Miíase

Miíase (CID-11: 1G01) - Guia Completo de Codificação Clínica 1. Introdução A miíase é uma infestação parasitária causada pela invasão de tecidos humanos por larvas de moscas da ordem Diptera. E

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Miíase (CID-11: 1G01) - Guia Completo de Codificação Clínica

1. Introdução

A miíase é uma infestação parasitária causada pela invasão de tecidos humanos por larvas de moscas da ordem Diptera. Esta condição representa um importante problema de saúde pública, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical, onde as condições ambientais favorecem o desenvolvimento e proliferação desses insetos. A doença afeta milhões de pessoas anualmente, com maior incidência em populações rurais, indivíduos com mobilidade reduzida, pessoas em situação de vulnerabilidade social e pacientes com feridas crônicas.

A miíase manifesta-se tipicamente pelo desenvolvimento de nódulos nos tecidos afetados, acompanhados de sensação de movimento sob a pele, dor, prurido e, em casos mais graves, infecção secundária. A transmissão ocorre por diferentes vias: ingestão de alimentos contaminados com larvas, contato direto com moscas infectadas ou deposição de ovos em feridas abertas, mucosas ou pele lesionada. A confirmação diagnóstica requer a identificação microscópica das larvas de Diptera em amostras de tecido.

A codificação correta da miíase no sistema CID-11 é fundamental para o registro epidemiológico adequado, planejamento de políticas de saúde pública, alocação de recursos para prevenção e tratamento, além de garantir o reembolso apropriado pelos serviços médicos prestados. O código 1G01 permite a padronização internacional dos registros, facilitando estudos comparativos e o desenvolvimento de estratégias de controle mais eficazes.

2. Código CID-11 Correto

Código: 1G01

Descrição: Miíase

Categoria pai: Infestações por ectoparasitas

Definição oficial: A miíase é uma doença dos tecidos causada por infecção por larvas de moscas da ordem Diptera. Esta condição caracteriza-se pelo desenvolvimento de um nódulo no tecido afetado, resultado da penetração e desenvolvimento larval. A transmissão ocorre por três mecanismos principais: ingestão de larvas contaminadas através de alimentos ou água, contato direto com mosquitos, carrapatos ou moscas infectados que depositam seus ovos, ou contato indireto com ovos de mosca depositados em superfícies que posteriormente entram em contato com o hospedeiro humano. A confirmação diagnóstica é estabelecida pela identificação inequívoca de larvas de Diptera em amostra de tecido obtida do paciente, seja por extração direta, biópsia ou análise de material expelido naturalmente.

Este código pertence ao capítulo de doenças infecciosas e infestações parasitárias, especificamente na seção de infestações por ectoparasitas, que engloba organismos que vivem na superfície ou camadas superficiais do corpo humano.

3. Quando Usar Este Código

O código 1G01 deve ser utilizado em situações clínicas específicas onde há confirmação da presença de larvas de moscas nos tecidos do paciente. Abaixo estão cenários práticos detalhados:

Cenário 1: Miíase Cutânea Furunculoide Paciente apresenta-se com lesão nodular única ou múltipla na pele, geralmente em áreas expostas como couro cabeludo, face, braços ou pernas. O paciente relata sensação de movimento sob a pele, dor intermitente e prurido. Ao exame físico, observa-se nódulo eritematoso com orifício central por onde ocasionalmente se visualiza movimento da larva ou drenagem de líquido seroso. A extração da larva confirma tratar-se de Diptera. Este é o cenário clássico para uso do código 1G01.

Cenário 2: Miíase em Feridas Crônicas Paciente acamado ou com mobilidade reduzida apresenta úlcera de pressão, úlcera venosa ou ferida traumática que não cicatriza adequadamente. Durante o curativo, profissionais de saúde identificam presença de larvas móveis no leito da ferida. O paciente pode apresentar odor fétido característico, secreção purulenta e sinais de infecção secundária. A remoção e identificação das larvas como Diptera justifica a codificação 1G01.

Cenário 3: Miíase Cavitária Nasal Paciente com história de rinite crônica, uso de drogas inalatórias ou condições que causam lesões nasais apresenta obstrução nasal unilateral ou bilateral, epistaxe recorrente, dor facial e secreção nasal fétida. Ao exame rinoscópico, identificam-se larvas na cavidade nasal. A extração e confirmação laboratorial das larvas estabelecem o diagnóstico de miíase nasal, codificada como 1G01.

