Anemia por deficiência de ferro

Anemia por Deficiência de Ferro: Guia Completo de Codificação CID-11 1. Introdução A anemia por deficiência de ferro representa a deficiência nutricional mais comum em todo o mundo, afetando mi

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Anemia por Deficiência de Ferro: Guia Completo de Codificação CID-11

1. Introdução

A anemia por deficiência de ferro representa a deficiência nutricional mais comum em todo o mundo, afetando milhões de pessoas de todas as idades, especialmente mulheres em idade reprodutiva, crianças e gestantes. Esta condição ocorre quando o organismo não possui ferro suficiente para produzir hemoglobina adequada, a proteína responsável pelo transporte de oxigênio nos glóbulos vermelhos. A deficiência pode se desenvolver gradualmente, iniciando com a depleção dos estoques de ferro, progredindo para eritropoiese deficiente em ferro e, finalmente, culminando em anemia manifesta.

A importância clínica desta condição transcende os sintomas imediatos de fadiga e fraqueza. A anemia por deficiência de ferro pode comprometer significativamente a qualidade de vida, reduzir a capacidade produtiva, afetar o desenvolvimento cognitivo em crianças e aumentar o risco de complicações durante a gestação. Em contextos de saúde pública, representa um desafio substancial, particularmente em regiões com recursos limitados, onde a má nutrição e parasitoses intestinais são prevalentes.

A codificação adequada desta condição no sistema CID-11 é fundamental para múltiplos propósitos: permite o rastreamento epidemiológico preciso, facilita a alocação apropriada de recursos, auxilia no planejamento de intervenções de saúde pública e garante o reembolso correto em sistemas de saúde. Profissionais de saúde devem compreender não apenas os aspectos clínicos da anemia ferropriva, mas também os critérios específicos para sua codificação correta, diferenciando-a de outras formas de anemia que requerem códigos distintos.

2. Código CID-11 Correto

Código: 3A00

Descrição: Anemia por deficiência de ferro

Categoria pai: Anemias nutricionais ou metabólicas

Definição oficial: Doença causada por sangramento crônico ou agudo, sangramento menstrual aumentado, ingestão não adequada, substâncias (na dieta ou medicamentos) interferindo com a absorção do ferro, síndromes de má absorção, inflamação, infecção e doação de sangue. Esta doença é caracterizada pela diminuição dos níveis de ferro presentes no corpo. Esta doença pode se manifestar com fadiga, palidez e tontura. A confirmação é feita pela identificação da diminuição dos níveis de ferro numa amostra de sangue.

O código 3A00 pertence ao capítulo de doenças do sangue e órgãos hematopoiéticos, especificamente dentro da categoria de anemias nutricionais ou metabólicas. Esta classificação reflete a natureza primariamente nutricional da condição, embora reconheça que múltiplos fatores possam contribuir para sua etiologia. A estrutura hierárquica da CID-11 permite maior especificidade diagnóstica quando comparada à versão anterior, facilitando a identificação precisa das diferentes causas de anemia.

Este código deve ser utilizado quando houver confirmação laboratorial de deficiência de ferro como causa primária da anemia, independentemente do mecanismo subjacente que levou à deficiência. A documentação adequada deve incluir não apenas os valores laboratoriais, mas também a investigação etiológica que identificou a causa da deficiência férrica.

3. Quando Usar Este Código

Cenário 1: Mulher com Menorragia Crônica

Uma paciente de 35 anos apresenta-se com queixas de fadiga progressiva nos últimos seis meses, associada a história de menstruações abundantes e prolongadas. O hemograma revela hemoglobina de 9,5 g/dL, volume corpuscular médio (VCM) reduzido, e os estudos de ferro demonstram ferritina baixa, ferro sérico diminuído e capacidade total de ligação do ferro aumentada. O código 3A00 é apropriado após exclusão de outras causas de sangramento.

Cenário 2: Paciente com Doença Celíaca e Má Absorção

Um adulto com diagnóstico confirmado de doença celíaca não aderente à dieta sem glúten desenvolve anemia microcítica hipocrômica. A investigação laboratorial confirma deficiência de ferro com estoques depletados. Neste caso, embora exista uma condição gastrointestinal subjacente, o código 3A00 é utilizado para a anemia, podendo ser complementado com o código da doença celíaca como condição associada.

