Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa

[GA30](/pt/code/GA30) - Menopausa ou Alguns Transtornos Especificados da Perimenopausa: Guia Completo de Codificação 1. Introdução A menopausa e a perimenopausa representam uma transição fisiol

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GA30 - Menopausa ou Alguns Transtornos Especificados da Perimenopausa: Guia Completo de Codificação

1. Introdução

A menopausa e a perimenopausa representam uma transição fisiológica natural na vida reprodutiva feminina, caracterizada pela cessação progressiva da função ovariana. No entanto, quando essa transição é acompanhada por alterações patológicas significativas que comprometem a qualidade de vida ou a saúde da mulher, entramos no território dos transtornos da menopausa e perimenopausa, codificados como GA30 na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).

Este código abrange uma gama de condições que vão além das manifestações fisiológicas esperadas, incluindo sintomas vasomotores severos, alterações urogenitais significativas, distúrbios do sono relacionados, e outras manifestações patológicas que requerem intervenção médica. A importância clínica deste código reside no reconhecimento de que nem todas as mulheres experimentam essa transição da mesma forma, e algumas desenvolvem sintomas que exigem tratamento especializado.

A codificação adequada desses transtornos é crítica por várias razões. Primeiro, permite o rastreamento epidemiológico preciso dessas condições, facilitando pesquisas sobre prevalência e eficácia de tratamentos. Segundo, garante o acesso apropriado a recursos terapêuticos e reembolso adequado em sistemas de saúde públicos e privados. Terceiro, diferencia condições patológicas que necessitam intervenção médica das manifestações fisiológicas normais, evitando tanto a subvalorização quanto a medicalização excessiva dessa fase da vida.

A transição menopáusica afeta milhões de mulheres globalmente a cada ano, e uma proporção significativa desenvolve sintomas que se enquadram nos critérios para GA30. A documentação correta não apenas beneficia a paciente individual, mas também contribui para uma compreensão mais ampla dessas condições e para o desenvolvimento de melhores estratégias de manejo.

2. Código CID-11 Correto

Código: GA30

Descrição: Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa

Categoria pai: Doenças do sistema genital da mulher

Definição oficial: Qualquer transtorno que afeta mulheres caracterizado por alterações patológicas durante os períodos da menopausa e da perimenopausa.

Este código foi desenvolvido para capturar especificamente as manifestações patológicas associadas à transição menopáusica. É importante compreender que GA30 não se aplica à menopausa fisiológica normal, mas sim a situações onde há sintomas ou complicações que requerem atenção médica específica. O código reconhece que a transição hormonal pode desencadear ou exacerbar diversas condições que impactam significativamente a saúde e o bem-estar.

A estrutura do código GA30 na CID-11 reflete uma abordagem mais refinada em comparação com classificações anteriores, permitindo maior precisão na documentação clínica. Este código serve como categoria guarda-chuva para diversos transtornos específicos relacionados à menopausa, cada um com suas próprias características e requisitos de tratamento. A codificação adequada requer compreensão clara dos critérios diagnósticos e das distinções entre manifestações fisiológicas esperadas e alterações patológicas que justificam intervenção médica.

3. Quando Usar Este Código

O código GA30 deve ser utilizado em cenários clínicos específicos onde há evidência clara de alterações patológicas relacionadas à menopausa ou perimenopausa. A seguir, apresentamos situações práticas detalhadas:

Cenário 1: Sintomas Vasomotores Severos e Incapacitantes Quando uma mulher na faixa etária perimenopáusica apresenta fogachos e sudorese noturna de intensidade tal que interferem significativamente com suas atividades diárias, sono e qualidade de vida. Por exemplo, uma paciente de 48 anos com episódios de fogachos que ocorrem múltiplas vezes ao dia, causando constrangimento profissional, despertares noturnos frequentes e necessidade de trocar roupas de cama, com impacto documentado na função ocupacional e social.

Cenário 2: Síndrome Geniturinária da Menopausa Mulheres que desenvolvem atrofia vulvovaginal significativa com sintomas como secura vaginal severa, dispareunia que impede atividade sexual, sintomas urinários recorrentes (urgência, frequência, infecções urinárias de repetição) diretamente relacionados ao hipoestrogenismo. Este cenário requer que os sintomas sejam suficientemente graves para justificar tratamento médico específico.