Cenário 4: Miíase Auricular Paciente com otite externa crônica, perfuração timpânica ou história de trauma auricular queixa-se de dor intensa no ouvido, sensação de movimento, prurido e otorreia fétida. À otoscopia, visualizam-se larvas no canal auditivo externo ou cavidade timpânica. A remoção cuidadosa e identificação das larvas confirmam o diagnóstico, justificando o código 1G01.

Cenário 5: Miíase Oftálmica Paciente apresenta-se com quadro agudo de dor ocular, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, fotofobia e hiperemia conjuntival. Ao exame oftalmológico com lâmpada de fenda, identifica-se presença de larvas na conjuntiva ou, em casos graves, com penetração intraocular. Este é um cenário de emergência oftalmológica que requer intervenção imediata e codificação como 1G01.

Cenário 6: Miíase Intestinal Paciente relata ingestão de alimentos potencialmente contaminados e desenvolve sintomas gastrointestinais como dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia. Larvas são identificadas nas fezes ou em material vomitado. A confirmação laboratorial de larvas de Diptera nas amostras biológicas estabelece o diagnóstico de miíase intestinal, apropriadamente codificada como 1G01.

4. Quando NÃO Usar Este Código

É fundamental diferenciar a miíase de outras condições parasitárias e dermatológicas que podem apresentar manifestações clínicas semelhantes:

Não usar 1G01 para pediculose: Quando o paciente apresenta infestação por piolhos (Pediculus humanus capitis, corporis ou Pthirus pubis), o código correto é 1G00. A diferença principal está no agente etiológico: piolhos são insetos hematófagos adultos que vivem na superfície da pele ou cabelos, enquanto a miíase é causada por larvas de moscas que invadem tecidos.

Não usar 1G01 para infestação por sanguessugas: Quando há aderência de sanguessugas (hirudíneos) à pele ou mucosas, especialmente após exposição a águas contaminadas, o código apropriado é 1G02 (Hirudiníase externa). Sanguessugas são anelídeos que se fixam temporariamente para alimentação, diferentemente das larvas de moscas que se desenvolvem nos tecidos.

Não usar 1G01 para infestação por pulgas: A ftiríase ou tungíase, causada pela pulga Tunga penetrans, deve ser codificada como 1G03. Embora possa causar lesões nodulares semelhantes, o agente é uma pulga adulta fêmea que penetra a pele para depositar ovos, não larvas de moscas.

Não usar 1G01 para abscessos bacterianos: Lesões furunculoides causadas por infecção bacteriana (Staphylococcus aureus, por exemplo) podem simular miíase cutânea, mas na ausência de larvas identificáveis, devem ser codificadas como infecções cutâneas bacterianas.

Não usar 1G01 para sensação de parasitose: Pacientes com delírio de parasitose ou síndrome de Ekbom apresentam convicção de infestação parasitária sem evidência objetiva. Estes casos requerem codificação psiquiátrica apropriada, não 1G01.

5. Passo a Passo da Codificação

Passo 1: Avaliar Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de miíase requer confirmação parasitológica definitiva. A avaliação inicial inclui anamnese detalhada sobre exposição a ambientes com presença de moscas, condições de higiene, presença de feridas abertas e sintomas característicos. O exame físico deve identificar a localização das lesões, características dos nódulos, presença de orifícios de respiração das larvas e sinais de infecção secundária.

A confirmação diagnóstica obrigatória envolve a extração das larvas e sua identificação microscópica. As larvas devem ser coletadas cuidadosamente, preservadas em álcool 70% ou formol 10%, e enviadas para análise laboratorial. A identificação da espécie de Diptera auxilia no planejamento terapêutico e prognóstico, embora não seja necessária para a codificação básica como 1G01.

Instrumentos diagnósticos incluem dermatoscopia para visualização ampliada das larvas, ultrassonografia para avaliar profundidade da invasão tecidual, e em casos de miíase cavitária, endoscopia (nasal, auricular ou gastrointestinal) para localização e extração das larvas.

Passo 2: Verificar Especificadores

Embora o código 1G01 seja utilizado para todos os tipos de miíase, a documentação clínica deve especificar características importantes:

Localização anatômica: Cutânea, nasal, auricular, oftálmica, oral, genital, intestinal ou sistêmica. Esta informação é crucial para o planejamento terapêutico.