Cenário 3: Criança com Dieta Inadequada

Uma criança de 18 meses apresenta palidez e irritabilidade. A história alimentar revela consumo excessivo de leite de vaca e baixa ingestão de alimentos ricos em ferro. O hemograma mostra anemia microcítica com ferritina sérica significativamente reduzida. O código 3A00 é aplicável, documentando a deficiência nutricional de ferro.

Cenário 4: Doador Regular de Sangue

Um doador voluntário regular de sangue, que realiza doações a cada três meses, desenvolve sintomas de fadiga e dispneia aos esforços. A avaliação laboratorial identifica anemia ferropriva com depleção dos estoques de ferro. O código 3A00 é correto, reconhecendo a doação de sangue como mecanismo causal.

Cenário 5: Paciente Pós-Cirurgia Bariátrica

Um paciente submetido a bypass gástrico há dois anos apresenta anemia progressiva. A investigação revela deficiência de ferro secundária à má absorção no intestino delgado proximal. Os parâmetros laboratoriais confirmam anemia ferropriva. O código 3A00 é apropriado, podendo ser codificado conjuntamente com o código do procedimento bariátrico como contexto.

Cenário 6: Sangramento Gastrointestinal Oculto

Um homem de 60 anos com anemia microcítica é investigado, revelando pesquisa de sangue oculto nas fezes positiva. A colonoscopia identifica pólipos colônicos sangrantes. Os estudos de ferro confirmam deficiência. O código 3A00 é utilizado para a anemia, com código adicional para os pólipos como causa subjacente.

4. Quando NÃO Usar Este Código

O código 3A00 não deve ser utilizado quando a anemia resulta de outras deficiências nutricionais específicas. Se a anemia é causada primariamente por deficiência de vitamina B12, mesmo que coexista alguma deficiência leve de ferro, o código apropriado é 3A01 (Anemia megaloblástica devido a deficiência de vitamina B12). A distinção é feita através do padrão morfológico dos glóbulos vermelhos e dos níveis séricos de vitamina B12.

Não utilize este código para anemia por deficiência de folato (3A02), que também produz anemia megaloblástica com características morfológicas distintas. A diferenciação requer dosagem específica de folato sérico e eritrocitário, além da avaliação do esfregaço sanguíneo que mostra macrócitos e neutrófilos hipersegmentados.

Evite usar 3A00 para anemias de doença crônica (anemia de inflamação), mesmo quando os níveis de ferro sérico estão baixos. Nestas situações, a ferritina geralmente está normal ou elevada devido ao sequestro de ferro pelos macrófagos, e a capacidade total de ligação do ferro está reduzida ou normal, contrastando com o padrão da verdadeira deficiência de ferro.

Não codifique como 3A00 anemias hemolíticas, aplásticas ou sideroblásticas, que possuem códigos específicos na CID-11. Estas condições têm mecanismos fisiopatológicos completamente diferentes e requerem abordagens terapêuticas distintas.

Talassemias e outras hemoglobinopatias que podem apresentar microcitose também não devem ser codificadas como 3A00, mesmo quando coexiste alguma deficiência de ferro. Nestes casos, o código primário deve refletir a hemoglobinopatia subjacente.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de anemia por deficiência de ferro requer confirmação laboratorial através de múltiplos parâmetros. Primeiramente, deve-se documentar a presença de anemia através do hemograma completo, com valores de hemoglobina abaixo dos limites de referência ajustados para idade e sexo. O volume corpuscular médio (VCM) geralmente está reduzido, caracterizando microcitose, embora nas fases iniciais possa estar normal.

Os estudos específicos de ferro são essenciais: ferritina sérica reduzida (geralmente abaixo de 30 ng/mL, embora este valor possa ser maior em contextos inflamatórios), ferro sérico diminuído, capacidade total de ligação do ferro (TIBC) aumentada e saturação de transferrina reduzida (tipicamente abaixo de 20%). A ferritina é o teste mais sensível para avaliar os estoques de ferro, mas pode estar falsamente elevada em estados inflamatórios.

