Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual

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HA40 - Considerações Etiológicas sobre Disfunções Sexuais e Transtornos Dolorosos Associados à Relação Sexual

1. Introdução

As disfunções sexuais e os transtornos dolorosos associados à relação sexual representam um conjunto complexo de condições que afetam significativamente a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo. O código HA40 da CID-11 desempenha um papel fundamental na classificação médica ao abordar especificamente as considerações etiológicas - ou seja, as causas subjacentes - dessas condições, permitindo aos profissionais de saúde documentar adequadamente os fatores causais identificados.

Este código não descreve a disfunção sexual ou o transtorno doloroso em si, mas sim os fatores etiológicos que contribuem para seu desenvolvimento ou manutenção. Essa distinção é crucial para o entendimento adequado da classificação CID-11, que adota uma abordagem mais sofisticada e multidimensional em relação à sua predecessora.

A importância clínica deste código reside na capacidade de documentar sistematicamente as causas identificadas das disfunções sexuais, sejam elas de natureza biológica, psicológica, relacional ou sociocultural. Esta abordagem etiológica permite um planejamento terapêutico mais direcionado e eficaz, além de facilitar pesquisas epidemiológicas sobre os fatores de risco associados a essas condições.

A prevalência das disfunções sexuais é considerável na população geral, afetando pessoas de todas as idades, gêneros e orientações sexuais. A codificação correta dos fatores etiológicos é crítica para o desenvolvimento de políticas de saúde pública adequadas, alocação apropriada de recursos, pesquisa clínica significativa e, fundamentalmente, para garantir que os pacientes recebam tratamento direcionado às causas reais de suas dificuldades sexuais.

2. Código CID-11 Correto

Código: HA40

Descrição: Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual

Categoria pai: 17 - Condições relacionadas à saúde sexual

Este código pertence ao sistema de classificação CID-11 e representa uma inovação significativa na forma como as condições de saúde sexual são documentadas. Diferentemente de códigos que descrevem síndromes ou diagnósticos específicos, o HA40 é utilizado como um código suplementar ou complementar que especifica a etiologia conhecida ou presumida de uma disfunção sexual ou transtorno doloroso previamente codificado.

O código HA40 funciona em conjunto com outros códigos da categoria de saúde sexual, permitindo uma documentação mais completa e clinicamente relevante. Ele reconhece que as disfunções sexuais raramente têm uma única causa, mas frequentemente resultam de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos, relacionais e socioculturais.

A estrutura hierárquica da CID-11 posiciona este código dentro das condições relacionadas à saúde sexual, refletindo o reconhecimento contemporâneo de que a saúde sexual é um componente integral da saúde geral e do bem-estar, não apenas a ausência de doença ou disfunção.

3. Quando Usar Este Código

O código HA40 deve ser utilizado em situações clínicas específicas onde há necessidade de documentar os fatores etiológicos identificados que contribuem para uma disfunção sexual ou transtorno doloroso. Aqui estão cenários práticos detalhados:

Cenário 1: Disfunção Erétil com Causa Vascular Identificada Um paciente de 58 anos apresenta dificuldade persistente em obter e manter ereções adequadas. Após investigação clínica completa incluindo ultrassonografia doppler peniana, identifica-se insuficiência vascular arterial como causa primária. Neste caso, codifica-se a disfunção erétil com seu código específico e utiliza-se HA40 para documentar a etiologia vascular, possivelmente com código adicional especificando a condição vascular subjacente.

Cenário 2: Transtorno do Desejo Sexual com Etiologia Medicamentosa Uma paciente de 42 anos desenvolve diminuição significativa do desejo sexual após iniciar tratamento com antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. A relação temporal clara e a ausência de outros fatores contribuintes estabelecem a medicação como fator etiológico. O código HA40 documenta esta relação causal específica, complementando o código da disfunção do desejo.

Cenário 3: Dispareunia com Causa Ginecológica Diagnosticada Uma mulher de 35 anos relata dor persistente durante a penetração vaginal. A investigação revela endometriose moderada a grave com envolvimento do fórnice vaginal posterior. O código HA40 é utilizado para documentar a endometriose como fator etiológico do transtorno doloroso, permitindo tratamento direcionado à condição subjacente.