Tipo de miíase: Primária (quando a mosca deposita ovos em tecido íntegro), secundária (quando ovos são depositados em feridas ou tecidos necróticos) ou acidental (quando larvas são ingeridas).

Gravidade: Casos leves com lesão única e sem complicações, moderados com múltiplas lesões ou envolvimento de estruturas adjacentes, ou graves com destruição tecidual extensa, infecção secundária ou comprometimento de estruturas vitais.

Duração: Aguda (menos de uma semana), subaguda (uma a quatro semanas) ou crônica (mais de quatro semanas).

Passo 3: Diferenciar de Outros Códigos

Diferenciação de 1G00 (Pediculose): A pediculose envolve infestação por piolhos adultos que permanecem na superfície da pele ou cabelos, causando principalmente prurido por reação às picadas. A miíase envolve larvas que invadem tecidos profundos, causando nódulos e destruição tecidual. A identificação do parasita é definitiva: piolhos adultos versus larvas de moscas.

Diferenciação de 1G02 (Hirudiníase externa): A hirudiníase ocorre quando sanguessugas se fixam à pele ou mucosas para alimentação hematófaga temporária. São facilmente visíveis, removíveis e não causam nódulos teciduais. A miíase envolve larvas microscópicas inicialmente, que se desenvolvem dentro dos tecidos formando nódulos característicos.

Diferenciação de 1G03 (Ftiríase): A tungíase ou ftiríase é causada pela penetração da pulga Tunga penetrans, geralmente nos pés, causando lesão nodular única com ponto negro central (o abdome da pulga). A miíase pode afetar qualquer parte do corpo, apresenta larvas móveis identificáveis e não tem o aspecto característico da tungíase.

Passo 4: Documentação Necessária

A documentação adequada para suportar o código 1G01 deve incluir:

Checklist obrigatório:

  • Data e circunstâncias da exposição quando conhecidas
  • Localização anatômica precisa da infestação
  • Descrição detalhada das lesões (tamanho, número, características)
  • Sintomas apresentados e duração
  • Método de confirmação diagnóstica (visualização direta, extração, biópsia)
  • Identificação das larvas como Diptera (preferencialmente com espécie)
  • Presença de complicações (infecção secundária, destruição tecidual)
  • Tratamento instituído (remoção mecânica, medicamentoso)
  • Resposta ao tratamento e seguimento

Registro fotográfico: Quando possível e com consentimento do paciente, documentação fotográfica das lesões e das larvas extraídas auxilia na confirmação diagnóstica e seguimento.

6. Exemplo Prático Completo

Caso Clínico

Paciente de 68 anos, sexo masculino, agricultor, apresenta-se ao serviço de emergência com queixa de "ferida na perna que não cicatriza e tem bichos dentro". Relata que há três semanas sofreu pequeno trauma na perna direita enquanto trabalhava na lavoura, causando escoriação superficial. Inicialmente tratou a lesão com produtos caseiros, mas há uma semana notou que a ferida aumentou de tamanho e passou a apresentar secreção amarelada com odor desagradável. Há três dias começou a perceber "algo se mexendo dentro da ferida", acompanhado de dor intensa que piora à noite.

Ao exame físico, paciente apresenta bom estado geral, afebril, pressão arterial e frequência cardíaca normais. Na face lateral da perna direita, região do terço médio, observa-se úlcera de aproximadamente 4 cm de diâmetro, com bordas irregulares, eritema perilesional, base com tecido de granulação e áreas de necrose. Durante a inspeção detalhada da lesão, identificam-se múltiplas larvas móveis (aproximadamente 15 a 20 larvas) de coloração esbranquiçada, medindo entre 8 a 12 mm de comprimento, parcialmente submersas no tecido. Não há sinais de celulite extensa ou linfangite. Paciente relata ter trabalhado descalço e com roupas que expunham as pernas nos dias anteriores ao trauma inicial.

Codificação Passo a Passo

Análise dos Critérios:

  1. Presença de larvas confirmada: Visualização direta de múltiplas larvas móveis na ferida durante exame físico.

  2. Identificação como Diptera: As larvas foram cuidadosamente extraídas com pinça, preservadas em álcool 70% e enviadas para análise laboratorial, que confirmou tratar-se de larvas de moscas da família Calliphoridae (mosca-varejeira), ordem Diptera.