O esfregaço de sangue periférico pode revelar características adicionais como hipocromia (glóbulos vermelhos pálidos), anisocitose (variação no tamanho) e poiquilocitose (variação na forma). A presença de células em alvo ou eliptócitos pode sugerir condições alternativas.

Passo 2: Verificar Especificadores

A gravidade da anemia deve ser documentada baseada nos níveis de hemoglobina: leve, moderada ou grave. Esta informação, embora não altere o código principal 3A00, é clinicamente relevante e deve constar no registro médico para guiar decisões terapêuticas.

Identifique e documente a causa subjacente da deficiência de ferro: sangramento (menstrual, gastrointestinal, urinário), má absorção (doença celíaca, cirurgia bariátrica, gastrite atrófica), aumento das necessidades (gestação, lactação, crescimento rápido), ou ingestão inadequada. Esta informação pode requerer códigos adicionais para condições associadas.

Avalie a cronicidade da condição. A anemia ferropriva geralmente se desenvolve ao longo de meses, mas pode ocorrer mais rapidamente em situações de sangramento agudo significativo. A duração dos sintomas e a progressão laboratorial devem ser documentadas.

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

3A01 - Anemia megaloblástica devido a deficiência de vitamina B12: Diferencia-se pela presença de macrocitose (VCM elevado), neutrófilos hipersegmentados no esfregaço, e níveis séricos baixos de vitamina B12. Clinicamente, pode haver manifestações neurológicas como parestesias e alterações cognitivas, ausentes na anemia ferropriva.

3A02 - Anemia por deficiência de folato: Também apresenta macrocitose e megaloblastose na medula óssea. A diferenciação requer dosagem de folato sérico e eritrocitário. Frequentemente associada a alcoolismo, má absorção ou uso de medicamentos antifolato. Não apresenta as alterações neurológicas da deficiência de B12.

3A03 - Outras anemias metabólicas ou nutricionais: Este código é utilizado para deficiências nutricionais menos comuns que causam anemia, como deficiência de cobre, proteínas ou vitamina E. A diferenciação requer investigação específica quando os testes padrão para ferro, B12 e folato não explicam a anemia.

Passo 4: Documentação Necessária

A documentação completa deve incluir: valores de hemoglobina, hematócrito e índices eritrocitários (VCM, HCM, CHCM); resultados dos estudos de ferro (ferritina, ferro sérico, TIBC, saturação de transferrina); descrição do esfregaço de sangue periférico; história clínica detalhada incluindo sintomas, duração, fatores de risco; investigação etiológica realizada (história menstrual, avaliação gastrointestinal, história dietética); e resposta ao tratamento quando aplicável.

Registre códigos adicionais para condições causais ou associadas, como úlcera péptica, menorragia, doença celíaca ou outras condições gastrointestinais. Documente medicações que possam interferir com a absorção de ferro, como inibidores de bomba de prótons ou antiácidos.

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Paciente do sexo feminino, 42 anos, professora, apresenta-se à consulta médica com queixa principal de fadiga progressiva nos últimos oito meses, inicialmente leve mas agora interferindo com suas atividades diárias. Relata dispneia aos esforços moderados, como subir escadas, e dificuldade de concentração durante o trabalho. Menciona também queda de cabelo e unhas quebradiças nos últimos meses.

Na história ginecológica, refere ciclos menstruais regulares mas com fluxo aumentado nos últimos dois anos, necessitando trocar absorventes a cada duas horas nos dias de maior fluxo, com duração de sete dias. Nega uso de dispositivo intrauterino ou anticoncepcional hormonal. Não apresenta história de sangramento gastrointestinal, melena ou hematoquézia. Nega sintomas gastrointestinais significativos. Alimentação variada, sem restrições específicas.

Ao exame físico: palidez cutâneo-mucosa evidente, frequência cardíaca de 92 bpm em repouso, pressão arterial 110/70 mmHg. Exame cardiovascular revela sopro sistólico funcional. Abdome sem alterações. Exame ginecológico sem anormalidades estruturais aparentes.