Cenário 4: Disfunção Orgásmica com Fatores Psicológicos Identificados Um paciente masculino de 28 anos apresenta dificuldade crônica em atingir o orgasmo durante a atividade sexual com parceiros, mas não durante a masturbação. Avaliação psicológica revela ansiedade de desempenho significativa relacionada a experiências traumáticas prévias. O HA40 documenta os fatores psicológicos específicos como etiologia.

Cenário 5: Disfunção Sexual Secundária a Condição Neurológica Uma paciente de 45 anos com esclerose múltipla desenvolve anestesia genital e dificuldade de lubrificação. A avaliação neurológica confirma envolvimento dos nervos sacrais. O código HA40 documenta a etiologia neurológica específica, vinculando a disfunção sexual à condição neurológica de base.

Cenário 6: Vaginismo com Etiologia Relacionada a Trauma Uma mulher de 30 anos apresenta contração involuntária persistente dos músculos do assoalho pélvico que impede a penetração vaginal. História detalhada revela abuso sexual na adolescência. Quando há clara relação entre o trauma e o desenvolvimento do vaginismo, o HA40 documenta esta conexão etiológica importante para o planejamento terapêutico.

4. Quando NÃO Usar Este Código

É fundamental compreender as situações em que o código HA40 não deve ser aplicado para evitar erros de classificação:

Não usar quando a etiologia é desconhecida ou não investigada: Se um paciente apresenta disfunção sexual mas não foi realizada investigação adequada para identificar fatores causais, ou se a causa permanece indeterminada após investigação, o HA40 não deve ser utilizado. Nestes casos, apenas o código da disfunção específica é apropriado.

Não usar como código primário isolado: O HA40 nunca deve ser utilizado sozinho como único código diagnóstico. Ele é sempre suplementar a um código que descreve a disfunção sexual ou transtorno doloroso específico. Usar HA40 isoladamente não fornece informação clínica suficiente sobre a condição do paciente.

Não usar para variações normais da função sexual: Flutuações normais no desejo, excitação ou resposta orgásmica que não causam sofrimento significativo ou prejuízo funcional não constituem disfunções que requeiram codificação. O HA40 aplica-se apenas quando há uma disfunção clinicamente significativa diagnosticada.

Não usar para dificuldades sexuais situacionais temporárias: Problemas sexuais transitórios relacionados a estressores situacionais específicos que se resolvem rapidamente não necessitam de codificação formal. O HA40 é reservado para condições persistentes onde a etiologia foi claramente estabelecida.

Não confundir com códigos de condições médicas gerais: Se um paciente tem diabetes ou doença cardiovascular que pode potencialmente afetar a função sexual, mas não apresenta disfunção sexual manifesta, não se codifica HA40. O código só é apropriado quando há tanto a disfunção quanto a identificação clara da relação causal.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

Antes de considerar o uso do código HA40, é essencial confirmar que existe uma disfunção sexual ou transtorno doloroso clinicamente significativo. Isso requer:

Avaliação clínica abrangente: Realizar história sexual detalhada, incluindo início, duração, contexto e fatores agravantes ou atenuantes dos sintomas. A disfunção deve estar presente por pelo menos vários meses (tipicamente três a seis meses, dependendo da condição específica) e causar sofrimento significativo ao indivíduo.

Instrumentos de avaliação: Utilizar questionários validados quando apropriado, como o Índice Internacional de Função Erétil para homens, o Índice de Função Sexual Feminina, ou escalas específicas para dor sexual. Estes instrumentos auxiliam na quantificação objetiva dos sintomas e na monitorização da resposta ao tratamento.

Exame físico direcionado: Realizar exame físico apropriado à queixa, que pode incluir exame genital, avaliação neurológica, avaliação vascular ou exame ginecológico/urológico conforme indicado clinicamente.

Passo 2: Verificar Especificadores

Após confirmar a presença de disfunção sexual, investigar sistematicamente possíveis fatores etiológicos:

Investigação de fatores biológicos: Solicitar exames laboratoriais pertinentes (perfil hormonal, glicemia, perfil lipídico), estudos de imagem quando indicados, e avaliações especializadas conforme necessário. Revisar medicações em uso que possam afetar a função sexual.

