosas e persistem há mais de seis meses. O exame dermatoscópico revela vasos capilares dilatados e distribuídos uniformemente. Este é o cenário clássico que justifica o uso do código EA90, representando a forma mais comum de apresentação da doença.

Cenário 2: Psoríase gutata pós-infecciosa Adolescente desenvolve súbita erupção de pequenas lesões eritematoescamosas em formato de gota, distribuídas pelo tronco e membros, duas semanas após episódio de faringite estreptocócica. A história de infecção precedente e o padrão morfológico característico confirmam o diagnóstico de psoríase gutata, que deve ser codificada com EA90, podendo incluir especificadores adicionais para o subtipo.

Cenário 3: Psoríase do couro cabeludo Paciente relata descamação intensa e persistente do couro cabeludo, com placas eritematosas bem demarcadas que se estendem além da linha de implantação capilar. As escamas são espessas, aderentes e prateadas, diferenciando-se claramente da dermatite seborreica. O acometimento ungueal concomitante (depressões puntiformes e onicólise) reforça o diagnóstico de psoríase, justificando o código EA90.

Cenário 4: Psoríase palmoplantar Paciente apresenta hiperqueratose fissurada dolorosa nas palmas e plantas, com eritema subjacente e descamação característica. As lesões são simétricas e causam limitação funcional significativa para atividades manuais e deambulação. A biópsia cutânea confirma hiperproliferação epidérmica com microabscessos de Munro, estabelecendo definitivamente o diagnóstico de psoríase palmoplantar sob o código EA90.

Cenário 5: Psoríase invertida ou flexural Paciente com lesões eritematosas bem delimitadas, brilhantes e com mínima descamação, localizadas em áreas de dobras (axilas, região inguinal, submamária e interglútea). Apesar da apresentação atípica sem as escamas prateadas clássicas, o padrão de distribuição, cronicidade e ausência de infecção secundária confirmam psoríase invertida, apropriadamente codificada como EA90.

Cenário 6: Psoríase com acometimento ungueal isolado Paciente apresenta alterações ungueais características incluindo depressões puntiformes (pitting), onicólise, hiperqueratose subungueal e manchas em óleo sem lesões cutâneas evidentes no momento da avaliação. A história familiar positiva para psoríase e as características específicas das alterações ungueais justificam o diagnóstico de psoríase ungueal, codificada com EA90.

4. Quando NÃO Usar Este Código

É fundamental reconhecer situações onde o código EA90 não deve ser aplicado, evitando erros de codificação que comprometem registros médicos e estatísticas epidemiológicas:

Dermatite seborreica: Embora possa apresentar descamação e eritema em áreas similares (couro cabeludo, região centro-facial), a dermatite seborreica caracteriza-se por escamas amareladas e oleosas, não prateadas e secas como na psoríase. A distribuição preferencial em áreas seborreicas e a resposta a antifúngicos tópicos diferenciam esta condição, que requer código específico diferente de EA90.

Eczema numular: Apresenta lesões circulares ou ovais com descamação, mas diferencia-se da psoríase pela presença de vesiculação, exsudação e crostas, além de prurido mais intenso. A histopatologia mostra espongiose característica do eczema, ausente na psoríase.

Tinha corporis: Lesões anulares com descamação podem mimetizar psoríase, mas a presença de borda ativa com clareamento central, o exame micológico positivo e a resposta a antifúngicos confirmam infecção fúngica, não devendo ser codificada como EA90.

Pitiríase rósea: Condição autolimitada que pode iniciar com placa heráldica seguida de erupção secundária em padrão de "árvore de natal". A resolução espontânea em semanas e a distribuição característica diferenciam-na da psoríase crônica.

Líquen plano: Embora seja uma dermatose papuloescamosa, apresenta pápulas poligonais violáceas com estrias de Wickham, morfologia e evolução distintas da psoríase, requerendo código EA91.

Reações medicamentosas: Erupções psoriasiformes induzidas por medicamentos (beta-bloqueadores, lítio, antimaláricos) devem ser codificadas como reações adversas a medicamentos, não como psoríase primária.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar critérios diagnósticos

O diagnóstico de psoríase baseia-se primariamente em critérios clínicos. O examinador deve identificar lesões eritematoescamosas bem delimitadas, com escamas prateadas características que, quando removidas, revelam pontos hemorrágicos (sinal de Auspitz). A distribuição simétrica em áreas de extensão (cotovelos, joelhos), couro cabeludo e região lombossacral é típica.

