Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso

Gastroenterite ou Colite sem Especificação de Agente Infeccioso: Guia Completo de Codificação CID-11 1. Introdução A gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso representa u

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Gastroenterite ou Colite sem Especificação de Agente Infeccioso: Guia Completo de Codificação CID-11

1. Introdução

A gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso representa uma condição clínica extremamente comum nos serviços de saúde em todo o mundo. Caracteriza-se pela inflamação do trato gastrointestinal, manifestando-se através de sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, dor abdominal e, em alguns casos, febre, quando a causa infecciosa é presumida mas não foi identificada laboratorialmente.

Esta condição possui importância clínica significativa por várias razões. Primeiro, representa uma das causas mais frequentes de atendimento em serviços de emergência e consultas médicas ambulatoriais. Segundo, mesmo sem identificação específica do agente causador, a apresentação clínica e o contexto epidemiológico frequentemente sugerem origem infecciosa, justificando tratamento e medidas de controle apropriadas.

O impacto na saúde pública é considerável. Episódios de gastroenterite afetam pessoas de todas as idades, resultando em ausências ao trabalho e escola, sobrecarga dos serviços de saúde e, em casos graves, necessidade de hospitalização por desidratação. Em populações vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e imunocomprometidos, as complicações podem ser graves.

A codificação correta desta condição é crítica por múltiplas razões. Permite o rastreamento epidemiológico adequado de surtos e tendências, facilita a alocação apropriada de recursos de saúde, garante o reembolso correto pelos serviços prestados e contribui para estatísticas de saúde pública precisas. A utilização do código 1A40 da CID-11 deve ser reservada especificamente para casos onde há evidência clínica de processo infeccioso, mas o agente específico não foi identificado ou a investigação etiológica não foi realizada.

2. Código CID-11 Correto

Código: 1A40

Descrição completa: Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso

Categoria pai: Gastroenterites ou colites de origem infecciosa

Este código pertence ao capítulo de doenças infecciosas da CID-11 e deve ser utilizado quando o quadro clínico sugere fortemente uma etiologia infecciosa, mas o agente causador específico não foi determinado. É importante compreender que este código não deve ser usado indiscriminadamente para qualquer quadro diarreico.

A classificação dentro das gastroenterites de origem infecciosa indica que deve haver fundamento clínico ou epidemiológico razoável para suspeitar de causa infecciosa. Isso pode incluir contexto de surto, exposição a alimentos ou água contaminados, viagem recente, contato com pessoas doentes ou apresentação clínica típica de infecção gastrointestinal.

O código 1A40 funciona como uma categoria residual dentro das infecções intestinais, sendo apropriado quando a investigação etiológica não foi realizada por limitações práticas, quando os testes disponíveis não identificaram o agente, ou quando a situação clínica não justifica investigação aprofundada mas o contexto sugere causa infecciosa.

3. Quando Usar Este Código

Cenário 1: Quadro Agudo com Contexto Epidemiológico Sugestivo

Paciente apresenta-se com diarreia aquosa iniciada há 24-48 horas, acompanhada de náuseas e cólicas abdominais, após participar de evento social onde outras pessoas desenvolveram sintomas semelhantes. Não foram realizados exames laboratoriais específicos para identificação de patógenos, mas o contexto epidemiológico e a apresentação clínica sugerem fortemente origem infecciosa. Neste caso, o código 1A40 é apropriado.

Cenário 2: Gastroenterite Aguda em Serviço de Emergência

Paciente atendido em serviço de urgência com quadro de diarreia, vômitos e febre de início súbito. O exame físico revela sinais de desidratação leve a moderada. A história sugere possível ingestão de alimentos contaminados. Devido à natureza aguda do atendimento e à necessidade de tratamento imediato, não se aguarda resultado de coprocultura ou outros testes específicos. O código 1A40 é adequado para este atendimento.