Exames laboratoriais solicitados revelam: Hemoglobina 8,2 g/dL (referência: 12-16 g/dL), Hematócrito 26%, VCM 68 fL (referência: 80-100 fL), HCM 21 pg (referência: 27-32 pg), RDW 18% (elevado), leucócitos e plaquetas normais. Estudos de ferro: Ferritina 8 ng/mL (referência: 15-150 ng/mL), Ferro sérico 25 μg/dL (referência: 60-170 μg/dL), TIBC 450 μg/dL (referência: 250-400 μg/dL), Saturação de transferrina 5,5% (referência: 20-50%).

Esfregaço de sangue periférico: microcitose acentuada, hipocromia, anisocitose, presença de células em lápis. Ausência de macrócitos ou neutrófilos hipersegmentados.

Ultrassonografia pélvica realizada demonstra mioma uterino intramural de 4 cm, sem outras alterações significativas. Pesquisa de sangue oculto nas fezes negativa.

Codificação Passo a Passo

Análise dos critérios:

  1. Anemia confirmada: hemoglobina 8,2 g/dL (moderada)
  2. Padrão microcítico hipocrômico: VCM 68 fL, HCM 21 pg
  3. Deficiência de ferro confirmada: ferritina baixa (8 ng/mL), ferro sérico baixo, TIBC elevado, saturação de transferrina muito reduzida
  4. Causa identificada: menorragia crônica secundária a mioma uterino
  5. Exclusão de outras causas: sem evidência de sangramento gastrointestinal, sem sintomas de má absorção, sem padrão megaloblástico

Código escolhido: 3A00 - Anemia por deficiência de ferro

Justificativa completa: O código 3A00 é apropriado porque todos os critérios diagnósticos estão presentes: anemia documentada laboratorialmente, padrão morfológico característico (microcitose e hipocromia), confirmação bioquímica de deficiência de ferro através de múltiplos parâmetros (ferritina, ferro sérico, TIBC e saturação de transferrina), e identificação da causa subjacente (perda sanguínea menstrual aumentada). O esfregaço de sangue periférico corrobora o diagnóstico e exclui outras etiologias como anemia megaloblástica.

Códigos complementares:

  • Código para mioma uterino (causa subjacente da menorragia)
  • Código para menorragia, se codificação separada for necessária no contexto clínico

A documentação completa permite rastreamento epidemiológico, justifica a terapia com reposição de ferro, e identifica a necessidade de tratamento definitivo do mioma para prevenir recorrência.

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

3A01: Anemia megaloblástica devido a deficiência de vitamina B12

Usar 3A01 quando: o hemograma mostra macrocitose (VCM > 100 fL), o esfregaço revela macrócitos ovais e neutrófilos hipersegmentados, e os níveis séricos de vitamina B12 estão reduzidos. Pacientes podem apresentar sintomas neurológicos como parestesias, ataxia ou alterações cognitivas.

Diferença principal: A anemia ferropriva (3A00) é microcítica com VCM reduzido, enquanto a deficiência de B12 (3A01) é macrocítica com VCM elevado. Os estudos de ferro estão alterados na 3A00 (ferritina baixa, TIBC alto), mas normais ou com ferro sérico paradoxalmente elevado na 3A01. A deficiência de B12 frequentemente associa-se a gastrite atrófica, anemia perniciosa ou má absorção intestinal.

3A02: Anemia por deficiência de folato

Usar 3A02 quando: há macrocitose significativa, megaloblastose na medula óssea, e níveis de folato sérico ou eritrocitário reduzidos. Comumente associada a alcoolismo crônico, má absorção intestinal, gestação com suplementação inadequada, ou uso de medicamentos antifolato.

Diferença principal: Semelhante à deficiência de B12, a deficiência de folato (3A02) produz anemia macrocítica, contrastando com a microcitose da anemia ferropriva (3A00). Entretanto, ao contrário da deficiência de B12, a deficiência de folato não causa manifestações neurológicas. A história clínica frequentemente revela fatores de risco específicos como alcoolismo ou dieta extremamente pobre em vegetais.

3A03: Outras anemias metabólicas ou nutricionais

Usar 3A03 quando: a anemia claramente resulta de deficiência nutricional, mas os testes para ferro, B12 e folato não explicam completamente o quadro. Inclui deficiências raras como cobre, proteínas, vitamina E ou outras vitaminas essenciais para a eritropoiese.