A dermatoscopia auxilia identificando vasos capilares dilatados e distribuídos uniformemente sobre fundo eritematoso. Em casos atípicos ou quando há dúvida diagnóstica, a biópsia cutânea é fundamental, revelando acantose regular, alongamento das papilas dérmicas, hiperqueratose e paraqueratose, além de infiltrado inflamatório característico com neutrófilos formando microabscessos de Munro.

A avaliação deve incluir anamnese detalhada investigando história familiar, fatores desencadeantes (estresse, infecções, trauma cutâneo), medicamentos em uso e sintomas articulares. O exame físico completo deve documentar extensão do acometimento cutâneo, padrão de distribuição e alterações ungueais.

Passo 2: Verificar especificadores

Após confirmar o diagnóstico de psoríase, é essencial determinar o subtipo clínico, pois o CID-11 oferece subcategorias específicas. Os principais subtipos incluem psoríase vulgar em placas (mais comum), psoríase gutata, psoríase pustulosa, psoríase eritrodérmica e psoríase invertida.

A gravidade deve ser avaliada considerando extensão da superfície corporal acometida, impacto funcional e localização. Ferramentas como PASI (Psoriasis Area and Severity Index) e DLQI (Dermatology Life Quality Index) quantificam objetivamente gravidade e impacto na qualidade de vida, informações valiosas para documentação clínica.

A duração da doença (aguda, subaguda ou crônica) e o padrão evolutivo (estável, progressivo ou em remissão) devem ser documentados. A presença de comorbidades associadas, especialmente artrite psoriática, síndrome metabólica e distúrbios psicológicos, deve ser investigada e codificada separadamente quando presentes.

Passo 3: Diferenciar de outros códigos

EA91 - Líquen plano: Diferencia-se pela morfologia das lesões (pápulas poligonais violáceas versus placas eritematoescamosas), presença de estrias de Wickham na superfície das lesões, acometimento preferencial de mucosas e padrão histopatológico distinto com degeneração hidrópica da camada basal. O líquen plano tende a ser mais pruriginoso e apresenta fenômeno de Koebner menos pronunciado.

EA92 - Dermatoses liquenoides: Este código abrange condições que apresentam padrão liquenoide sem preencher critérios para líquen plano clássico ou psoríase. Inclui reações liquenoides a drogas e variantes atípicas. A diferenciação requer análise cuidadosa do contexto clínico, exposição medicamentosa e características histopatológicas específicas.

EA93 - Pitiríase liquenoide: Caracteriza-se por erupção papular com evolução em surtos, apresentando lesões em diferentes estágios evolutivos simultaneamente. As lesões individuais tendem a apresentar necrose central e crostas hemorrágicas, características ausentes na psoríase. A histopatologia mostra vasculite liquenoide característica, diferenciando-a claramente da psoríase.

Passo 4: Documentação necessária

A documentação adequada deve incluir:

Checklist obrigatório:

  • Descrição detalhada das lesões (morfologia, cor, textura, bordas)
  • Localização anatômica precisa e padrão de distribuição
  • Extensão do acometimento (percentual de superfície corporal)
  • Presença ou ausência de alterações ungueais
  • Sintomas associados (prurido, dor, sangramento)
  • Duração dos sintomas e padrão evolutivo
  • História familiar de psoríase ou doenças autoimunes
  • Fatores desencadeantes identificados
  • Tratamentos prévios e respostas terapêuticas
  • Comorbidades associadas
  • Impacto funcional e psicossocial
  • Resultados de biópsia cutânea quando realizada
  • Fotografias clínicas quando disponíveis
  • Escores de gravidade (PASI, BSA, DLQI)

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico:

Paciente de 42 anos, sexo masculino, consulta dermatologista relatando lesões cutâneas persistentes há oito meses. Refere que as lesões iniciaram como pequenas manchas avermelhadas nos cotovelos, que progressivamente aumentaram de tamanho e se espalharam para joelhos, região lombar e couro cabeludo. Relata descamação intensa, especialmente no couro cabeludo, e prurido moderado nas lesões. Nega febre, mal-estar ou sintomas sistêmicos.