Cenário 3: Diarreia do Viajante

Paciente desenvolve diarreia aquosa, cólicas abdominais e mal-estar durante ou logo após viagem a região com condições sanitárias precárias. A apresentação clínica é típica de infecção gastrointestinal adquirida através de água ou alimentos contaminados. Não foram realizados testes específicos, mas o contexto clínico-epidemiológico é característico. O código 1A40 é aplicável.

Cenário 4: Surto em Instituição

Múltiplos residentes de uma instituição de longa permanência desenvolvem quadro de diarreia e vômitos em curto período. A investigação epidemiológica sugere surto de gastroenterite infecciosa, mas os testes microbiológicos não identificaram agente específico ou não foram realizados em todos os casos. Para os casos sem identificação etiológica específica, utiliza-se o código 1A40.

Cenário 5: Gastroenterite Aguda Autolimitada

Paciente com quadro de diarreia aquosa, náuseas e febre baixa, com duração de 3-5 dias, que se resolve espontaneamente. A apresentação clínica é consistente com infecção viral ou bacteriana autolimitada. Não foram realizados testes diagnósticos específicos devido à natureza benigna e autolimitada do quadro. O código 1A40 é apropriado.

Cenário 6: Colite Aguda com Sinais Inflamatórios

Paciente apresenta diarreia com muco, tenesmo e urgência evacuatória, sugerindo processo inflamatório do cólon. O exame de fezes mostra leucócitos, indicando processo inflamatório/infeccioso, mas a coprocultura e pesquisa de toxinas são negativas ou não foram realizadas. Na ausência de identificação específica do agente, mas com evidência de processo infeccioso, o código 1A40 é utilizado.

4. Quando NÃO Usar Este Código

É fundamental compreender as situações de exclusão para evitar codificação incorreta:

Diarreia neonatal não infecciosa (código 1478592418): Este código deve ser usado quando o quadro diarreico ocorre em recém-nascidos e não há evidência ou suspeita de causa infecciosa. Situações como intolerância alimentar, imaturidade intestinal ou outras causas não infecciosas em neonatos não devem ser codificadas como 1A40.

Diarreia não infecciosa (código 116759077): Quando há certeza ou forte evidência de que a diarreia não é de origem infecciosa, este código alternativo deve ser utilizado. Exemplos incluem diarreia por medicamentos, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal crônica, má absorção, ou diarreia funcional.

Gastroenterites com agente identificado: Quando o agente infeccioso é identificado através de testes laboratoriais, o código específico para aquele patógeno deve ser utilizado ao invés do 1A40. Por exemplo, se uma coprocultura identifica Salmonella, Campylobacter ou Shigella, ou se testes detectam rotavírus ou norovírus, os códigos específicos para esses agentes devem ser empregados.

Condições crônicas: O código 1A40 é destinado a quadros agudos. Diarreia crônica ou colite crônica, mesmo que inicialmente de origem infecciosa, devem ser codificadas de acordo com a condição específica identificada ou como doença crônica apropriada.

Outras causas específicas: Condições como colite isquêmica, colite actínica, enterocolite necrotizante, ou outras causas não infecciosas específicas possuem códigos próprios e não devem ser classificadas como 1A40.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

Confirme que o paciente apresenta manifestações clínicas compatíveis com gastroenterite ou colite:

  • Sintomas gastrointestinais: diarreia (aumento na frequência e diminuição na consistência das evacuações), vômitos, náuseas, dor ou cólicas abdominais
  • Sinais de processo agudo: início súbito ou subagudo, geralmente com duração inferior a 14 dias
  • Evidências sugestivas de infecção: febre, mal-estar geral, sinais de desidratação, leucócitos nas fezes
  • Contexto epidemiológico: exposição a alimentos ou água potencialmente contaminados, contato com pessoas doentes, viagem recente, surto comunitário ou institucional

A avaliação clínica deve incluir história detalhada sobre início dos sintomas, características das evacuações, sintomas associados, exposições recentes e condições médicas preexistentes. O exame físico deve avaliar estado de hidratação, sensibilidade abdominal e sinais de complicações.