Cenário 3: Distúrbios do Sono Relacionados à Transição Menopáusica Insônia persistente ou fragmentação significativa do sono diretamente atribuível aos sintomas menopáusicos, quando outros distúrbios primários do sono foram excluídos. Por exemplo, uma paciente com despertares noturnos frequentes associados a sudorese, resultando em fadiga diurna significativa, comprometimento cognitivo e necessidade de intervenção terapêutica.

Cenário 4: Alterações de Humor Clinicamente Significativas Quando há desenvolvimento ou exacerbação de sintomas depressivos ou ansiosos claramente temporalmente relacionados à perimenopausa, sem história prévia de transtorno de humor ou com padrão distinto de episódios anteriores. A paciente apresenta labilidade emocional, irritabilidade ou sintomas depressivos que impactam funcionamento e requerem tratamento específico.

Cenário 5: Sangramento Uterino Anormal Perimenopáusico Padrões de sangramento irregular durante a perimenopausa que são suficientemente problemáticos para requerer investigação e manejo médico, incluindo menorragia, metrorragia ou sangramento prolongado que causa anemia ou impacto significativo na qualidade de vida.

Cenário 6: Manifestações Sistêmicas Múltiplas Combinação de vários sintomas menopáusicos (vasomotores, urogenitais, psicológicos, musculoesqueléticos) que coletivamente criam um quadro de sofrimento significativo e necessidade de abordagem terapêutica multifacetada. A presença de múltiplos sintomas moderados a graves que, em conjunto, justificam intervenção médica especializada.

4. Quando NÃO Usar Este Código

É fundamental reconhecer situações onde GA30 não é apropriado, evitando codificação incorreta:

Menopausa Fisiológica Normal: A simples presença de menopausa ou perimenopausa sem sintomas patológicos não justifica o uso de GA30. Mulheres que experimentam transição menopáusica com sintomas leves ou ausentes, que não requerem intervenção médica, não devem ser codificadas com este diagnóstico. A menopausa como evento fisiológico natural requer códigos diferentes.

Transtornos Psiquiátricos Primários: Quando sintomas de humor ou ansiedade são melhor explicados por transtornos psiquiátricos primários que coincidem temporalmente com a menopausa, mas não são causalmente relacionados à transição hormonal, códigos psiquiátricos específicos são mais apropriados. A distinção requer avaliação cuidadosa da história clínica e padrão sintomático.

Condições Ginecológicas Estruturais: Patologias como miomas uterinos, pólipos endometriais, hiperplasia endometrial ou malignidades que causam sangramento durante a perimenopausa devem ser codificadas com seus códigos específicos, não com GA30, mesmo que ocorram durante este período.

Disfunções Sexuais Não Relacionadas: Problemas sexuais que precedem a menopausa ou que são claramente relacionados a outros fatores (relacionamento, condições médicas não relacionadas, medicamentos) não devem ser atribuídos à menopausa apenas por coincidência temporal.

Osteoporose Pós-Menopáusica: Embora a deficiência estrogênica contribua para perda óssea, a osteoporose estabelecida tem seus próprios códigos específicos e não deve ser codificada como GA30.

Condições Cardiovasculares: Alterações cardiovasculares que podem ocorrer após a menopausa (hipertensão, dislipidemia) requerem seus próprios códigos específicos, mesmo que o risco seja influenciado pela transição menopáusica.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

A confirmação do diagnóstico requer documentação clara de que a paciente está na fase de transição menopáusica (perimenopausa) ou já atingiu a menopausa. Isso inclui:

Avaliação da História Menstrual: Documentar padrão menstrual atual, incluindo irregularidades, alterações na frequência e duração dos ciclos. A perimenopausa tipicamente manifesta-se com ciclos irregulares, variações no fluxo menstrual e intervalos imprevisíveis entre menstruações.

Confirmação da Idade e Contexto: A maioria das mulheres experimenta menopausa natural entre 45 e 55 anos. Idades fora desta faixa requerem investigação adicional para causas secundárias.