História familiar revela que o pai apresentava "manchas na pele" semelhantes. O paciente identifica período de estresse intenso no trabalho precedendo o aparecimento das lesões. Nega uso de medicamentos regulares. Relata que tentou tratamento com hidratantes e shampoos anticaspa sem melhora significativa.

Ao exame físico dermatológico, observam-se múltiplas placas eritematoescamosas bem delimitadas, com tamanhos variando entre 2 e 8 centímetros de diâmetro. As lesões apresentam escamas prateadas espessas e aderentes. Distribuição simétrica em cotovelos bilateralmente, joelhos, região lombossacral e couro cabeludo. Ao tentar remover as escamas, evidencia-se pontos hemorrágicos (sinal de Auspitz positivo). O acometimento estimado é de aproximadamente 15% da superfície corporal.

Exame das unhas revela depressões puntiformes (pitting) em seis unhas das mãos e onicólise discreta em duas unhas dos pés. Ausência de acometimento de mucosas. Exame articular sem alterações significativas, sem sinais de artrite ativa.

Realizada dermatoscopia que demonstra vasos capilares dilatados distribuídos uniformemente sobre base eritematosa. Optado por biópsia de lesão no cotovelo esquerdo, cujo resultado histopatológico revelou: acantose regular com alongamento das papilas dérmicas, hiperqueratose com paraqueratose focal, microabscessos de Munro na camada córnea e infiltrado inflamatório linfocitário perivascular na derme superficial.

Codificação Passo a Passo:

Análise dos critérios:

  • Lesões eritematoescamosas bem delimitadas com escamas prateadas: PRESENTE
  • Distribuição simétrica em áreas típicas (cotovelos, joelhos, lombar): PRESENTE
  • Sinal de Auspitz positivo: PRESENTE
  • Alterações ungueais características: PRESENTE
  • Cronicidade (mais de 6 meses): PRESENTE
  • História familiar positiva: PRESENTE
  • Confirmação histopatológica: PRESENTE

Código escolhido: EA90 - Psoríase

Justificativa completa: O diagnóstico de psoríase é estabelecido com base na apresentação clínica característica, incluindo placas eritematoescamosas bem delimitadas com escamas prateadas em distribuição típica, sinal de Auspitz positivo e alterações ungueais compatíveis. A confirmação histopatológica demonstrou achados clássicos de psoríase, incluindo acantose regular, paraqueratose e microabscessos de Munro. A história familiar positiva e a cronicidade das lesões reforçam o diagnóstico.

Códigos complementares aplicáveis:

  • Subcategoria específica do tipo clínico (psoríase vulgar em placas)
  • Código de gravidade moderada baseado no acometimento de 15% da superfície corporal
  • Código Z para história familiar de psoríase quando relevante para documentação

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria:

EA91: Líquen plano

  • Quando usar vs. EA90: Utilize EA91 quando as lesões apresentarem pápulas poligonais violáceas com estrias de Wickham visíveis, especialmente com acometimento mucoso oral ou genital. O líquen plano apresenta prurido mais intenso e padrão histopatológico com degeneração hidrópica da camada basal.
  • Diferença principal: Morfologia das lesões (pápulas poligonais violáceas versus placas eritematoescamosas), presença de estrias de Wickham e padrão de acometimento mucoso frequente no líquen plano.

EA92: Dermatoses liquenoides

  • Quando usar vs. EA90: Aplique EA92 para condições com padrão liquenoide que não preenchem critérios para líquen plano clássico nem para psoríase, incluindo reações liquenoides medicamentosas ou variantes atípicas sem classificação específica.
  • Diferença principal: Natureza heterogênea e frequentemente reativa das dermatoses liquenoides, versus natureza primária e geneticamente determinada da psoríase.

EA93: Pitiríase liquenoide

  • Quando usar vs. EA90: Utilize EA93 quando houver erupção papular polimórfica com lesões em diferentes estágios evolutivos, presença de necrose central e crostas hemorrágicas, evolução em surtos com resolução espontânea de lesões individuais.
  • Diferença principal: Evolução em surtos com lesões polimórficas e necrose central versus placas persistentes e estáveis da psoríase; histopatologia mostrando vasculite liquenoide versus hiperproliferação epidérmica.