  3. Invasão tecidual: As larvas não estavam apenas na superfície, mas parcialmente submersas no tecido, causando destruição tecidual ativa.

  4. Mecanismo de transmissão identificado: Miíase secundária, com deposição de ovos em ferida traumática preexistente.

  5. Exclusão de outros diagnósticos: Não se trata de pediculose (ausência de piolhos), hirudiníase (não são sanguessugas) ou ftiríase (não é pulga Tunga penetrans).

Código Escolhido: 1G01 - Miíase

Justificativa Completa:

O código 1G01 é apropriado porque todos os critérios diagnósticos para miíase foram satisfeitos: confirmação parasitológica com identificação de larvas de Diptera, evidência de invasão tecidual com formação de lesão característica, história compatível com exposição e mecanismo de transmissão identificado. A localização cutânea em membro inferior e o contexto de miíase secundária em ferida traumática são apresentações clássicas desta condição.

Códigos Complementares:

  • Código de procedimento para remoção de larvas e desbridamento da ferida
  • Código para antibioticoterapia se houver infecção bacteriana secundária confirmada
  • Código para a ferida traumática inicial (causa externa) se relevante para registro epidemiológico
  • Código para orientações sobre prevenção de novas infestações

Tratamento Instituído:

Remoção mecânica de todas as larvas visíveis com pinça estéril, limpeza profunda da ferida com solução salina, desbridamento de tecido necrótico, aplicação de ivermectina tópica, prescrição de ivermectina oral dose única, antibioticoterapia profilática, curativos diários e orientações sobre proteção da ferida. Seguimento ambulatorial programado em 48 horas para reavaliação.

7. Códigos Relacionados e Diferenciação

Dentro da Mesma Categoria

1G00: Pediculose

A pediculose refere-se à infestação por piolhos das espécies Pediculus humanus (capitis ou corporis) ou Pthirus pubis. Diferentemente da miíase, os piolhos são insetos adultos hematófagos que vivem na superfície da pele ou cabelos, não invadindo tecidos profundos.

Quando usar 1G00 vs. 1G01: Use 1G00 quando identificar piolhos adultos ou lêndeas (ovos) aderidos aos fios de cabelo ou roupas, com sintomas predominantes de prurido por reação às picadas. Use 1G01 quando identificar larvas de moscas invadindo tecidos, causando nódulos ou destruição tecidual.

Diferença principal: Agente etiológico (piolhos adultos versus larvas de moscas) e padrão de infestação (superficial versus invasão tecidual).

1G02: Hirudiníase Externa

A hirudiníase externa ocorre quando sanguessugas (anelídeos da classe Hirudinea) se fixam à pele ou mucosas para alimentação sanguínea. É comum após exposição a águas de rios, lagos ou áreas pantanosas onde esses organismos habitam.

Quando usar 1G02 vs. 1G01: Use 1G02 quando o paciente apresenta sanguessugas visíveis aderidas à pele ou mucosas (nasal, oral, vaginal), geralmente após banho em águas naturais. Use 1G01 quando há larvas de moscas invadindo tecidos, independentemente da exposição a água.

Diferença principal: Sanguessugas são organismos segmentados visíveis macroscopicamente que se fixam temporariamente para alimentação, enquanto larvas de moscas são organismos que se desenvolvem dentro dos tecidos ao longo de dias a semanas.

1G03: Ftiríase

A ftiríase ou tungíase é causada pela penetração cutânea da pulga Tunga penetrans, cujas fêmeas se enterram na pele, geralmente nos pés, para depositar ovos. Causa lesão nodular característica com ponto negro central.

Quando usar 1G03 vs. 1G01: Use 1G03 quando identificar lesão nodular típica nos pés (ou ocasionalmente mãos) com ponto negro central, especialmente após caminhar descalço em solo arenoso. Use 1G01 quando identificar larvas de moscas em qualquer localização corporal.

Diferença principal: A tungíase apresenta lesão característica única com a pulga fêmea visível no centro, enquanto a miíase apresenta larvas móveis múltiplas que causam nódulos sem o aspecto característico da tungíase.

Diagnósticos Diferenciais

Abscessos bacterianos: Podem simular miíase furunculoide, mas não apresentam larvas identificáveis. A punção revela apenas material purulento estéril ou com crescimento bacteriano na cultura.

