4A00.14

Angioedema hereditário

Hereditary angioedema

Categoria

Definição

O angioedema hereditário (AEH) é uma doença genética caracterizada pela ocorrência de edemas subcutâneos e/ou submucosos transitórios e recorrentes resultando em inchaço e dor abdominal. A prevalência foi estimada em 1/100.000. O início pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum durante a infância ou adolescência. Os pacientes apresentam edemas brancos, circunscritos e não pruriginosos que permanecem por um período de 48 a 72 horas e recorrem com frequência variável. Os edemas podem envolver o trato digestivo resultando em um quadro clínico semelhante ao observado na síndrome de oclusão intestinal, às vezes associado a ascite e choque hipovolêmico. O edema laríngeo pode ser fatal com risco de morte de 25% na ausência de tratamento apropriado. Procedimentos odontológicos são um fator desencadeante para edema laríngeo. Edemas da face são um fator de risco para envolvimento laríngeo. Três tipos de AEH foram descritos. Os AEH tipos I e II são causados por anomalias no gene SERPING1 (11q12-q13-1) que codifica o inibidor da protease plasmática C1 (C1-INH): o tipo I é causado por deleção ou por expressão de um transcrito truncado levando a um defeito quantitativo no C1-INH; o tipo II é causado por mutações pontuais levando a um defeito qualitativo no C1-INH. A transmissão é autossômica dominante e a maioria dos casos envolve heterozigotos. Os edemas são desencadeados pelo aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos em resposta a níveis elevados de bradicinina como resultado da deficiência de C1-INH. O AEH tipo III envolve predominantemente mulheres, sendo o uso de contraceptivos orais contendo estrogênio e a gravidez fatores precipitantes. O AEH tipo III não é causado por deficiência de C1-INH, mas está associado a um aumento na atividade da cininogenase levando a níveis elevados de bradicinina. Alguns casos estão associados a mutações de ganho de função no fator XII da coagulação (fator de Hageman; F12), mas outras anomalias genéticas ainda precisam ser identificadas. O diagnóstico dos AEH tipos I e II baseia-se na medição das concentrações de C4 e na análise quantitativa e funcional do C1-INH. O diagnóstico do AEH tipo III gira em torno do reconhecimento do quadro clínico. Os níveis de C4 e C1-INH são normais. A medição da atividade da cininogenase e a análise de mutações no gene F12 podem ser propostas. O diagnóstico diferencial deve incluir angioedema adquirido (ver este termo), síndrome de oclusão intestinal e angioedema induzido por histamina (de origem alergênica ou não alergênica) geralmente associado a urticária. A triagem de membros da família, incluindo indivíduos assintomáticos, é recomendada. Os tratamentos com corticosteroides não são eficazes. O ácido tranexâmico deve ser usado para tratar episódios moderados, e ataques graves (envolvendo edema laríngeo) devem ser tratados com icatibanto subcutâneo (um antagonista do receptor de bradicinina) ou administração intravenosa de concentrado de C1-INH. O tratamento profilático com ácido tranexâmico ou danazol pode ser proposto para pacientes com episódios frequentes. O prognóstico vital é bom para pacientes que foram diagnosticados e têm acesso ao tratamento adequado em caso de edema laríngeo. No entanto, morbidade significativa pode estar associada ao envolvimento digestivo resultando em dor e pacientes ficando acamados por pelo menos três dias após o episódio.

Termos de Índice

Angioedema hereditárioDoença de Bannister, hereditáriaDoença ou edema de QuinckeEdema hereditário de QuinckeAEH - [edema angioneurótico hereditário]Edema angioneurótico hereditárioAngioedema familialAngioedema hereditário tipo Ideficiência do inibidor de C1 esterase- tipo 1deficiência do inibidor de C1 esteraseAEH-I - [Angioedema hereditário tipo I]Edema angioneurótico hereditário tipo 1Deficiência quantitativa do inibidor de C1 esterase [C1-INH]AEH com deficiência quantitativa de C1-INHAngioedema hereditário tipo IIdeficiência de C1-INH - [inibidor de C1 esterase]AEH-II - [angioedema hereditário tipo II]Edema angioneurótico hereditário tipo 2Deficiência qualitativa de inibidor de C1 esterase [C1-INH]AEH com disfunçao de C1-INHAngioedema hereditário tipo IIIAEH-III - [angioedema hereditário tipo III]Angioedema hereditário com mutação de FXIIEdema angioneurótico hereditário tipo 3Angioedema hereditário estrógeno-dependenteEdema angioneurótico hereditário estrógeno-dependenteAngioedema hereditário com mutação de Fator XII da coagulaçãoAEH com C1-INH normalEdema hereditário circunscrito agudoEdema hereditário essencial agudo