Avaliação de fatores psicológicos: Investigar presença de transtornos mentais comórbidos (depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático), história de trauma, crenças e atitudes sexuais, e fatores de desenvolvimento relevantes.

Consideração de fatores relacionais: Avaliar qualidade do relacionamento, comunicação sexual, disparidades no desejo entre parceiros, e dinâmicas relacionais que possam contribuir para a disfunção.

Fatores socioculturais: Considerar influências culturais, religiosas e sociais que possam afetar a função sexual, incluindo atitudes culturais em relação à sexualidade e normas de gênero.

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

Disfunções sexuais: Os códigos específicos de disfunções sexuais descrevem o tipo de disfunção (desejo, excitação, orgasmo, dor), enquanto o HA40 documenta os fatores causais. Ambos são frequentemente usados em conjunto - o código da disfunção específica como diagnóstico principal e o HA40 como código suplementar etiológico.

Transtornos dolorosos associados à relação sexual: Similarmente, códigos específicos para dispareunia, vaginismo ou dor penetrativa descrevem a natureza do transtorno doloroso, enquanto o HA40 especifica a causa identificada. A diferenciação está na função do código: descritivo versus etiológico.

Incongruência de gênero: Esta é uma condição distinta relacionada à identidade de gênero, não à função sexual per se. Embora pessoas com incongruência de gênero possam experimentar disfunções sexuais, a incongruência em si não é codificada com HA40. Se houver disfunção sexual comórbida, ela seria codificada separadamente com seu código específico.

Passo 4: Documentação Necessária

Checklist de informações obrigatórias:

  • Descrição clara da disfunção sexual ou transtorno doloroso presente
  • Duração e curso dos sintomas (início, progressão, variabilidade)
  • Impacto funcional e sofrimento associado
  • Fatores etiológicos identificados através de investigação clínica
  • Evidências que sustentam a relação causal (temporalidade, plausibilidade biológica, exclusão de outras causas)
  • Tratamentos prévios e respostas
  • Comorbidades relevantes

Como registrar adequadamente: O prontuário médico deve conter narrativa clara explicando o raciocínio diagnóstico e a conexão entre os fatores etiológicos identificados e a disfunção sexual. Documentar especificamente os achados de exames, avaliações e investigações que estabelecem a etiologia. Registrar tanto o código da disfunção específica quanto o HA40, com notas explicativas sobre a relação causal.

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Apresentação Inicial: Paciente masculino de 52 anos procura atendimento queixando-se de dificuldade progressiva para obter e manter ereções nos últimos 18 meses. Relata que inicialmente as ereções eram menos firmes, mas gradualmente se tornaram insuficientes para penetração vaginal. O problema ocorre em todas as tentativas de atividade sexual com sua parceira, mas também nota ereções matinais menos frequentes e menos rígidas. Nega dificuldades no desejo sexual ou no relacionamento conjugal. Refere sentir-se frustrado e preocupado com a situação.

Avaliação Realizada: História médica revela diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 há 8 anos, atualmente em uso de metformina e glibenclamida, com controle glicêmico subótimo (HbA1c de 8,2%). Também apresenta hipertensão arterial controlada com enalapril. Nega tabagismo atual (parou há 3 anos após fumar por 25 anos). Nega uso de álcool em excesso ou drogas ilícitas.

Exame físico mostra pulsos periféricos presentes mas diminuídos, pressão arterial de 138/86 mmHg, IMC de 29 kg/m². Exame genital sem anormalidades estruturais. Sensibilidade peniana preservada.

Exames laboratoriais: glicemia de jejum 156 mg/dL, HbA1c 8,2%, perfil lipídico com colesterol total 240 mg/dL, LDL 155 mg/dL, HDL 38 mg/dL, triglicerídeos 235 mg/dL. Testosterona total matinal 420 ng/dL (normal), prolactina normal, TSH normal.

Ultrassonografia doppler peniana com teste de ereção farmacologicamente induzida demonstra resposta vascular arterial diminuída bilateralmente, sugerindo insuficiência arterial. Ausência de fuga venosa significativa.