Avaliação Hormonal (quando indicada): Embora não seja necessária para todas as pacientes, a dosagem de hormônio folículo-estimulante (FSH) e estradiol pode auxiliar em casos duvidosos, especialmente em mulheres mais jovens ou quando há necessidade de confirmação objetiva.

Documentação de Sintomas Patológicos: Registrar detalhadamente a natureza, frequência, intensidade e impacto dos sintomas. Utilizar escalas validadas quando disponível para quantificar sintomas vasomotores, qualidade de vida e impacto funcional.

Exclusão de Outras Causas: Investigar e excluir outras condições médicas que podem mimetizar sintomas menopáusicos, incluindo disfunção tireoidiana, diabetes, condições cardiovasculares e transtornos psiquiátricos primários.

Passo 2: Verificar Especificadores

Determinar a gravidade e características específicas dos sintomas:

Gravidade: Avaliar se os sintomas são leves, moderados ou graves baseado no impacto funcional. Sintomas graves interferem significativamente com atividades diárias, trabalho, relacionamentos ou sono.

Duração: Documentar há quanto tempo os sintomas estão presentes e se são persistentes ou intermitentes. Sintomas que persistem por semanas a meses geralmente justificam intervenção.

Características Específicas: Identificar qual manifestação predomina - vasomotora, urogenital, psicológica, ou combinação. Isso orienta tanto a codificação quanto o tratamento.

Resposta a Tratamentos Prévios: Documentar tentativas terapêuticas anteriores e suas respostas, o que pode influenciar a gravidade percebida e necessidade de intervenções mais específicas.

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

Transtornos inflamatórios do trato genital da mulher: Estas condições envolvem processos inflamatórios ou infecciosos agudos ou crônicos (vaginites, cervicites, doença inflamatória pélvica), caracterizados por dor, secreção anormal, febre ou outros sinais inflamatórios. A diferença-chave é que GA30 refere-se a alterações relacionadas à deficiência estrogênica e transição hormonal, não a processos inflamatórios ou infecciosos primários.

GA10 - Endometriose: Condição caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, causando dor pélvica, dismenorreia e potencial infertilidade. A diferença-chave é que endometriose é uma condição estrutural específica com achados característicos em exames de imagem ou laparoscopia, enquanto GA30 engloba sintomas funcionais relacionados à transição menopáusica sem alterações estruturais específicas.

GA11 - Adenomiose: Presença de glândulas e estroma endometrial dentro do miométrio, causando menorragia e dismenorreia. A diferença-chave é que adenomiose é diagnosticada por achados específicos em ultrassonografia ou ressonância magnética, representando alteração estrutural do útero, enquanto GA30 refere-se a sintomas funcionais da transição menopáusica.

Passo 4: Documentação Necessária

Checklist de Informações Obrigatórias:

  • Data da última menstruação ou padrão menstrual atual detalhado
  • Idade da paciente e contexto de transição menopáusica
  • Descrição detalhada dos sintomas principais e sua gravidade
  • Impacto funcional documentado (trabalho, sono, atividades diárias, qualidade de vida)
  • Resultados de exames complementares relevantes (hormônios, quando realizados)
  • Exclusão de diagnósticos diferenciais importantes
  • Comorbidades relevantes que podem influenciar apresentação ou tratamento
  • Tratamentos prévios tentados e suas respostas
  • Justificativa clara de por que os sintomas são considerados patológicos e não fisiológicos

Registro Adequado: A documentação deve ser suficientemente detalhada para justificar a necessidade de intervenção médica e diferenciar claramente de transição menopáusica fisiológica normal.

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Paciente de 49 anos, professora, procura atendimento médico relatando sintomas progressivos nos últimos oito meses. Refere que seus ciclos menstruais, previamente regulares a cada 28-30 dias, tornaram-se irregulares, com intervalos variando entre 21 e 45 dias. O fluxo menstrual também se tornou imprevisível, alternando entre muito leve e intenso.