Diagnósticos Diferenciais:

A dermatite seborreica frequentemente confunde-se com psoríase do couro cabeludo, mas apresenta escamas amareladas oleosas em vez de prateadas secas, distribuição em áreas seborreicas e resposta a antifúngicos.

O eczema numular pode apresentar lesões circulares descamativas, mas caracteriza-se por vesiculação, exsudação e prurido mais intenso, com histopatologia mostrando espongiose.

A pitiríase rósea inicia com placa heráldica seguida de erupção secundária em "árvore de natal", sendo autolimitada em semanas, diferentemente da cronicidade da psoríase.

8. Diferenças com CID-10

No sistema CID-10, a psoríase era codificada principalmente como L40, com subdivisões para diferentes tipos clínicos (L40.0 para psoríase vulgar, L40.1 para psoríase pustulosa generalizada, L40.5 para artrite psoriática, entre outros). O código L40 permanecia relativamente amplo, com especificidade limitada para variantes clínicas menos comuns.

A transição para o CID-11 com o código EA90 trouxe refinamentos significativos na estrutura de codificação. O sistema CID-11 oferece maior granularidade através de extensões pós-coordenadas que permitem especificar localização anatômica, gravidade, padrão temporal e características específicas sem necessidade de múltiplos códigos separados. Esta abordagem modular facilita documentação mais precisa e detalhada.

Uma mudança importante refere-se à artrite psoriática, que no CID-11 possui classificação mais integrada entre os capítulos de dermatologia e reumatologia, permitindo melhor documentação da natureza sistêmica da doença. O CID-11 também incorpora explicitamente a associação com síndrome metabólica na definição oficial, refletindo compreensão contemporânea da psoríase como doença sistêmica.

O impacto prático dessas mudanças inclui melhor rastreabilidade epidemiológica, facilitação de pesquisas multicêntricas internacionais, maior precisão em análises de custo-efetividade e potencial para reembolsos mais apropriados baseados em gravidade e complexidade documentadas. Profissionais de saúde devem familiarizar-se com a estrutura do CID-11 para aproveitar plenamente suas capacidades expandidas de documentação clínica.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de psoríase? O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na identificação de lesões eritematoescamosas características com escamas prateadas, distribuição típica em áreas de extensão e couro cabeludo, e sinal de Auspitz positivo. A dermatoscopia auxilia demonstrando vasos capilares dilatados uniformemente distribuídos. Em casos atípicos ou quando há dúvida diagnóstica, a biópsia cutânea confirma o diagnóstico revelando hiperproliferação epidérmica, paraqueratose e microabscessos de Munro. A avaliação completa inclui história familiar, identificação de fatores desencadeantes e investigação de comorbidades associadas.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos? A maioria dos sistemas de saúde públicos oferece tratamentos para psoríase, embora a disponibilidade de terapias específicas varie conforme recursos locais e protocolos institucionais. Tratamentos tópicos com corticosteroides, análogos de vitamina D e queratolíticos geralmente estão amplamente disponíveis. Fototerapia com UVB de banda estreita é oferecida em centros especializados. Medicamentos sistêmicos tradicionais como metotrexato e acitretina costumam estar acessíveis. Terapias biológicas modernas podem ter disponibilidade mais restrita, frequentemente reservadas para casos graves refratários a tratamentos convencionais, mediante avaliação criteriosa e justificativa clínica.

Quanto tempo dura o tratamento? A psoríase é condição crônica sem cura definitiva, requerendo tratamento de manutenção a longo prazo. A duração do tratamento ativo inicial varia conforme gravidade e resposta terapêutica, tipicamente entre 8 e 16 semanas para alcançar controle adequado. Após obter melhora significativa, muitos pacientes necessitam terapia de manutenção contínua ou intermitente para prevenir recidivas. Alguns pacientes experimentam períodos de remissão espontânea variando de meses a anos, enquanto outros requerem tratamento ininterrupto. O acompanhamento dermatológico regular é essencial para ajustar terapias conforme evolução clínica e monitorar efeitos adversos de medicamentos.