Passo 2: Verificar Especificadores

Documente características importantes do quadro:

  • Gravidade: leve (mantém hidratação oral), moderada (requer hidratação venosa), grave (sinais de choque ou complicações sistêmicas)
  • Duração: aguda (menos de 14 dias), persistente (14 dias ou mais)
  • Características das evacuações: aquosa, mucosa, presença de sangue
  • Sintomas predominantes: diarreia predominante, vômitos predominantes, ou ambos igualmente presentes
  • Complicações: desidratação, distúrbios eletrolíticos, necessidade de hospitalização

Estas informações, embora não alterem o código principal 1A40, são importantes para documentação clínica completa e podem requerer códigos adicionais para complicações.

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

Infecções intestinais bacterianas: Se houver identificação laboratorial de bactéria específica (Salmonella, Shigella, Campylobacter, E. coli patogênica, etc.) através de coprocultura ou outros métodos diagnósticos, utilize o código específico para aquele agente ao invés de 1A40. A diferença-chave é a identificação microbiológica confirmada.

Intoxicações alimentares bacterianas: Quando há evidência clara de intoxicação por toxinas bacterianas pré-formadas (como toxina estafilocócica ou de Bacillus cereus), com início muito rápido após ingestão alimentar (geralmente 1-6 horas) e duração curta, utilize códigos específicos de intoxicação alimentar. A diferença-chave é o mecanismo por toxina pré-formada versus infecção ativa.

Infecções intestinais virais: Se testes específicos (PCR, imunoensaios) identificarem vírus específico como rotavírus, norovírus, adenovírus entérico ou astrovírus, utilize o código específico para aquele agente viral. A diferença-chave é novamente a identificação laboratorial confirmada do patógeno.

O código 1A40 deve ser reservado especificamente para situações onde há suspeita clínica e epidemiológica de causa infecciosa, mas o agente específico não foi identificado.

Passo 4: Documentação Necessária

Checklist de informações obrigatórias:

  • Data e hora de início dos sintomas
  • Descrição detalhada dos sintomas gastrointestinais
  • Presença ou ausência de febre
  • Avaliação do estado de hidratação
  • História de exposições relevantes (alimentos, água, contatos doentes, viagens)
  • Exames laboratoriais realizados e resultados (mesmo que negativos)
  • Justificativa para suspeita de causa infecciosa
  • Tratamento instituído
  • Evolução clínica

Como registrar adequadamente:

Documente claramente no prontuário médico: "Gastroenterite aguda de provável etiologia infecciosa, agente não especificado" ou "Colite aguda sugestiva de origem infecciosa, sem identificação etiológica específica". Inclua o contexto que fundamenta a suspeita de causa infecciosa e explique por que o agente específico não foi identificado (testes não realizados, testes negativos, ou aguardando resultados).

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Paciente de 32 anos, sexo feminino, previamente hígida, apresenta-se ao serviço de urgência com queixa de diarreia aquosa iniciada há aproximadamente 36 horas. Relata ter evacuado mais de 10 vezes nas últimas 24 horas, com fezes líquidas, sem sangue visível. Acompanha o quadro com náuseas intensas, três episódios de vômitos, cólicas abdominais difusas e sensação de febre.

Na história, a paciente menciona ter participado de um churrasco em família há três dias, onde várias pessoas consumiram os mesmos alimentos. Soube posteriormente que pelo menos outros três familiares desenvolveram sintomas semelhantes após o evento. Nega viagens recentes, uso de antibióticos ou outros medicamentos nas últimas semanas. Não possui doenças crônicas conhecidas.

Ao exame físico: paciente em regular estado geral, desidratada, mucosas ressecadas, turgor cutâneo diminuído. Temperatura axilar: 38,2°C. Pressão arterial: 100/70 mmHg. Frequência cardíaca: 98 bpm. Abdome levemente distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso difusamente à palpação superficial, sem sinais de irritação peritoneal. Restante do exame sem alterações significativas.

Exames laboratoriais solicitados: hemograma mostrando leucócitos normais (7.200/mm³), eletrólitos com discreta hiponatremia (133 mEq/L) e hipocalemia leve (3,3 mEq/L). Exame sumário de fezes: presença de leucócitos, ausência de sangue oculto, parasitológico negativo. Coprocultura foi coletada mas o resultado não estará disponível durante este atendimento.