Avaliação psicológica através de entrevista e questionários não revela depressão ou ansiedade clinicamente significativas. Relacionamento conjugal descrito como estável e satisfatório.

Raciocínio Diagnóstico: O quadro clínico apresenta características típicas de disfunção erétil de etiologia predominantemente vascular. Vários fatores sustentam esta conclusão: início gradual e progressivo, ocorrência em todas as situações (não situacional), diminuição também das ereções noturnas/matinais, presença de múltiplos fatores de risco vasculares (diabetes, hipertensão, dislipidemia, ex-tabagismo), achados objetivos no doppler peniano demonstrando insuficiência arterial.

A diabetes mellitus mal controlada é conhecida por causar tanto microangiopatia quanto macroangiopatia, afetando a vasculatura peniana. A dislipidemia e a hipertensão contribuem adicionalmente para doença vascular. O histórico de tabagismo também representa fator de risco vascular cumulativo.

A ausência de fatores psicológicos ou relacionais significativos, a preservação do desejo sexual, e os achados vasculares objetivos estabelecem a etiologia vascular como causa primária da disfunção erétil.

Justificativa da Codificação: Este caso requer codificação múltipla para capturar adequadamente a complexidade clínica:

Codificação Passo a Passo

Código Principal: Código específico para disfunção erétil (dentro da categoria de disfunções sexuais da CID-11)

Código Suplementar: HA40 - Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual

Justificativa Completa: O código HA40 é apropriado porque foram identificados e documentados fatores etiológicos específicos (vasculares) através de investigação clínica objetiva. A insuficiência vascular arterial peniana foi demonstrada por exame doppler, e múltiplos fatores de risco vasculares estão presentes e documentados.

Códigos Complementares Aplicáveis:

  • Diabetes mellitus tipo 2
  • Hipertensão arterial essencial
  • Dislipidemia mista
  • História pessoal de tabagismo

Estes códigos adicionais fornecem contexto completo sobre as condições médicas subjacentes que contribuem para a etiologia vascular da disfunção erétil. A codificação múltipla permite compreensão abrangente da situação clínica e facilita planejamento terapêutico direcionado não apenas aos sintomas, mas também às causas subjacentes.

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

Disfunções Sexuais: Os códigos específicos de disfunções sexuais descrevem o tipo e características da disfunção (por exemplo, transtorno do desejo sexual hipoativo, disfunção erétil, transtorno do orgasmo feminino). Estes códigos são descritivos e fenomenológicos, focando nos sintomas e na apresentação clínica.

Quando usar versus HA40: Use os códigos específicos de disfunção sexual como códigos primários para descrever a natureza da disfunção. Use o HA40 adicionalmente quando fatores etiológicos específicos foram identificados através de investigação clínica. Frequentemente, ambos são usados em conjunto - o código da disfunção específica descreve "o quê" e o HA40 documenta "por quê".

Diferença principal: Os códigos de disfunções sexuais são diagnósticos primários descritivos; o HA40 é um código etiológico suplementar.

Transtornos Dolorosos Associados à Relação Sexual: Códigos específicos para dispareunia, vaginismo, transtorno de dor genito-pélvica/penetração descrevem a natureza e localização da dor sexual.

Quando usar versus HA40: Use códigos de transtornos dolorosos como diagnóstico primário quando dor é a queixa principal. Adicione HA40 quando causas específicas (ginecológicas, dermatológicas, neurológicas, psicológicas) foram identificadas.

Diferença principal: Códigos de dor sexual descrevem o sintoma; HA40 documenta a causa identificada.

Incongruência de Gênero: Esta categoria aborda a experiência de incongruência entre o gênero vivenciado e o gênero atribuído ao nascimento.

Quando usar versus HA40: Incongruência de gênero e disfunções sexuais são condições distintas que podem coexistir mas não são causalmente relacionadas por definição. Uma pessoa com incongruência de gênero que também apresenta disfunção sexual receberia códigos separados para cada condição. O HA40 não é usado para codificar incongruência de gênero como causa de disfunção sexual, pois são dimensões diferentes da saúde sexual.