Queixa principal: episódios de calor intenso e súbito que ocorrem 12-15 vezes ao dia, acompanhados de rubor facial e sudorese profusa. Estes episódios duram 3-5 minutos cada e são particularmente problemáticos durante suas aulas, causando constrangimento e necessidade de interromper suas atividades. À noite, acorda 4-5 vezes com sudorese intensa, necessitando trocar o pijama e, ocasionalmente, a roupa de cama.

Sintomas adicionais incluem secura vaginal significativa que causa desconforto e dispareunia, levando à evitação de atividade sexual. Relata também irritabilidade aumentada, dificuldade de concentração e fadiga diurna intensa relacionada à fragmentação do sono.

História médica pregressa: sem condições crônicas significativas. Não utiliza medicamentos regulares. Nega cirurgias ginecológicas prévias. História familiar de menopausa aos 50 anos (mãe).

Exame físico: sinais vitais normais, exame ginecológico revela atrofia vulvovaginal leve a moderada com mucosa vaginal pálida e diminuição da elasticidade. Exames laboratoriais: FSH elevado (45 UI/L), estradiol baixo (25 pg/mL), função tireoidiana normal, hemograma sem anemia.

Codificação Passo a Passo

Análise dos Critérios:

  1. Confirmação de transição menopáusica: Paciente de 49 anos com irregularidade menstrual característica, FSH elevado e estradiol baixo, consistente com perimenopausa.

  2. Presença de sintomas patológicos: Sintomas vasomotores severos (12-15 fogachos diários) com impacto funcional significativo (interferência no trabalho, fragmentação do sono).

  3. Síndrome geniturinária: Atrofia vulvovaginal documentada ao exame com sintomas de secura e dispareunia.

  4. Impacto na qualidade de vida: Comprometimento documentado do sono, função ocupacional e vida sexual.

  5. Exclusão de diagnósticos diferenciais: Função tireoidiana normal, sem evidência de outras condições médicas que expliquem os sintomas.

Código Escolhido: GA30 - Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa

Justificativa Completa:

Este código é apropriado porque a paciente apresenta múltiplas manifestações patológicas claramente relacionadas à transição menopáusica. Os sintomas vasomotores são de intensidade e frequência suficientes para causar impacto funcional significativo, diferenciando-se de sintomas fisiológicos leves. A síndrome geniturinária está documentada tanto clinicamente quanto ao exame físico. A fragmentação do sono secundária aos sintomas vasomotores resulta em fadiga diurna e comprometimento funcional.

A combinação destes fatores justifica intervenção médica específica e diferencia claramente este caso de uma transição menopáusica fisiológica normal. O código GA30 captura adequadamente a natureza patológica das manifestações apresentadas.

Códigos Complementares:

Dependendo do sistema de documentação e necessidade de especificidade adicional, podem ser considerados códigos complementares para sintomas específicos ou comorbidades que influenciam o manejo, sempre seguindo as diretrizes locais de codificação.

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

Transtornos inflamatórios do trato genital da mulher vs. GA30:

Os transtornos inflamatórios envolvem processos infecciosos ou inflamatórios primários do trato genital, apresentando-se com secreção anormal, dor pélvica aguda, febre ou sinais inflamatórios ao exame. A diferença principal é que estes são processos patológicos primários, enquanto GA30 refere-se a alterações relacionadas à transição hormonal menopáusica. Uma paciente com vaginite bacteriana durante a perimenopausa seria codificada com o código de inflamação, não GA30, mesmo que a deficiência estrogênica possa predispor à infecção.

GA10 - Endometriose vs. GA30:

Endometriose é diagnosticada pela presença de implantes endometriais ectópicos, tipicamente confirmados por laparoscopia ou exames de imagem característicos. Apresenta-se com dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia profunda e potencial infertilidade. A diferença principal é que endometriose é uma condição estrutural específica que pode ocorrer em qualquer idade reprodutiva, enquanto GA30 é específico para sintomas relacionados à transição menopáusica. Uma mulher perimenopáusica com endometriose previamente diagnosticada seria codificada com GA10, não GA30.