A paciente recebeu hidratação venosa com reposição eletrolítica, antieméticos e analgésicos. Foi orientada sobre sinais de alarme e teve alta com recomendação de dieta leve, hidratação oral abundante e retorno se piora dos sintomas. Não foram prescritos antibióticos devido à apresentação clínica sugestiva de etiologia viral ou bacteriana autolimitada.

Codificação Passo a Passo

Análise dos critérios:

  1. Sintomas gastrointestinais agudos presentes: diarreia aquosa profusa, vômitos, cólicas abdominais - ✓
  2. Evidências de processo infeccioso: febre (38,2°C), leucócitos nas fezes, contexto epidemiológico (surto familiar após refeição compartilhada) - ✓
  3. Início agudo: sintomas iniciados há 36 horas - ✓
  4. Agente específico não identificado: coprocultura coletada mas resultado pendente no momento do atendimento - ✓
  5. Exclusões verificadas: não é neonatal, não há evidência de causa não infecciosa, não há identificação de patógeno específico - ✓

Código escolhido: 1A40 - Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso

Justificativa completa:

O código 1A40 é apropriado neste caso porque:

  • A apresentação clínica é característica de gastroenterite aguda infecciosa (diarreia aquosa, vômitos, febre, cólicas)
  • O contexto epidemiológico fortemente sugere origem infecciosa (surto familiar após refeição compartilhada)
  • Há evidência laboratorial de processo inflamatório intestinal (leucócitos nas fezes)
  • O agente etiológico específico não foi identificado no momento do atendimento
  • A condição não se enquadra em nenhuma das exclusões (não é neonatal, não há evidência de causa não infecciosa)
  • O quadro é agudo e autolimitado, típico de gastroenterite infecciosa

Códigos complementares aplicáveis:

  • Código para desidratação (se houver código específico na instituição)
  • Código para distúrbio eletrolítico se clinicamente significativo
  • Código E64 (exposição a fatores de risco) se relevante para vigilância epidemiológica

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

Infecções intestinais bacterianas:

Quando usar: Utilize códigos específicos de infecções bacterianas quando houver confirmação laboratorial através de coprocultura, PCR ou outros métodos diagnósticos que identifiquem bactérias específicas como Salmonella, Shigella, Campylobacter, E. coli patogênica, Yersinia, Vibrio, entre outras.

Diferença principal vs. 1A40: A diferença fundamental é a identificação microbiológica confirmada do agente bacteriano específico. Enquanto 1A40 é usado quando há suspeita clínica de infecção mas sem identificação do agente, os códigos específicos de infecções bacterianas requerem confirmação laboratorial. Clinicamente, algumas apresentações podem sugerir etiologia bacteriana (presença de sangue nas fezes, febre alta, leucócitos fecais), mas sem confirmação laboratorial, 1A40 permanece apropriado.

Intoxicações alimentares bacterianas:

Quando usar: Códigos específicos de intoxicação alimentar são apropriados quando há evidência clara de doença causada por toxinas bacterianas pré-formadas nos alimentos, tipicamente com início muito rápido (1-6 horas) após ingestão, sintomas predominantemente eméticos (no caso de toxina estafilocócica) ou diarreicos (toxina de Bacillus cereus), e resolução rápida (geralmente 12-24 horas).

Diferença principal vs. 1A40: A intoxicação alimentar bacteriana é causada por toxinas pré-formadas no alimento, não por infecção ativa do trato gastrointestinal. O início é muito mais rápido, a duração geralmente mais curta, e frequentemente há história clara de ingestão de alimento específico com início simultâneo de sintomas em múltiplas pessoas. O código 1A40 é para infecções ativas do trato gastrointestinal, com período de incubação mais longo e duração tipicamente mais prolongada.

Infecções intestinais virais:

Quando usar: Utilize códigos específicos quando houver identificação laboratorial de vírus específicos como rotavírus, norovírus, adenovírus entérico ou astrovírus através de testes como imunoensaios, PCR ou microscopia eletrônica.