Este código pode ser usado em atestados médicos? Sim, o código EA90 pode e deve ser utilizado em atestados médicos quando a psoríase justifica afastamento laboral ou limitações funcionais. A documentação deve especificar como a condição impacta capacidade de trabalho, particularmente em casos de psoríase palmoplantar que dificulta atividades manuais, psoríase eritrodérmica que causa debilitação sistêmica, ou durante exacerbações graves. Atestados para acompanhamento médico, realização de fototerapia ou administração de medicamentos injetáveis também devem incluir o código apropriado. A codificação precisa facilita compreensão da condição por empregadores e sistemas previdenciários.

A psoríase é contagiosa? Não, a psoríase não é absolutamente contagiosa. Trata-se de doença autoimune geneticamente determinada, onde o sistema imunológico ataca erroneamente células cutâneas saudáveis, causando hiperproliferação epidérmica. Não há transmissão por contato físico, compartilhamento de objetos pessoais ou proximidade com pessoas afetadas. Esta informação é crucial para combater estigma social frequentemente enfrentado por pacientes. Educação de familiares, colegas e público geral sobre a natureza não infecciosa da psoríase contribui significativamente para bem-estar psicossocial dos pacientes.

Quais fatores podem desencadear ou piorar a psoríase? Múltiplos fatores podem desencadear ou exacerbar psoríase em indivíduos geneticamente predispostos. Estresse emocional é gatilho comum, frequentemente precedendo surtos. Infecções, particularmente faringite estreptocócica, podem desencadear psoríase gutata especialmente em jovens. Trauma cutâneo (fenômeno de Koebner) causa aparecimento de lesões em áreas de lesão mecânica. Medicamentos como beta-bloqueadores, lítio, antimaláricos e anti-inflamatórios não esteroides podem induzir ou agravar psoríase. Consumo excessivo de álcool e tabagismo associam-se a pior controle da doença. Clima frio e seco tende a piorar sintomas, enquanto exposição solar moderada geralmente melhora lesões.

Existe relação entre psoríase e outras doenças? Sim, a psoríase associa-se significativamente a múltiplas comorbidades sistêmicas. Até 20% dos pacientes desenvolvem artrite psoriática, condição inflamatória articular potencialmente incapacitante. Há forte associação com componentes da síndrome metabólica, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia. Pacientes com psoríase apresentam risco cardiovascular aumentado, com maior incidência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Distúrbios psicológicos, especialmente depressão e ansiedade, são significativamente mais prevalentes. Doença inflamatória intestinal, particularmente doença de Crohn, também mostra associação epidemiológica. O manejo ideal requer abordagem multidisciplinar considerando essas comorbidades.

Crianças podem desenvolver psoríase? Sim, embora menos comum que em adultos, a psoríase pode manifestar-se na infância, inclusive em lactentes. A psoríase pediátrica frequentemente apresenta-se como psoríase gutata, especialmente após infecções respiratórias. O acometimento da área de fraldas (psoríase napkin) é forma característica em lactentes. Crianças podem apresentar impacto psicossocial significativo devido a estigma e bullying. O tratamento pediátrico requer considerações especiais quanto à segurança de medicamentos sistêmicos, com preferência por terapias tópicas e fototerapia quando apropriado. O acompanhamento multidisciplinar incluindo dermatologista pediátrico e apoio psicológico é fundamental para otimizar resultados e qualidade de vida.


Conclusão:

A codificação adequada da psoríase utilizando o código EA90 do CID-11 é essencial para documentação clínica precisa, pesquisa epidemiológica e gestão apropriada desta condição dermatológica complexa e prevalente. Compreender quando aplicar este código, diferenciá-lo de condições similares e documentar adequadamente características clínicas específicas permite melhor cuidado aos pacientes e contribui para avanços no conhecimento e tratamento desta doença crônica que impacta significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas globalmente.

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Psoríase
  2. 🔬 PubMed Research on Psoríase
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📊 Clinical Evidence: Psoríase
  5. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  6. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-04

Códigos Relacionados

Cómo Citar Este Artículo

Formato Vancouver

Administrador CID-11. Psoríase. IndexICD [Internet]. 2026-02-04 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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