GA11 - Adenomiose vs. GA30:

Adenomiose caracteriza-se por invasão do miométrio por glândulas endometriais, diagnosticada por achados específicos em ultrassonografia ou ressonância magnética (espessamento miometrial, cistos miometriais). Apresenta-se com menorragia e dismenorreia, frequentemente em mulheres na quarta ou quinta década. A diferença principal é que adenomiose é uma alteração estrutural uterina específica, enquanto GA30 engloba sintomas funcionais da menopausa. Se uma paciente perimenopáusica tem sangramento aumentado devido a adenomiose, o código apropriado é GA11, não GA30.

Diagnósticos Diferenciais

Disfunção Tireoidiana: Hipertireoidismo pode causar sintomas semelhantes a fogachos, sudorese, irritabilidade e irregularidade menstrual. Hipotireoidismo pode causar fadiga, alterações de humor e irregularidade menstrual. A distinção requer dosagem de hormônios tireoidianos.

Transtornos de Ansiedade: Podem apresentar-se com sintomas vasomotores, sudorese, insônia e irritabilidade. A diferenciação baseia-se na relação temporal com a transição menopáusica, padrão sintomático e presença de outros sintomas menopáusicos.

Síndrome de Fadiga Crônica: Pode causar fadiga significativa e distúrbios do sono, mas sem os sintomas vasomotores característicos ou evidência de transição menopáusica.

8. Diferenças com CID-10

Na CID-10, as condições relacionadas à menopausa eram codificadas principalmente com N95, que incluía diversos subcódigos para diferentes manifestações menopáusicas. Por exemplo, N95.1 era usado para menopausa e climatério feminino, enquanto N95.2 referia-se a vaginite atrófica pós-menopáusica.

A principal mudança na CID-11 com o código GA30 é a reorganização e consolidação dessas condições sob uma categoria mais abrangente, com melhor estruturação hierárquica. A CID-11 oferece maior especificidade através de subcategorias mais detalhadas, permitindo documentação mais precisa das diferentes manifestações patológicas da transição menopáusica.

O impacto prático dessas mudanças inclui maior clareza na diferenciação entre menopausa fisiológica e transtornos patológicos da menopausa, melhor alinhamento com terminologia clínica contemporânea e facilitação de pesquisas epidemiológicas mais precisas. A estrutura da CID-11 também permite melhor integração com sistemas eletrônicos de registro médico e maior consistência internacional na documentação dessas condições.

Profissionais familiarizados com a CID-10 devem estar atentos a essas mudanças para garantir transição adequada e codificação correta, especialmente em sistemas que ainda estão implementando a CID-11.

9. Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico dos transtornos da menopausa?

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história menstrual detalhada, idade apropriada e presença de sintomas característicos. A avaliação inclui documentação do padrão menstrual (irregularidade, alterações no fluxo), caracterização dos sintomas (vasomotores, urogenitais, psicológicos) e seu impacto na qualidade de vida. Exames hormonais, particularmente FSH e estradiol, podem ser úteis em casos duvidosos ou em mulheres mais jovens, mas não são obrigatórios para todas as pacientes. O exame físico ginecológico avalia sinais de atrofia urogenital. A chave é diferenciar sintomas patológicos que requerem tratamento de manifestações fisiológicas normais.

O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

Sim, tratamentos para transtornos da menopausa geralmente estão disponíveis em sistemas de saúde públicos em diversos países. As opções incluem terapia hormonal (estrogênio isolado ou combinado com progestágeno), tratamentos não hormonais para sintomas vasomotores (antidepressivos em doses baixas, gabapentina), lubrificantes e hidratantes vaginais para sintomas urogenitais, e modificações de estilo de vida. A disponibilidade específica varia entre diferentes sistemas de saúde e regiões, mas as terapias fundamentais são amplamente acessíveis. Algumas terapias mais recentes ou especializadas podem ter disponibilidade limitada ou requerer aprovação específica.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração do tratamento varia significativamente entre pacientes. Sintomas vasomotores tipicamente persistem por alguns anos, com duração média de 4-7 anos, embora algumas mulheres experimentem sintomas por períodos mais curtos ou mais longos. A terapia hormonal geralmente é continuada enquanto os sintomas persistem e os benefícios superam os riscos, com reavaliação periódica. Tratamentos para atrofia urogenital frequentemente necessitam ser mantidos a longo prazo, pois os sintomas tendem a recorrer com a descontinuação. A abordagem é individualizada, com ajustes baseados na resposta sintomática e perfil de risco da paciente.