Diferença principal vs. 1A40: Novamente, a diferença crucial é a identificação laboratorial específica do agente viral. Clinicamente, gastroenterites virais frequentemente apresentam diarreia aquosa profusa, vômitos proeminentes, febre baixa a moderada, e são altamente contagiosas. Entretanto, sem confirmação laboratorial do vírus específico, o código 1A40 deve ser utilizado mesmo quando a apresentação clínica sugere fortemente etiologia viral.

Diagnósticos Diferenciais

Condições que podem ser confundidas com gastroenterite infecciosa mas requerem códigos diferentes:

  • Doença inflamatória intestinal (Crohn, retocolite ulcerativa): distinguir pela cronicidade, padrão de sintomas, achados endoscópicos
  • Síndrome do intestino irritável: diarreia crônica ou recorrente sem evidência de inflamação ou infecção
  • Colite isquêmica: geralmente em pacientes idosos com fatores de risco vasculares
  • Efeitos adversos de medicamentos: história de introdução recente de medicamentos (antibióticos, anti-inflamatórios)
  • Má absorção: diarreia crônica com características específicas (esteatorreia, deficiências nutricionais)

8. Diferenças com CID-10

Na CID-10, o código equivalente mais próximo é A09 - Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível. Este código era amplamente utilizado para situações semelhantes às descritas para o código 1A40 da CID-11.

Principais mudanças na CID-11:

A CID-11 oferece maior especificidade e clareza na codificação de gastroenterites. O código 1A40 está mais claramente posicionado dentro da hierarquia de gastroenterites e colites de origem infecciosa, tornando a estrutura de codificação mais lógica e intuitiva.

A terminologia foi atualizada para "gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso", que é mais precisa do que "origem infecciosa presumível" da CID-10. Isso reflete melhor a natureza da condição: há evidência ou forte suspeita de causa infecciosa, mas o agente específico não foi identificado.

A CID-11 também fornece melhores diretrizes para diferenciação entre gastroenterites infecciosas sem especificação (1A40) e diarreias não infecciosas, com códigos de exclusão mais claramente definidos.

Impacto prático dessas mudanças:

Para profissionais de saúde, a transição requer familiarização com a nova estrutura hierárquica e terminologia. A codificação torna-se potencialmente mais precisa, melhorando a qualidade dos dados epidemiológicos. Sistemas de informação em saúde precisam ser atualizados para incorporar a nova classificação, e pode haver necessidade de mapeamento entre códigos CID-10 e CID-11 durante o período de transição.

A maior clareza na definição e nos critérios de exclusão deve reduzir ambiguidades na codificação e melhorar a consistência entre diferentes codificadores e instituições. Isso é particularmente importante para vigilância epidemiológica, pesquisa e gestão de recursos em saúde.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de gastroenterite sem especificação de agente infeccioso?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na apresentação de sintomas gastrointestinais agudos (diarreia, vômitos, dor abdominal) em contexto sugestivo de causa infecciosa. A avaliação inclui história detalhada sobre início dos sintomas, exposições recentes, contatos doentes e características das evacuações. O exame físico avalia estado de hidratação e presença de sinais de complicações. Exames complementares como hemograma, eletrólitos e exame de fezes podem ser realizados, mas frequentemente não identificam o agente específico. O diagnóstico diferencial com causas não infecciosas é fundamental.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

Sim, o tratamento para gastroenterite aguda está amplamente disponível em sistemas de saúde públicos em todo o mundo. A abordagem principal é o tratamento de suporte, incluindo reidratação oral ou venosa conforme necessário, reposição eletrolítica e controle sintomático de náuseas e dor. Soluções de reidratação oral são de baixo custo e altamente efetivas. A maioria dos casos pode ser manejada ambulatorialmente. Antibióticos geralmente não são necessários, exceto em situações específicas. O tratamento é considerado essencial e custo-efetivo, sendo priorizado nos serviços de saúde.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração do tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Gastroenterites virais típicas resolvem-se em 3-7 dias com tratamento de suporte. A reidratação intensiva geralmente é necessária apenas nos primeiros 1-3 dias. Pacientes com desidratação grave podem requerer hospitalização por 24-48 horas para hidratação venosa. A recuperação completa geralmente ocorre em 7-14 dias. É importante manter hidratação adequada durante todo o período sintomático. Casos que persistem além de 14 dias requerem reavaliação para investigação de outras causas ou complicações.