Diferença principal: Incongruência de gênero relaciona-se à identidade de gênero; disfunções sexuais e HA40 relacionam-se à função sexual.

Diagnósticos Diferenciais

Dificuldades sexuais situacionais versus disfunções persistentes: Problemas sexuais temporários relacionados a estressores específicos (luto, perda de emprego, conflito relacional agudo) que se resolvem com a situação não constituem disfunções que requerem codificação. Disfunções codificáveis são persistentes (meses) e causam sofrimento significativo.

Efeitos esperados do envelhecimento versus disfunção: Mudanças graduais na resposta sexual com o envelhecimento (tempo maior para excitação, necessidade de estimulação mais direta) que não causam sofrimento não são disfunções. A codificação requer que os sintomas causem preocupação ou prejuízo significativo.

Assintomático com fatores de risco versus disfunção manifesta: Presença de condições médicas que podem afetar a função sexual (diabetes, uso de antidepressivos) sem disfunção sexual manifesta não justifica codificação de disfunção ou HA40.

8. Diferenças com CID-10

A CID-10 tinha uma abordagem menos sofisticada para disfunções sexuais, com códigos como F52 (Disfunção sexual não causada por transtorno ou doença orgânica) e outros códigos para condições específicas. A principal limitação era a dicotomia artificial entre causas "orgânicas" e "não-orgânicas", refletindo uma compreensão ultrapassada da etiologia das disfunções sexuais.

Principais mudanças na CID-11:

A CID-11 abandona a distinção orgânico/não-orgânico, reconhecendo que a maioria das disfunções sexuais tem etiologia multifatorial. O código HA40 permite documentação de múltiplos fatores etiológicos simultaneamente, sem forçar uma classificação binária artificial.

A estrutura da CID-11 é mais flexível, permitindo codificação de disfunções sexuais baseada em apresentação clínica, com códigos etiológicos suplementares quando apropriado. Isso reflete melhor o conhecimento científico contemporâneo sobre a natureza biopsicossocial da função sexual.

Outra mudança significativa é a remoção de linguagem estigmatizante e a adoção de terminologia mais neutra e clinicamente precisa. A CID-11 também inclui considerações sobre orientação sexual e identidade de gênero de forma mais inclusiva e apropriada.

Impacto prático dessas mudanças:

Para clínicos, a CID-11 permite documentação mais precisa e clinicamente relevante. A capacidade de codificar múltiplos fatores etiológicos facilita planejamento terapêutico abrangente. Para pesquisadores, a nova estrutura permite estudos epidemiológicos mais sofisticados sobre fatores de risco e etiologia. Para sistemas de saúde, a codificação mais precisa pode melhorar alocação de recursos e desenvolvimento de programas de tratamento apropriados.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de disfunções sexuais que justifica o uso do HA40?

O diagnóstico requer avaliação clínica abrangente incluindo história sexual detalhada, revisão de sistemas, história médica e psiquiátrica completa, e exame físico direcionado. Investigações complementares são guiadas pela apresentação clínica e podem incluir exames laboratoriais (perfil hormonal, glicemia, lipídios), estudos vasculares (doppler), avaliações neurológicas, exames ginecológicos ou urológicos especializados, e avaliação psicológica formal quando indicada. O HA40 especificamente é usado quando esta investigação identifica fatores etiológicos específicos.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

A disponibilidade de tratamento para disfunções sexuais varia consideravelmente entre diferentes sistemas de saúde e regiões geográficas. Muitos sistemas de saúde públicos oferecem algum nível de atendimento para disfunções sexuais, particularmente quando há causas médicas identificáveis. No entanto, o acesso a especialistas em medicina sexual, terapia sexual especializada, e certos tratamentos pode ser limitado em alguns contextos. É importante que pacientes investiguem os recursos disponíveis em seus sistemas de saúde locais.

Quanto tempo dura o tratamento de disfunções sexuais?

