5C56.01

Doença de Fabry

Fabry disease

Categoria

Definição

A doença de Fabry (DF) é uma doença progressiva, hereditária, multissistêmica do metabolismo de glicoesfingolipídeos que classicamente afeta homens hemizigotos sem atividade residual de alfa-galactosidase A e é caracterizada por sintomas neurológicos (dor), cutâneos (angiqueratoma), renais (proteinúria e insuficiência renal), cardiovasculares (cardiomiopatia e arritmia), cocleovestibulares e cerebrovasculares (acidentes vasculares cerebrais). A DF é pan-étnica e a prevalência relatada varia entre 1 e 5 em 100.000, mas a verdadeira prevalência pode estar subestimada. Os sintomas clínicos (dor aguda e crônica, caracterizada por queimação, formigamento e parestesias das extremidades) geralmente surgem na infância, tipicamente entre 4 e 10 anos de idade. Diarreia, náusea, vômito, hipo-hidrose, lesões cutâneas e alterações corneanas são comuns. Com o aumento da idade, anormalidades cardíacas (cardiomiopatia hipertrófica, arritmias e variabilidade da frequência cardíaca prejudicada) e cerebrovasculares (acidente vascular cerebral e ataques isquêmicos transitórios), juntamente com uma deterioração gradual da função renal, são muito frequentes. Mulheres heterozigotas são frequentemente sintomáticas, mas a gravidade dos sintomas varia, variando de muito leve a grave. Em alguns pacientes, a DF pode ter uma apresentação "atípica" ou de início tardio com manifestações predominantemente cardíacas ou renais. A DF é causada por mutações no gene GLA (cromossomo Xq22) e é transmitida de maneira ligada ao X. A demonstração da deficiência de alfa-galactosidase A é o método definitivo para diagnóstico de homens hemizigotos. A detecção enzimática de heterozigotas é frequentemente inconclusiva e o teste genético é necessário para mulheres. Na infância, o diagnóstico diferencial deve incluir outras possíveis causas de dor (artrite reumatoide (ver este termo) e "dores de crescimento"). Na idade adulta, esclerose múltipla (ver este termo) é às vezes considerada. O diagnóstico pré-natal, viável pela determinação da atividade enzimática ou teste de DNA em vilosidades coriônicas ou células amnióticas cultivadas, é, por razões éticas, geralmente considerado apenas em fetos masculinos. Além disso, a existência de variantes atípicas complica o aconselhamento genético. Uma opção terapêutica específica para a doença (terapia de reposição enzimática usando alfa-galactosidase A humana recombinante) foi recentemente introduzida, mas sua segurança e eficácia a longo prazo ainda estão sendo investigadas. O manejo convencional consiste em alívio da dor com medicamentos analgésicos, nefroproteção (inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores de angiotensina) e agentes antiarrítmicos, enquanto diálise ou transplante renal estão disponíveis para pacientes com insuficiência renal terminal. Com a idade, e na ausência de tratamento, dano progressivo aos sistemas de órgãos vitais (doença renal terminal e complicações cardiovasculares ou cerebrovasculares com risco de vida) se desenvolve em ambos os sexos, levando a uma qualidade de vida significativamente prejudicada e expectativa de vida diminuída.

Termos de Índice

Doença de FabryDoença de Fabry ligada ao XDoença de Anderson-FabryDeficiência de ceramida trihexosidaseDeficiência de alfa-galactosidase ADoença de Fabry ligada ao X dominanteDoença de Fabry ligada ao X recessivaAngiokeratoma corporis diffusum