3B63.1

Trombocitose adquirida

Acquired thrombocytosis

Categoria

Definição

Trombocitemia essencial (TE) é uma doença clonal de células-tronco caracterizada por elevação sustentada do número de plaquetas (< 450 x 109/L) com tendência a trombose e hemorragia que compartilha similaridades fenotípicas com outras doenças neoplásicas mieloproliferativas (NMP) adquiridas. A prevalência é estimada em 1/4.200 na população geral. A idade mediana ao diagnóstico é de 60-65 anos, mas a doença pode ocorrer em qualquer idade. A razão mulher-homem é de aproximadamente 2:1. O quadro clínico é dominado por predisposição a eventos oclusivos vasculares e hemorragias. Alguns pacientes com TE são assintomáticos, enquanto outros podem apresentar distúrbios microcirculatórios ou eventos vaso-motores (cefaleia, distúrbios visuais, tontura, dor torácica atípica, parestesias distais, eritromelalgia e outros sintomas de isquemia neurológica transitória). A doença está menos frequentemente associada a risco aumentado de hemorragia. Os principais riscos para pacientes com TE incluem tromboses arteriais e venosas, que podem induzir manifestações neurológicas, cardíacas ou de artéria periférica graves (trombose venosa profunda, trombose de veia porta ou síndrome de Budd-Chiari; veja estes termos), e transformação para mielofibrose e leucemia aguda. Mutações somáticas nos genes JAK2 (JAK2-V617F) (50%) e MPL (MPL-W515K/L) (9q24 e 1p34) são comuns à TE (e policitemia vera e mielofibrose primária), e mutações do gene TET2 (4q24) foram encontradas em casos de TE com mieloproliferação. Entretanto, o mecanismo patogênico detalhado é desconhecido. Uma forma familial de trombocitemia essencial também foi observada (veja este termo). O diagnóstico é baseado em nível elevado sustentado de plaquetas (acima de 450x109/L), evidência de mutação somática (JAK2 ou MPL) em favor de doença clonal (NMP), ou histologia de biópsia de medula óssea mostrando megacariócitos aumentados com formas hiperlobuladas grandes proeminentes e sem aumento de reticulina (menor ou igual a 2 em escala de 0-4) e ausência de NMP entre parentes para excluir TE familial. Diagnósticos diferenciais incluem outras neoplasias mieloides (policitemia vera, mielofibrose primária, leucemia mieloide crônica e síndrome mielodisplásica; veja estes termos), causas de trombocitose secundária (inflamação, câncer, deficiência de ferro, esplenectomia ou asplenia, regeneração medular prolongada) e trombocitose familial (veja este termo). O manejo pode envolver terapia antiagregante ou citorredução plaquetária. Hidroxicarbamida e aspirina são eficazes em pacientes de alto risco. Evitar citorredução (tromborredução) ou optar por anagrelida pode postergar os efeitos colaterais de longo prazo da hidroxicarbamida em pacientes jovens ou de baixo risco. Anagrelida obteve autorização de comercialização na UE em 2004 como medicamento órfão para redução de contagens plaquetárias elevadas em pacientes com TE em risco que são intolerantes à sua terapia atual, ou cuja terapia atual é ineficaz. Interferon alfa recombinante convencional e peguilado (IFN) são eficazes no controle da contagem plaquetária embora não haja evidência de eficácia na prevenção de trombose. IFN é frequentemente usado durante a gravidez (convencional) ou para pacientes mais jovens. As taxas de mortalidade são similares àquelas de uma população saudável pareada por idade e sexo durante as primeiras décadas após o diagnóstico, mas parecem aumentar posteriormente. Este excesso de mortalidade ocorre por complicações da doença como trombose, transformação para mielofibrose, leucemia aguda ou mielodisplasia. O risco de trombose está fortemente relacionado a episódio trombótico prévio e idade (risco médio acima de 40 anos, alto risco acima de 60). Fatores de risco associados a doença arteriosclerótica podem influenciar o uso de terapia citorredutora em pacientes de risco intermediário ou baixo.

Inclusões

  • Trombocitemia hemorrágica idiopática

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