A duração do tratamento depende fundamentalmente da etiologia identificada e documentada pelo HA40. Disfunções com causas médicas tratáveis (deficiências hormonais, efeitos medicamentosos reversíveis) podem resolver-se relativamente rápido com tratamento apropriado. Disfunções com etiologia vascular ou neurológica podem requerer manejo a longo prazo. Quando fatores psicológicos são predominantes, terapia sexual ou psicoterapia tipicamente dura vários meses. Abordagens multidisciplinares para etiologias complexas podem necessitar tratamento prolongado e contínuo.

Este código pode ser usado em atestados médicos?

O código HA40 pode ser incluído em documentação médica, mas considerações de privacidade são importantes. Atestados médicos geralmente não requerem especificação diagnóstica detalhada, sendo suficiente indicar que o paciente necessita afastamento por razões médicas. Quando especificação é necessária, a decisão de incluir códigos relacionados à saúde sexual deve considerar o contexto, a necessidade de confidencialidade do paciente, e regulamentações locais sobre privacidade médica. Sempre discuta com o paciente o nível de detalhe apropriado para diferentes contextos.

Disfunções sexuais sempre têm uma causa identificável?

Não necessariamente. Apesar de investigação abrangente, em alguns casos a etiologia permanece indeterminada ou multifatorial de forma complexa. O HA40 é usado especificamente quando fatores etiológicos foram identificados. Quando a causa permanece desconhecida após investigação apropriada, apenas o código da disfunção específica é utilizado, sem o HA40. Isso não diminui a validade do diagnóstico ou a necessidade de tratamento.

Múltiplos fatores etiológicos podem ser codificados simultaneamente?

Sim, e isso é frequentemente apropriado. Disfunções sexuais comumente têm etiologia multifatorial. Por exemplo, um paciente pode ter disfunção erétil com contribuições de insuficiência vascular, diabetes, e ansiedade de desempenho. Neste caso, o HA40 seria usado junto com códigos para cada fator contribuinte identificado. Esta abordagem de codificação múltipla reflete mais precisamente a realidade clínica e facilita tratamento abrangente direcionado a todos os fatores relevantes.

Disfunções sexuais relacionadas a medicamentos sempre melhoram com suspensão do medicamento?

Não necessariamente. Embora muitas disfunções sexuais medicamentosas sejam reversíveis com ajuste ou suspensão da medicação causadora, alguns casos podem persistir mesmo após descontinuação. Isso pode ocorrer se a disfunção desencadeou fatores psicológicos secundários (ansiedade de desempenho) ou se houve adaptação neurobiológica. Além disso, a suspensão do medicamento nem sempre é possível ou segura, particularmente com medicações psiquiátricas ou cardiovasculares essenciais. Decisões sobre manejo medicamentoso devem sempre equilibrar benefícios e riscos.

Pessoas jovens podem ter disfunções sexuais que justifiquem codificação com HA40?

Absolutamente. Embora algumas disfunções sexuais sejam mais comuns com o envelhecimento, pessoas de todas as idades podem experimentar dificuldades sexuais clinicamente significativas. Em indivíduos mais jovens, fatores psicológicos, relacionais, medicamentosos, ou condições médicas específicas (endometriose, vulvodínia, condições neurológicas) podem causar disfunções que requerem avaliação e tratamento. O HA40 é aplicável independentemente da idade quando fatores etiológicos são identificados.


Conclusão:

O código HA40 representa um avanço importante na classificação das condições de saúde sexual, permitindo documentação precisa dos fatores etiológicos que contribuem para disfunções sexuais e transtornos dolorosos. Sua utilização apropriada requer compreensão clara de que se trata de um código suplementar etiológico, não um diagnóstico primário, e que deve ser usado em conjunto com códigos que descrevem a disfunção específica presente. A abordagem multidimensional da CID-11 reflete o conhecimento contemporâneo sobre a natureza biopsicossocial da função sexual e facilita cuidado clínico mais efetivo e personalizado.

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual
  2. 🔬 PubMed Research on Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📊 Clinical Evidence: Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual
  5. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  6. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-04

Codes Associés

Comment Citer Cet Article

Format Vancouver

Administrador CID-11. Considerações etiológicas sobre disfunções sexuais e transtornos dolorosos associados à relação sexual. IndexICD [Internet]. 2026-02-04 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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