Corpo estranho subcutâneo: Pode causar nódulo inflamatório semelhante, mas exames de imagem (ultrassonografia, radiografia) identificam material não-biológico, e não há movimento ou larvas.

Leishmaniose cutânea: Causa úlceras crônicas que podem ser confundidas com miíase em feridas, mas a identificação microscópica revela protozoários (Leishmania), não larvas de insetos.

Esporotricose: Infecção fúngica que causa nódulos subcutâneos, mas sem presença de larvas e com identificação de Sporothrix na cultura.

8. Diferenças com CID-10

No sistema CID-10, a miíase era codificada como B87, com subdivisões específicas para diferentes tipos:

  • B87.0 - Miíase cutânea
  • B87.1 - Miíase de feridas
  • B87.2 - Miíase ocular
  • B87.3 - Miíase nasofaríngea
  • B87.4 - Miíase auricular
  • B87.8 - Miíase de outras localizações
  • B87.9 - Miíase não especificada

Na CID-11, o código foi simplificado para 1G01, englobando todas as formas de miíase sob um único código principal. As especificações anatômicas e de tipo são agora documentadas através de extensões e especificadores adicionais, quando necessário, ou na descrição clínica detalhada.

Principais mudanças:

  • Simplificação da codificação com código único
  • Maior flexibilidade na documentação de características específicas
  • Integração mais clara na categoria de infestações por ectoparasitas
  • Alinhamento com terminologia internacional padronizada

Impacto prático: A mudança simplifica o processo de codificação, reduzindo erros de seleção entre subcategorias. No entanto, exige documentação clínica mais detalhada para especificar localização e tipo de miíase, informações que anteriormente estavam implícitas no código. Sistemas de informação em saúde precisaram adaptar-se para capturar essas especificações através de campos adicionais ou extensões de código.

9. Perguntas Frequentes

1. Como é feito o diagnóstico definitivo de miíase?

O diagnóstico definitivo requer a identificação visual e confirmação laboratorial de larvas de moscas da ordem Diptera nos tecidos afetados. Clinicamente, o médico pode suspeitar de miíase pela apresentação característica de nódulos com orifício central, sensação de movimento relatada pelo paciente e história de exposição. A confirmação ocorre pela extração das larvas, que devem ser preservadas em álcool 70% ou formol 10% e enviadas para análise parasitológica. O laboratório identifica as características morfológicas das larvas, incluindo segmentação corporal, espiráculos respiratórios e ganchos bucais, confirmando tratar-se de Diptera e, quando possível, identificando a espécie específica.

2. O tratamento está disponível em sistemas de saúde públicos?

Sim, o tratamento da miíase está amplamente disponível em sistemas de saúde públicos na maioria dos países. O tratamento principal consiste na remoção mecânica das larvas, procedimento que pode ser realizado em unidades básicas de saúde com material simples (pinças, solução antisséptica). Medicamentos como ivermectina oral, quando necessários, geralmente fazem parte das listas de medicamentos essenciais de muitos sistemas de saúde. Casos mais complexos, como miíase oftálmica ou com destruição tecidual extensa, podem requerer encaminhamento para serviços especializados, mas o tratamento básico é acessível na atenção primária.

3. Quanto tempo dura o tratamento?

A duração do tratamento varia conforme a gravidade e localização da infestação. Em casos simples de miíase cutânea com poucas larvas, a remoção mecânica completa pode resolver o problema em uma única consulta, com seguimento em 48-72 horas para confirmar que não há larvas residuais. Quando se utiliza ivermectina oral, o efeito ocorre em 24-48 horas, causando morte das larvas, mas a cicatrização completa da ferida pode levar semanas. Em casos de miíase em feridas crônicas com infecção secundária, o tratamento pode estender-se por várias semanas, incluindo curativos regulares, antibioticoterapia e cuidados com a ferida base. Casos graves com destruição tecidual podem requerer meses de acompanhamento, incluindo possível necessidade de cirurgia reparadora.

4. Este código pode ser usado em atestados médicos?

Sim, o código 1G01 pode e deve ser usado em atestados médicos quando o diagnóstico de miíase for confirmado. A miíase é uma condição que pode justificar afastamento do trabalho, especialmente em ocupações que envolvem contato com alimentos, atendimento ao público ou quando a localização da infestação interfere com as atividades laborais. O tempo de afastamento varia conforme a gravidade: casos leves podem requerer apenas alguns dias para tratamento inicial, enquanto casos graves com complicações podem justificar afastamento prolongado. É importante documentar adequadamente o diagnóstico, tratamento e limitações funcionais decorrentes para fundamentar o atestado médico.