Este código pode ser usado em atestados médicos?

Sim, o código 1A40 pode e deve ser usado em atestados médicos quando apropriado. A documentação deve incluir o código CID-11 e a descrição "gastroenterite aguda" ou "gastroenterite de provável origem infecciosa". A duração do afastamento deve ser baseada na gravidade dos sintomas, tipicamente 2-5 dias para casos leves a moderados. Para fins de atestado, a especificação do agente infeccioso geralmente não é necessária. O código fornece justificativa adequada para afastamento de atividades laborais ou escolares, sendo aceito por sistemas de saúde ocupacional e instituições educacionais.

Quando é necessário realizar testes para identificar o agente específico?

Testes específicos são indicados em situações particulares: diarreia grave ou prolongada (mais de 7 dias), presença de sangue nas fezes, febre alta persistente, sinais de desidratação grave, pacientes imunocomprometidos, suspeita de surto que requer investigação epidemiológica, pacientes com comorbidades significativas, ou quando o resultado alteraria significativamente o manejo clínico. Em casos leves e autolimitados, a investigação etiológica específica geralmente não é custo-efetiva nem necessária para o manejo adequado.

Quais são as principais complicações desta condição?

A desidratação é a complicação mais comum e potencialmente grave, especialmente em crianças pequenas, idosos e pacientes com comorbidades. Distúrbios eletrolíticos (hiponatremia, hipocalemia) podem ocorrer com perdas significativas de líquidos. Em casos raros, pode haver progressão para choque hipovolêmico. Complicações menos frequentes incluem síndrome hemolítico-urêmica (associada a certos patógenos), artrite reativa pós-infecciosa, e síndrome do intestino irritável pós-infeccioso. A maioria dos pacientes recupera-se completamente sem sequelas quando adequadamente tratados.

É necessário isolamento do paciente?

Medidas de precaução são recomendadas, especialmente em ambientes institucionais. Pacientes devem evitar preparar alimentos para outras pessoas durante a doença e por pelo menos 48 horas após resolução dos sintomas. Em ambientes hospitalares ou institucionais, precauções de contato podem ser necessárias. Lavagem adequada das mãos é fundamental para prevenir transmissão. Crianças devem permanecer afastadas de creches ou escolas enquanto sintomáticas. Profissionais de saúde e manipuladores de alimentos devem ser afastados de suas atividades até resolução completa dos sintomas.

Como prevenir novos episódios?

A prevenção baseia-se em medidas de higiene: lavagem frequente e adequada das mãos, especialmente antes de manusear alimentos e após uso do banheiro; consumo de água tratada ou fervida em áreas com saneamento inadequado; cozimento completo de alimentos, especialmente carnes e ovos; refrigeração adequada de alimentos perecíveis; evitar consumo de alimentos de procedência duvidosa; lavar frutas e vegetais antes do consumo. Em viagens para áreas de risco, cuidados adicionais com água e alimentos são essenciais. Vacinação contra rotavírus está disponível para crianças em muitos países.


Palavras-chave: CID-11, código 1A40, gastroenterite aguda, colite infecciosa, diarreia infecciosa, codificação médica, classificação de doenças, gastroenterite sem especificação, infecção gastrointestinal, diarreia aguda

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso
  2. 🔬 PubMed Research on Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📋 CDC - Centers for Disease Control
  5. 📊 Clinical Evidence: Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso
  6. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  7. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-02

Codes Associés

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Format Vancouver

Administrador CID-11. Gastroenterite ou colite sem especificação de agente infeccioso. IndexICD [Internet]. 2026-02-02 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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