Este código pode ser usado em atestados médicos?

Sim, o código GA30 pode ser utilizado em atestados médicos quando os sintomas menopáusicos são suficientemente graves para interferir com a capacidade de trabalho ou outras atividades. Isso é particularmente relevante quando sintomas vasomotores severos, insônia significativa ou outras manifestações comprometem o desempenho profissional. A documentação deve ser clara quanto ao impacto funcional e à necessidade de afastamento temporário ou ajustes no ambiente de trabalho. Como com qualquer atestado médico, deve haver justificativa clínica adequada.

Todas as mulheres na menopausa devem ser codificadas com GA30?

Não. GA30 é específico para transtornos patológicos da menopausa, não para a transição menopáusica fisiológica normal. Muitas mulheres experimentam menopausa com sintomas mínimos ou ausentes que não requerem intervenção médica e não devem ser codificadas como tendo um transtorno. O código deve ser reservado para situações onde há sintomas suficientemente graves para causar sofrimento significativo, comprometimento funcional ou necessidade de tratamento médico específico.

Quando encaminhar para especialista?

Encaminhamento para ginecologista ou especialista em menopausa deve ser considerado em várias situações: sintomas que não respondem adequadamente ao tratamento inicial, contraindicações ou complicações da terapia hormonal, menopausa prematura (antes dos 40 anos), sangramento anormal que requer investigação adicional, sintomas atípicos ou severos, ou quando há comorbidades complexas que complicam o manejo. Mulheres com história de câncer de mama ou outras condições que contraindicam terapia hormonal também podem beneficiar-se de avaliação especializada para explorar opções terapêuticas alternativas.

Os sintomas menopáusicos sempre melhoram com o tempo?

Sintomas vasomotores (fogachos e sudorese noturna) geralmente diminuem em intensidade e frequência ao longo do tempo para a maioria das mulheres, embora a duração seja variável. No entanto, sintomas urogenitais relacionados à atrofia tendem a persistir ou progredir sem tratamento, pois são consequência da deficiência estrogênica contínua. Algumas mulheres continuam experimentando sintomas vasomotores por muitos anos após a menopausa. A progressão natural varia consideravelmente entre indivíduos, tornando difícil prever o curso em qualquer paciente específica.

Mudanças de estilo de vida podem substituir tratamento médico?

Modificações de estilo de vida, incluindo manutenção de peso saudável, exercício regular, evitar gatilhos de fogachos (alimentos picantes, cafeína, álcool, ambientes quentes), técnicas de relaxamento e uso de roupas em camadas, podem ajudar a reduzir sintomas vasomotores em alguns casos. Para sintomas leves a moderados, essas estratégias podem ser suficientes. No entanto, para sintomas severos que justificam o código GA30, modificações de estilo de vida geralmente são complementares ao tratamento médico, não substitutivas. A abordagem ideal frequentemente combina ambas as estratégias para otimizar resultados.


Conclusão:

A codificação adequada de transtornos da menopausa com GA30 requer compreensão clara da distinção entre transição fisiológica normal e manifestações patológicas que necessitam intervenção médica. A documentação detalhada dos sintomas, seu impacto funcional e a exclusão de diagnósticos diferenciais são fundamentais para codificação precisa. Este código permite reconhecimento apropriado dessas condições, facilitando acesso a tratamento adequado e contribuindo para melhor compreensão epidemiológica desses transtornos que afetam milhões de mulheres globalmente.

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa
  2. 🔬 PubMed Research on Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📊 Clinical Evidence: Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa
  5. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  6. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-03

Códigos Relacionados

Como Citar Este Artigo

Formato Vancouver (ABNT)

Administrador CID-11. Menopausa ou alguns transtornos especificados da perimenopausa. IndexICD [Internet]. 2026-02-03 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

Use esta citação em trabalhos acadêmicos, TCC, monografias e artigos científicos.

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