5. A miíase pode ser fatal?

Embora rara, a miíase pode ser fatal em situações específicas. A maioria dos casos é benigna e resolve-se com tratamento adequado. No entanto, miíase em localizações críticas como cavidade nasal com invasão de seios paranasais e estruturas intracranianas, miíase oftálmica com perfuração ocular, ou miíase em pacientes imunossuprimidos pode causar complicações graves. A destruição tecidual extensa pode levar a hemorragias, infecções secundárias graves (sepse), ou comprometimento de estruturas vitais. Pacientes debilitados, acamados ou com múltiplas comorbidades apresentam maior risco de complicações fatais, especialmente quando o diagnóstico é tardio.

6. Como prevenir a miíase?

A prevenção da miíase baseia-se em medidas de higiene pessoal e ambiental. Recomenda-se manter feridas limpas e adequadamente cobertas, evitar exposição de feridas abertas a ambientes com moscas, usar roupas que protejam a pele em áreas rurais ou de risco, manter boa higiene corporal, especialmente em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida. No ambiente, é fundamental o controle de moscas através de telas em janelas, uso criterioso de inseticidas, manejo adequado de lixo e resíduos orgânicos, e controle de animais que possam atrair moscas. Pacientes com feridas crônicas devem receber curativos regulares e supervisão adequada. Cuidadores de pacientes vulneráveis devem ser treinados para identificar precocemente sinais de infestação.

7. Todas as moscas podem causar miíase?

Não, apenas moscas de determinadas espécies da ordem Diptera podem causar miíase em humanos. As principais famílias envolvidas incluem Calliphoridae (moscas-varejeiras), Sarcophagidae (moscas-da-carne), Oestridae (moscas-do-berne) e Muscidae. Algumas espécies são parasitas obrigatórios, depositando ovos apenas em hospedeiros vivos, enquanto outras são parasitas facultativos, preferindo matéria orgânica em decomposição mas podendo infestar feridas. A mosca doméstica comum (Musca domestica), embora seja vetor de doenças, raramente causa miíase. A identificação da espécie de mosca é importante epidemiologicamente e pode influenciar o tratamento, embora não altere o código CID-11 utilizado.

8. Crianças podem desenvolver miíase?

Sim, crianças podem desenvolver miíase, e em algumas regiões representam uma proporção significativa dos casos. Crianças pequenas são vulneráveis devido à maior exposição a ambientes externos, menor capacidade de comunicar sintomas precocemente e, em algumas situações, condições de higiene inadequadas. A miíase em crianças pode ocorrer no couro cabeludo, ouvidos, nariz e pele. Casos de miíase intestinal podem ocorrer por ingestão acidental de alimentos contaminados. O tratamento em crianças segue os mesmos princípios dos adultos, com ajuste de doses medicamentosas conforme peso e idade. A prevenção em crianças requer supervisão adequada, manutenção de higiene pessoal e proteção contra exposição a moscas em ambientes de risco.


Conclusão:

A codificação adequada da miíase utilizando o código CID-11 1G01 é essencial para o registro epidemiológico preciso, planejamento de saúde pública e gestão clínica apropriada. Este artigo forneceu orientações práticas para identificação correta dos casos, diferenciação de condições similares e documentação adequada. A miíase permanece um importante problema de saúde em muitas regiões, e a padronização internacional através do sistema CID-11 facilita a comparação de dados, desenvolvimento de estratégias de prevenção e melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes afetados.

Referências Externas

Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas confiáveis:

  1. 🌍 WHO ICD-11 - Miíase
  2. 🔬 PubMed Research on Miíase
  3. 🌍 WHO Health Topics
  4. 📋 CDC - Centers for Disease Control
  5. 📊 Clinical Evidence: Miíase
  6. 📋 Ministério da Saúde - Brasil
  7. 📊 Cochrane Systematic Reviews

Referências verificadas em 2026-02-03

Related Codes

How to Cite This Article

Vancouver Format

Administrador CID-11. Miíase. IndexICD [Internet]. 2026-02-03 [citado 2026-03-29]. Disponível em:

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