Diferença principal: Este código (3A03) é essencialmente de exclusão, utilizado quando as causas nutricionais comuns foram descartadas. A anemia ferropriva (3A00) tem padrão laboratorial característico e bem definido, enquanto 3A03 requer investigação mais extensa e especializada para identificar a deficiência específica.

Diagnósticos Diferenciais

Anemia de doença crônica: Pode apresentar microcitose leve e ferro sérico baixo, mas a ferritina está normal ou elevada (não baixa), e a TIBC está reduzida ou normal (não elevada). Contexto clínico de inflamação crônica, infecção ou malignidade.

Talassemia minor: Apresenta microcitose acentuada desproporcional ao grau de anemia, mas os estudos de ferro são normais. A eletroforese de hemoglobina revela padrão característico com elevação de HbA2 na beta-talassemia.

Anemia sideroblástica: Pode ter microcitose, mas o ferro sérico e a ferritina estão elevados, não reduzidos. O diagnóstico requer aspirado de medula óssea mostrando sideroblastos em anel.

8. Diferenças com CID-10

Na CID-10, a anemia por deficiência de ferro era codificada como D50, com subdivisões para especificar a causa: D50.0 (anemia por deficiência de ferro secundária a perda de sangue crônica), D50.1 (disfagia sideropênica), D50.8 (outras anemias por deficiência de ferro), e D50.9 (anemia por deficiência de ferro não especificada).

A principal mudança na CID-11 é a simplificação para um código único 3A00, com a expectativa de que a causa subjacente seja codificada separadamente quando relevante. Esta abordagem reduz a complexidade da codificação e evita confusão sobre qual subcategoria específica utilizar, problema comum na CID-10.

O impacto prático é significativo: na CID-11, o codificador não precisa decidir entre múltiplas subcategorias de anemia ferropriva, simplificando o processo. Entretanto, torna-se ainda mais importante codificar adequadamente as condições causais (como menorragia, úlcera péptica, ou má absorção) como códigos adicionais para manter a especificidade clínica.

Sistemas de informação em saúde precisam adaptar-se a esta mudança, especialmente em relatórios epidemiológicos que anteriormente estratificavam por subcategorias da CID-10. A transição requer treinamento adequado de codificadores e ajustes em sistemas eletrônicos de registro.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de anemia por deficiência de ferro?

O diagnóstico requer combinação de história clínica, exame físico e confirmação laboratorial. O hemograma completo identifica anemia (hemoglobina reduzida) e características morfológicas (microcitose, hipocromia). Os estudos de ferro são essenciais: ferritina sérica baixa é o indicador mais sensível de depleção dos estoques de ferro, enquanto ferro sérico baixo, capacidade total de ligação do ferro elevada e saturação de transferrina reduzida confirmam a deficiência funcional. O esfregaço de sangue periférico complementa a avaliação mostrando as alterações morfológicas características. A investigação deve incluir busca pela causa subjacente através de história menstrual detalhada, avaliação gastrointestinal quando indicado, e história dietética.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

Sim, o tratamento da anemia ferropriva com suplementação oral de ferro está amplamente disponível em sistemas de saúde públicos mundialmente, sendo considerado medicamento essencial pela Organização Mundial da Saúde. Formulações de sulfato ferroso, gluconato ferroso ou fumarato ferroso são opções de baixo custo e alta eficácia. Em situações específicas onde a via oral é ineficaz ou não tolerada, formulações intravenosas de ferro podem ser necessárias, embora com custo mais elevado e disponibilidade mais restrita. O acesso ao tratamento geralmente não representa barreira significativa, sendo a identificação e correção da causa subjacente frequentemente mais desafiadora.

Quanto tempo dura o tratamento?

O tratamento típico com suplementação oral de ferro estende-se por três a seis meses. A resposta inicial é evidenciada pelo aumento da contagem de reticulócitos em cinco a dez dias, seguido por elevação gradual da hemoglobina ao longo de quatro a oito semanas. Entretanto, mesmo após normalização da hemoglobina, a suplementação deve continuar por mais três a seis meses para repor completamente os estoques de ferro corporais, evidenciado pela normalização da ferritina sérica. A duração pode ser prolongada se a causa subjacente não for corrigida ou se houver má absorção. Monitoramento laboratorial periódico é recomendado para avaliar resposta e ajustar a duração do tratamento conforme necessário.

