5C56.02

Leucodistrofia metacromática

Metachromatic leukodystrophy

Categoria

Definição

A leucodistrofia metacromática é uma doença neurodegenerativa caracterizada por acúmulo de sulfatídeos (glicosfingolipídeos sulfatados, especialmente sulfogalactosilceramidas ou sulfogalactocerebrosídeos) no sistema nervoso e rins. Existem três formas da doença: infantil tardia, juvenil e adulta. Sua incidência varia entre 0,5 e 1/50.000 (sendo 60% infantil tardia, 20-30% juvenil e 10-20% adulta). A prevalência é estimada em 1 caso em 625.000. A forma infantil tardia é a mais frequente e inicia-se por volta da idade de andar, com hipotonia, dificuldades de marcha, atrofia óptica e regressão motora precedendo o comprometimento mental. O sistema nervoso periférico é sistematicamente afetado (as velocidades de condução nervosa estão reduzidas). A doença progride para um estado de decerebração em poucos anos, com óbito ocorrendo dentro de 5 anos após o início dos sintomas. Sinais de acúmulo de sulfatídeos devem ser sistematicamente procurados, particularmente na urina (sulfatidúria). A forma juvenil inicia-se por volta dos 4 ou 5 anos de idade, com parada do desenvolvimento intelectual, seguida por regressão motora, crises epilépticas e ataxia. A doença progride menos rapidamente que a forma infantil, mas o desfecho é sempre fatal, com a maioria dos pacientes morrendo antes dos 20 anos de idade. Na forma adulta, o início pode ocorrer por volta dos 15 anos de idade, mas frequentemente a doença não é diagnosticada até a idade adulta. Os sinais clínicos incluem distúrbios motores ou psiquiátricos, mas a progressão é lenta. A doença pode manifestar-se como crises epilépticas. A sulfatidúria está presente, mas em menor grau do que nas formas de início mais precoce. A leucodistrofia metacromática é autossômica recessiva e resulta de uma incapacidade de metabolizar o sulfato de cerebrosídeo. Na maioria dos casos, a enzima deficiente é a arilsulfatase A, cujo gene foi localizado no cromossomo 22 (22q). Na forma infantil tardia, a atividade da arilsulfatase A é muito baixa a inexistente. Na forma juvenil, a deficiência enzimática e a sulfatidúria também estão presentes, mas menos acentuadas do que na forma infantil, enquanto na forma adulta, encontra-se atividade enzimática residual. Em casos raros, foram encontradas mutações no gene que codifica um ativador envolvido na hidrólise enzimática dos lipídeos, chamado SAP-B, localizado no cromossomo 10 (10q21-22). Os sintomas clínicos da leucodistrofia metacromática por deficiência do ativador são idênticos aos encontrados na leucodistrofia metacromática infantil ou juvenil. A arilsulfatase A é normal, mas os níveis de sulfatídeos estão elevados. O rastreamento de indivíduos heterozigotos e o diagnóstico pré-natal podem ser realizados. Não há tratamento específico disponível para esta doença. O transplante de medula óssea pode ser considerado para indivíduos com formas infantil de início tardio ou juvenil antes do início dos sintomas, a fim de estabilizar suas funções neurocognitivas, mas sua eficácia não é garantida. A terapia de reposição enzimática está atualmente sendo investigada.

Termos de Índice

Leucodistrofia metacromáticaDoença de Greenfield (Leucodistrofia metacromática)Deficiência de arisulfatase ADeficiência de cerebrosídeo sulfataseLeucodistrofia metacromática da infância tardiaLeucodistrofia metacromática juvenilLeucodistrofia metacromática do adultoLeucodistrofia metacromática devida à deficiência do fator ativador esfingolipÍdeo tipo ILeucodistrofia metacromática devida à deficiência de saposina BLeucodistrofia metacromática devida à deficiência de ativador de cerebrosídeo sulfatase