Este código pode ser usado em atestados médicos?

Sim, o código 3A00 pode e deve ser utilizado em atestados médicos quando apropriado, especialmente em situações onde a anemia causa limitação funcional significativa que justifica afastamento do trabalho ou restrições de atividades. A fadiga intensa, dispneia aos esforços e comprometimento da capacidade de concentração podem justificar afastamento temporário, particularmente em atividades laborais que exigem esforço físico significativo ou alta demanda cognitiva. A documentação deve incluir a gravidade da anemia e o impacto funcional específico. Atestados para gestantes com anemia ferropriva podem ter considerações adicionais devido aos riscos para a gestação.

A anemia ferropriva pode recorrer após tratamento?

Sim, a recorrência é comum se a causa subjacente não for adequadamente tratada. Mulheres com menorragia persistente, pacientes com sangramento gastrointestinal crônico não resolvido, ou indivíduos com má absorção contínua frequentemente desenvolvem deficiência recorrente. A prevenção requer identificação e tratamento definitivo da causa, que pode incluir tratamento hormonal ou cirúrgico para menorragia, erradicação de Helicobacter pylori em gastrite, tratamento de doença inflamatória intestinal, ou suplementação profilática em situações de risco persistente. Seguimento laboratorial periódico é recomendado em pacientes de alto risco para detecção precoce de recorrência.

Quais alimentos ajudam na prevenção e tratamento?

Alimentos ricos em ferro heme (de origem animal) incluem carnes vermelhas, fígado, aves e peixes, sendo melhor absorvidos que o ferro não-heme de origem vegetal. Fontes vegetais incluem leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), vegetais verde-escuros (espinafre, couve), cereais fortificados e sementes. A absorção de ferro não-heme é significativamente aumentada quando consumido com vitamina C (frutas cítricas, tomate, pimentão). Substâncias que inibem a absorção incluem fitatos (cereais integrais, leguminosas), taninos (chá, café), cálcio (laticínios) e devem ser evitadas nas refeições principais. Entretanto, a modificação dietética isolada raramente é suficiente para tratar anemia estabelecida, sendo a suplementação medicamentosa necessária na maioria dos casos.

Existem efeitos colaterais do tratamento com ferro?

Sim, a suplementação oral de ferro frequentemente causa efeitos gastrointestinais incluindo náuseas, constipação, desconforto abdominal e fezes escurecidas (que não representam sangramento). Estes efeitos são dose-dependentes e podem ser minimizados iniciando com doses menores e aumentando gradualmente, tomando o ferro com alimentos (embora isso reduza a absorção), ou alternando para formulações de liberação lenta. Aproximadamente 20-30% dos pacientes descontinuam o tratamento devido a intolerância. Nestes casos, doses em dias alternados podem ser igualmente eficazes com melhor tolerabilidade. Ferro intravenoso evita efeitos gastrointestinais mas pode causar reações infusionais e, raramente, reações alérgicas graves.

Gestantes necessitam tratamento diferenciado?

Sim, gestantes requerem atenção especial devido ao aumento das necessidades de ferro durante a gravidez e aos riscos associados à anemia para a mãe e o feto. A anemia ferropriva na gestação associa-se a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e complicações maternas. A suplementação profilática com ferro é recomendada para todas as gestantes, mesmo sem anemia, devido ao aumento das necessidades. Quando anemia está presente, doses terapêuticas mais elevadas são necessárias. O tratamento intravenoso pode ser considerado no segundo ou terceiro trimestre em casos de anemia grave ou intolerância oral. Monitoramento laboratorial mais frequente é recomendado durante a gestação para avaliar resposta e ajustar tratamento.


Palavras-chave: anemia ferropriva, deficiência de ferro, CID-11 3A00, anemia microcítica, ferritina baixa, tratamento anemia, codificação médica, diagnóstico anemia

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Anemia por deficiência de ferro
  2. 🔬 PubMed Research on Anemia por deficiência de ferro
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📊 Clinical Evidence: Anemia por deficiência de ferro
  5. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  6. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-03

Codes Associés

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Format Vancouver

Administrador CID-11. Anemia por deficiência de ferro. IndexICD [Internet]. 2026-02-03 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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